Domingo, 8 de março de 2026
Entrevista com Taiza Krueder. Foto: Divulgação/Clara Arte
Dia da Taiza
Hoje, excepcionalmente, no lugar da coluna “normal” de domingo, uma entrevista em homenagem ao Dia da Mulher e às mulheres, com uma Super Mulher. À frente do Clara Resort, a CEO Taiza Krueder lidera uma operação que envolve cerca de mil colaboradores e integra hospitalidade, arte e experiência como diferencial competitivo. Em um setor que responde por aproximadamente 8% do Produto Interno Bruto e emprega milhões de pessoas direta e indiretamente, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, Taiza se destaca por uma gestão orientada a performance, crescimento sustentável, inovação e cultura organizacional. Assim, no Dia da Mulher, ela fala sobre liderança, inovação, decisões estratégicas e o papel feminino na alta administração. É preciso ressaltar também que Taiza é chef de formação internacional, pela École Supérieure de Cuisine Française de Paris Ferrandi, primeira brasileira aceita na famosa escola de gastronomia.
Ser mulher e liderar um resort com quase mil funcionários diretos e indiretos significa…
Significa atuar com visão sistêmica e alta capacidade de execução. Liderar quase mil colaboradores envolve gestão de pessoas, controle financeiro, estratégia comercial, experiência do cliente e governança. Em um setor que depende diretamente de reputação e qualidade de serviço, cada decisão impacta não apenas o resultado, mas a marca. Para mim, liderança é criar estrutura, formar sucessores e garantir que cada área opere com autonomia e responsabilidade.
Qual foi o momento mais desafiador da sua trajetória como CEO?
Os momentos de maior desafio são aqueles que exigem decisões estruturais. Crescer demanda reorganização, revisão de processos e investimentos estratégicos. Em um mercado altamente competitivo e sensível a oscilações econômicas, é preciso tomar decisões baseadas em dados, previsibilidade de demanda e análise de cenário. O maior desafio não é apenas decidir - é sustentar a decisão com consistência e clareza para toda a equipe.
O que diferencia uma liderança feminina hoje?
Hoje vemos mais mulheres ocupando posições estratégicas, mas ainda somos minoria na alta gestão. Segundo estudos recentes do IBGE e do mercado corporativo, mulheres ocupam cerca de 38% dos cargos gerenciais no Brasil, mas a presença diminui à medida que o cargo se torna mais elevado. A liderança feminina tem se destacado pela capacidade de integrar performance com cultura organizacional, promovendo ambientes colaborativos sem perder foco em metas e resultados. Essa combinação gera engajamento e reduz “turnover” - fator crítico no setor de hotelaria.
Inovação, para você, é mais coragem ou estratégia?
Inovação é estratégia sustentada por coragem. No turismo e na hotelaria, inovação está ligada à experiência, personalização e posicionamento de marca. O viajante atual busca propósito e diferenciação. Investir em conceito, identidade e experiência exige análise de mercado, inteligência competitiva e visão de longo prazo. Coragem é executar antes que o mercado consolide a tendência.
Já precisou provar sua capacidade mais de uma vez por ser mulher?
No início da trajetória, sim. O setor de grandes operações sempre foi majoritariamente masculino na alta administração. Porém, resultados constroem autoridade. Indicadores de crescimento, eficiência operacional, satisfação do cliente e fortalecimento da marca são argumentos incontestáveis. A consistência na entrega elimina qualquer questionamento baseado em gênero.
Qual decisão mais arrojada você tomou à frente do Clara Arte?
Apostar em posicionamento estratégico e diferenciação de marca em momentos de incerteza econômica. Enquanto muitos retraíam investimentos, optamos por fortalecer identidade, experiência e cultura organizacional. Isso ampliou a percepção de valor e fidelização. No setor de hospitalidade, onde margens podem ser pressionadas por sazonalidade, diferenciação é essencial para manter competitividade.
Como equilibrar firmeza na gestão e sensibilidade com pessoas?
Uma operação com mil colaboradores exige processos bem definidos, metas claras e indicadores de desempenho. Firmeza está na governança e no direcionamento estratégico. Sensibilidade está na escuta ativa, no desenvolvimento de lideranças internas e na construção de um ambiente de confiança. Empresas que investem em cultura organizacional sólida apresentam maior produtividade e menor rotatividade, o que impacta diretamente o resultado financeiro.
Que conselho você daria às mulheres que desejam ocupar cargos de alta liderança?
Busquem preparo técnico, formação contínua e visão estratégica. Liderança exige domínio financeiro, compreensão de mercado e capacidade de tomada de decisão sob pressão. Também é fundamental construir rede de relacionamento e mentoria. Ocupar um cargo de liderança não é apenas chegar ao topo - é sustentar resultados, formar equipes fortes e deixar legado.






