Paulo Navarro | sábado, 28 de dezembro de 2019

Foto: Leo Lara

 

Tim-tim e Saúde!

Ronaldo Behrens é filho e neto de médicos. Mas também é advogado. Advogado muito próximo das dores e delícias da medicina, da saúde. Sua especialidade é o Direito da Saúde. “Há quem chame isso de destino! Somente depois dos 40 anos de idade é que comecei a perceber que eu poderia estar cumprindo uma missão de família”. E Ronaldo está mesmo, tudo a ver, direito, saúde, vida. Corpo e alma.

 

Ronaldo, Behrens nos lembra Odilon Behrens. E a você?

A mim, me lembra responsabilidade de cuidar de outro ser humano. Tanto meu avô, Odilon, quanto meu pai, Paulo, eram médicos e, quando se formaram resolveram exercer a medicina no interior, pois a encaravam quase como um sacerdócio. Meu pai foi superintendente do hospital que leva o nome do meu avô de 1989 a 1993 e, nesse período, ajudou a abrir os serviços para todos os cidadãos. Antes era um hospital para os servidores apenas. Ambos se dedicaram muito.

 

Ninguém gosta de hospital, mas adora saúde, é por aí?

O que ninguém gosta é de ficar doente, de sofrer. Mas, quando isso ocorre, o hospital é um abrigo e seus profissionais são amigos íntimos que podem nos apoiar neste momento de fragilidade.

 

Fale um pouco sobre Direito da Saúde, "autonomia, direitos e experiência do paciente"...

O Direito da Saúde não é uma unanimidade enquanto ramo do Direito. De minha parte, sempre me incomodou o fato de o paciente não ser escutado pelo sistema e seus profissionais. A relação deveria ser de parceria. Devemos nos lembrar e estudar mais o SUS, pois, por lá, seus excelentes profissionais já vêm falando de humanização há mais de década.


Saúde é, provavelmente, o maior problema do Brasil. O que fazer?

Melhorar o financiamento público e também a gestão. Temos que dar a devida força à atenção primária e discutir os limites do Estado brasileiro para operar o sistema.

 

Que país no mundo seria exemplo para o Brasil? A França, onde você estudou?

França, em termos de direitos dos pacientes. Portugal, Inglaterra, Alemanha. Mas também somos fontes de inspiração. Os professores franceses compreenderam a dimensão e complexidade do SUS e disseram que tinham muito a aprender conosco.

 

Existem ferramentas onde todos ganham, hospitais, profissionais e pacientes?

Em minha visão, só existe essa ferramenta. Esse desalinhamento entre os atores da saúde entre si e com os pacientes, em nível mundial, só tem feito mal.

 

Qual o conflito mais frequente com o qual se depara?

Observo muitos conflitos na indústria da saúde. O antídoto é a comunicação. Melhorar o diálogo e atuarmos com humildade em prol de um propósito comum, colocando o paciente verdadeiramente no centro dos cuidados.

 

Você brinda “saúde” com água ou vinho?

Ótima pergunta! Brindo “saúde” com água, o elemento essencial de nosso corpo; com vinho, que é muito importante para nosso espírito; mas, principalmente, com abraços, sorrisos, que são alimentos de nossa alma.