Paulo Navarro | quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Contrastando com tanta feiura e tragédia, a beleza de Gisa Freitas colore a coluna

Foto: Edy Fernandes

Olhem bem as montanhas 

A propósito do poema “Lira Itabirana”, do poeta Carlos Drummond de Andrade, reproduzido ontem na coluna, pontuamos o contexto de sua publicação nos anos 1980, bem como o acordar de uma geração para a questão ambiental. Naquela época, levantávamos a bandeira “olhe bem as montanhas”. Foram os primeiros passos de movimentos ambientalistas de BH, focados na destruição da Serra do Curral por ações de mineradoras.

Olhem bem os parques 

Os adesivos do slogan da campanha ganharam vitrine em vidros traseiros de carros de toda uma geração e sua visualização, mais do que moda, fez cessar a destruição da topografia e gerar a criação do Parque das Mangabeiras.

O Rio? É doce/A Vale? Amarga

Lembramos que, naquela época, o poema de Drummond ecoou montanhas afora. A partir de sua publicação, em 1984, no jornal “O Cometa Itabirano”, seus versos deram fôlego para outros brados contra a exploração insensata de nossas reservas minerais, inclusive da Vale (então, do Rio Doce), fundada quatro décadas antes, em Itabira, sua terra natal. Com ele, o poeta chorava pela sua cidade. Isto, sem prever que sua tristeza ganharia campo e se tornaria um rio de lágrimas nos dias atuais.

Abrace Minas Gerais

Em resposta ao rompimento da barragem em Brumadinho, a BrazilFoundation lançou uma campanha para arrecadar pelo menos 100 mil reais, até o final de fevereiro, para organizações da sociedade civil na região afetada pela tragédia. A campanha se chama “Abrace Minas Gerais”, e cada real doado será dobrado pela BrazilFoundation, até que a meta seja atingida.

Hora da responsabilidade 

Ainda sobre a tragédia de Brumadinho, a coluna conversou com o Procurador de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Junior, que considera que a atribuição criminal, no caso, é da Justiça Estadual, já que o rio é estadual e os homicídios não se inserem, a princípio, na competência da Justiça Federal.

Curtas & finas

* Para o procurador, já passa da hora de se responsabilizar não apenas as pessoas jurídicas e diretores, mas, sobretudo os responsáveis técnicos, que sempre levam a erro as empresas e autoridades. Isto, quando não há conluio.

“A construção do refeitório e escritório abaixo da barragem foi uma barbaridade”, finaliza o Soares.

Concidentemente, Soares lança, no próximo dia 7, o livro “A evolução da jurisprudência ambiental – comentários dos acórdãos paradigmas do TJMG”, escrito por ele em parceria com os promotores de Justiça que cuidaram do caso envolvendo a Samarco.

O evento será no Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

* Ainda sobre o poema “Lira Itabirana”, vale lembrar que o mesmo foi reproduzido em massa nas redes sociais desde o desastre de Mariana.

Motivo pelo qual surgiram até dúvidas se, de fato, foi escrito por Drummond.

Recordamos também de uma propaganda da Vale do Rio Doce de 1970, que fazia referência a um dos versos mais famosos do poeta: “Há uma pedra no caminho do desenvolvimento brasileiro”.

O que vocês esperam do Brasil? Mar de rosas ou de lama? Rios de lágrimas nunca mais!