Paulo Navarro | Entrevista com Renata Araújo
Entrevista com Renata Araújo. Foto: Juliana Nascimento
A Renata da Nata
Você identifica o bom gosto de alguém; se identifica com um (a) artista, quando conhece suas influências, tipo: Frank Sinatra, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Tony Bennett, Ney Matogrosso, Elis Regina e aquele genial monte de etc. Você conhece e reconhece uma artista de verdade não apenas quando ela está no palco, sob luzes e aplausos, mas também quando está na plateia, curtindo, vibrando e apoiando os colegas que estão cantando e tocando. É o caso de nossa entrevistada de hoje, Renata Araújo que, dia 31 de março, estava no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes torcendo pelo Clube da Esquina de Telo Borges e seus 1001 convidados. Acontece que Renata não é apenas cantora, é também palestrante, psicanalista, bailarina, escritora e embaixadora do Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa. Ela está em casa quando o assunto é música, dança, interpretação, escrita e performance autoral; o país da arte, baú de espantos e belezas. A seguir, abrimos este baú contendo joias como a “PalestrArte”, que entrelaça música e poemas; o show, misto quente de voz, expressão corporal, dança e o livro “Ser tão” que, em poucos dias, será lançado em Lisboa e depois aqui, em Belo Horizonte. Enfim, “seus trabalhos são desenvolvidos focando eventos que conectam arte, sensibilidade e comunicação de forma assertiva e contemporânea”. Pronto, podem aplaudir e pedir bis!
Renata, você é, realmente, uma mulher multifacetada! Vamos por capítulos: a cantora. Como começou? Qual é o seu repertório?
Meu repertório nasceu muito cedo, a partir das referências que recebi dos meus pais. Cresci ouvindo nomes como Frank Sinatra, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Tony Bennett, Ney Matogrosso, Elis Regina, entre tantos outros. Hoje, esse repertório faz parte da minha história - está no meu corpo como uma memória viva.
Palestrante! Sobre quais temas você fala? Qual é a sua palestra atual ou futura?
Minha palestra nasceu de uma metodologia própria, na qual integro música, dança, voz, expressão corporal e escrita com base psicanalítica. A partir disso, abordo temas como tempo, passagem, vida, morte, consciência e a realização do desejo. Também trago os questionamentos que precisamos fazer ao longo da existência. Falo ainda sobre o lugar do homem no mundo e seus propósitos. A ideia é provocar reflexão e gerar questionamentos profundos.
Psicanalista: você exerce? Consegue conciliar?
Sim, estou atendendo, embora um menor número de clientes. Acredito muito na análise em extensão. A própria “PalestrArte”, carrega esse lugar - com um cunho psicanalítico. Todo o texto aborda várias questões da vida que citei acima, que podem levar as pessoas a olharem profundamente e quem sabe até buscar uma análise.
Agora, a escritora: qual o próximo lançamento?
Meu próximo lançamento é “Ser tão”, um livro que escrevi a partir do cenário do norte de Minas Gerais. Trago esse ambiente como base para falar sobre vida, morte e a passagem do tempo, em diálogo com o universo de Guimarães Rosa. A narrativa se constrói também a partir de Dona Joaquina, personagem inspirada em uma mulher real, que representa a força da terra. Desenvolvi também um trabalho fotográfico com suas mãos, como símbolo de raiz, vivência, memória e tempo inscritos na pele.
Onde e quando?
O lançamento será em Lisboa, no evento “Conect-se”, pelo Clube das mulheres de negócios da Língua Portuguesa. Primeiramente farei a abertura do evento com a “PalestrArte”, e depois o lançamento do livro. Além desse encontro, também participarei de um outro acontecimento, em Lisboa. Lá, realizo uma performance que integra fala, corpo e arte, materializando, na prática, o conceito da própria “PalestraArte”.
Que agenda! Que logística!
Tudo está sendo organizado pelo Business Social Club: “quando uma artista como Renata Araújo chega a Lisboa através do Business Social Club, o trabalho liderado por Ronan de Andrade Horta é estruturado como um soft landing estratégico, voltado para posicionamento, networking qualificado e geração de oportunidades”.
Que operação!
A iniciativa inclui a preparação de um receptivo personalizado, pensado para integrar a artista ao ambiente cultural e empresarial da cidade, facilitando conexões relevantes e acelerando sua inserção no mercado europeu. O processo envolve também a organização do lançamento do livro em um formato exclusivo, reunindo convidados selecionados e criando uma experiência que combina conteúdo, relacionamento e visibilidade.
Isso, fora o “normal”, correto?
Também estarei presente em entrevistas, podcasts e outros encontros em Lisboa, ampliando esse diálogo sobre desejo, tempo e propósito. Além disso, pretendo realizar um lançamento em Belo Horizonte, integrando palestra, show e literatura. As datas previstas em Lisboa são 21 e 23 de abril.
Embaixadora do Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa: o que é esse clube?
O Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa é uma rede internacional que conecta mulheres empreendedoras de mais de 20 países. É um espaço de articulação, troca e expansão, que ultrapassa fronteiras e cria pontes reais entre culturas e mercados. É, acima de tudo, um ambiente de fortalecimento feminino em escala global, onde negócios e sensibilidade caminham juntos.
E a dança? Ou tem mais?
A dança sempre esteve em mim. Comecei muito cedo: aos três anos, minha segunda mãe, negra, me ensinou a sambar; aos quatro, me iniciei no balé. Foi ali que desenvolvi disciplina, foco e determinação. Passei por diversos mestres e escolas, como Núcleo Artístico e Compasso e Primeiro Ato. Hoje, sigo em constante aprimoramento, estudando jazz e outras linguagens corporais.
Tudo separado ou tudo ao mesmo tempo?
Tudo junto - sempre foi assim. A escrita, por exemplo, vem de uma herança familiar: minha bisavó já tinha esse dom. Ao longo da vida, aprofundei meus estudos em literatura por mais de 15 anos com o professor Reinaldo Marques, da UFMG, além de mais de uma década dedicada à história da arte, com o professor Luiz José Flávio.
Pelo jeito, tem mais…
Sou formada em Administração pela FUMEC, pós-graduada em Marketing pela FGV e estudo psicanálise há mais de 30 anos. Tudo se integra: música, dança, escrita, corpo e pensamento. Eu não consigo separar. É um corpo-poema em movimento.
Seus eventos costumam conectar todos esses talentos?
Sim. Independentemente do formato - palestra, show ou lançamento de livro - tudo gira em torno dessas múltiplas expressões. Não consigo pensar minha atuação de forma fragmentada.
Agenda cheia em 2026?
Sim, agenda cheia em 2026, com muitos projetos em andamento. Há possibilidades de expansão internacional, inclusive em Portugal e outros países. Também pretendo realizar novos shows em Belo Horizonte no segundo semestre, além de outros lançamentos.
E 2027? Já tem planos?
Os planos seguem em construção, sempre com o desejo de expandir ainda mais esse trabalho - levando minha arte, minhas reflexões e minha presença para novos espaços, dentro e fora do Brasil.










