Paulo Navarro | Entrevista com Nélio Rodrigues
Entrevista com Nélio Rodrigues. Foto: Weber Pádua
Sem Fim
Conhecemos o fotógrafo Nélio Rodrigues, não quando ele tinha 16, 17 anos. Muito menos há 51 anos. Mas pelo menos há uns 30! Em festas, eventos e lançamentos; ele sua máquina fotográfica, para lá e para cá, sempre elegante, discreto, profissional. Mesmo depois de tanto tempo, estamos curiosos para ler e ver seu primeiro livro, recém-lançado, “Uma História Não Tem Fim”. E atenção, releiam o título, não é “Uma História Que Não Tem Fim”. Logo mais ele vai explicar. Nélio também vai relançar o livro, dia 19, na Parrilha Savassi. O que tem nas páginas para confirmar que “uma imagem vale mil palavras”? Nada, porque tentem dizer esta mesma frase apenas com uma imagem.... Impossível! Por isso, além de texto, vamos encontrar, em 60 histórias, não apenas 50 anos de impecável trabalho, mas 51 anos que, na sequência, podem gerar mais 60 ou mil outras histórias, em mais 16, 19, 50, 51 ou 60 livros, com exagero, claro!
Na entrevista, Nélio conta o que vamos encontrar em sua obra. Queremos conferir porque, durante as festas e eventos, nem sempre víamos seu alvo, muito menos o resultado. Mas logo de cara, já descobrimos que, por incrível que não pareça, ele é carioca. Depois, que a fotografia é missão, olhar, percepção e aprendizado. Esta entrevista tem um fim, mas o trabalho de Nélio, esperamos, está bem longe disso. Não vamos esperar mais 15 livros dele, mas com certeza, o segundo; exposições, festas, eventos e lançamentos, a começar pelo do dia 19. Sorriam! Seus olhos estão sendo fotografados a partir de agora.
Nélio, mineiro? De onde?
Sou carioca. Nasci em Copacabana e passei parte da infância em Cordovil (bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro). Escolhi Minas Gerais para construir minha história. Aos 16, 17 anos, descobri a fotografia e, no Senac Rio, aprendi que fotografar não era apenas apertar o botão. Era aprender a olhar.
Consegue resumir tua trajetória profissional na fotografia?
Foram 51 anos de muitos caminhos: laboratório, redações, fotojornalismo, fotografia editorial, institucional e retratos. Passei por veículos como Última Hora de Brasília, Jornal de Brasília, Veja, Placar e CARAS. Fotografei presidentes, artistas, atletas, empresários e pessoas anônimas. E cada pessoa sempre foi uma história.
Por que comemorar 51 anos e não os 50?
Porque os 51 chegaram no momento certo. Eu não queria apenas comemorar uma data. Queria transformar essa trajetória em algo que permanecesse. E nasceu o livro.
E por que “Uma História Não Tem Fim”?
Porque acredito que nenhuma história termina completamente. O título representa justamente isso: experiências que continuam vivas na memória, mesmo depois que o momento passou.
O que o leitor encontra no livro?
São 60 histórias dos meus 51 anos de profissão. Bastidores, encontros, personagens, situações engraçadas, emocionantes e também aprendizados. Eu gosto de chamar de “fotografia imaginária”: o leitor lê e constrói a imagem na própria cabeça.
Como foi o lançamento na CASACOR Minas?
Foi muito emocionante. Criamos o “Diálogo com o Autor – O Que a Fotografia Me Ensinou”, porque eu queria mais do que lançar um livro. Queria conversar sobre o que a fotografia me ensinou ao longo da vida.
E o lançamento do dia 19?
Será no dia 19 de outubro, às 19 horas, na Parrilha Savassi, na Rua Professor Moraes, 158. Teremos o “Diálogo com o Autor”, estúdio fotográfico e sessão de autógrafos. Quero convidar as pessoas para viver esse momento comigo.
Muita emoção e memória?
Muita. Escrever o livro foi como abrir um arquivo de memória. Uma lembrança puxava outra, e eu reencontrei pessoas e momentos importantes da minha trajetória.
Alguma memória mais marcante?
São muitas. Brasília, as redações, os grandes personagens e as grandes pautas. Mas também aprendi que uma história aparentemente pequena pode se tornar enorme. Não existe pauta pequena. Existe história que ainda não foi percebida.
Você tem material para mais livros?
Tenho material para muitos. O primeiro tem 60 histórias e pode abrir caminho para outros volumes. Ainda existem muitas histórias para contar.
Uma “pitada” do que a fotografia te ensinou?
A fotografia me ensinou a olhar. E olhar não é apenas enxergar. É perceber. Ela me ensinou paciência, rapidez, ética, respeito e responsabilidade.
E 2027?
Quero continuar trabalhando, desenvolver projetos autorais, fazer exposições e levar essa experiência para universidades, empresas e outros espaços. E, quem sabe, novos livros. Depois de escrever “Uma História Não Tem Fim”, descobri que contar histórias também é uma forma de fotografar. Só que, dessa vez, a câmera é a palavra. Aos 51 anos de trajetória, não estou olhando para o fim. Estou começando outro capítulo.
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