Paulo Navarro | sábado, 28 de julho de 2018

Foto: Fábio Ortolan

 

A aquarela de Lindolfo

O convidado de hoje, chave para deliciosa conversa, é Lindolfo Paoliello, presidente da mais que centenária ACMinas, Associação Comercial e Empresarial de Minas, para os íntimos. Um homem viajado externa e internamente, um poeta pessoal da consultoria em comunicação, um cronista atento das boas coisas da vida e do mundo. Conheçam, agora, mais do intervalo daquele que começa a se conhecer.

 

De Ubá para o mundo?

O ubaense que fez do Brasil uma aquarela e a levou para o mundo foi Ary Barroso. Eu, mal nasci, fui levado para Minas, e fiz dela minha patriazinha.

 

“Passaporte bastante carimbado”... Filho de cigano?

De juiz. O filho do juiz é, nas pequenas cidades, alvo da atenção e “cuidados” de todos, e precisa ter muito cuidado. Logo que nasci, meus pais mudaram-se para Raul Soares, Manhuaçu, Lavras, mas férias sempre na querida Ubá.

 

Seu currículo também esbanja carimbos...

Tenho estado em permanente movimento. Enquanto estudava na “Vetusta Casa de Afonso Pena” (Faculdade de Direito da UFMG), trabalhava como repórter de Economia do “Estado de Minas”. Formado, fui contratado como advogado da Fundação João Pinheiro, mas logo em seguida criei a área de Comunicação do Cetec, voltei para a FJP. Enquanto isso, fazia a especialização em Marketing no programa FJP/Columbia University. Ufa! Fui dirigir o marketing do BDMG e, um ano depois, criar a área de Comunicação da Fiat Automóveis. Criei um escritório de consultoria que, em 2018, faz 30 anos. Um dos clientes, a CBL – Companhia Brasileira de Lítio, convidou-me para sua Diretoria Institucional. Mas nunca me afastei da “catedral” que o professor Emerson de Almeida constrói há 42 anos: a Fundação Dom Cabral, uma das atividades de maior valor em minha vida.

 

Que verso de Fernando Pessoa te direcionou?

“Começo a conhecer-me. Eu não existo. Sou o intervalo entre o que eu queria ser e que os outros me fizeram”. Me inspirou a deixar a Fiat,  criar a consultoria e escrever meus livros.

 

E o escritor Lindolfo Paoliello?

Costumo dizer que sou cronista, dedico-me à consultoria para viver bem e à cidadania e associativismo para que outros tenham a mesma oportunidade. São oito livros e participação em três antologias. O próximo será lançado em dezembro.

 

E a missão na ACMinas?

Acho que a palavra cabe bem aqui. Uma crescente força de representação das empresas. E promover a interação dessas com a sociedade. Posicionar a empresa como um ente da sociedade, protagonista de seu desenvolvimento.

 

O que pode agregar aos negócios de Minas?

Formulei um Plano de Metas. Os “3 Fs”: ACMinas para fora, para frente e para o futuro; via conhecimento, desenvolvimento, internacionalização, inovação e produtividade. Tudo isso servindo à competitividade. Esse plano reinventou uma entidade de 117 anos.

 

O que sintetiza sua passagem terrena?

Viver. Sentir, a cada vez que respiro, que estou vivo e preciso cumprir essa responsabilidade.