Dolce Vita | domingo, 2 de agosto de 2020

O ex-ator e modelo Pedro “Pedrinho” Aguinaga, que festeja 50 anos do título “O Homem mais Bonito do Brasil” e, aos 70 anos, prepara o “primeiro volume” de sua biografia

Foto: Aderi Costa/Divulgação

Trem de Minas

Primeiro, vamos resolver o nome. É Pedro, Pedrinho Aguinaga ou Pedro de Aguinaga? Dúvida por causa da visita de uma amiga carioca a Minas. Minas porque, para cariocas e paulistanos, Belo Horizonte e outras cidades de Minas não existem. O que existe é Minas, não Gerais, mas em geral. Mais exatamente, o “Planeta Minas”, como definiu um mineiro do Rio, mais um, Fernando Gabeira.

Nos anos 1970, com o ex-presidente Juscelino Kubitscheck

Foto: Reprodução/Veja SP

Trem trenzinho

Mas voltando à amiga carioca, de outros carnavais, sem Covid-19, ela veio, viu e riu, dizendo que aqui, em “Minaxxxxx tudo termina em ‘inho’: cafezinho, cineminha, uisquinho, cervejinha, Pedrinho, Paulinho, Waltinho”. Mal sabe ela que o vício do diminutivo é pior ou melhor: “cafezim, quejim, bunitim demais da conta”. O “charmoso mineirês” que não é para os fracos e amadores.

Trem bom

Mal sabe a amiga carioca que, se o Rio de Janeiro continua lindo e banguela; há muito tempo a capital do Brasil é Brasília, mesmo com toda a fama e lama. Mal sabe ela que um dos ícones do Rio de Janeiro, carioca da gema, o poeta Vinicius de Moraes, era o “poetinha” que adorava um “uisquinho” sem a ajudinha dos mineirinhos. Então, tanto faz se é ou continuará Pedro. O Brasil fala é Pedrinho Aguinaga. Fala ou falava? Outra dúvida cruel. Quem é Pedrinho Aguinaga?

Trem “bão”

Também mal sabem as novas e ignorantes gerações que Pedro “Pedrinho” Aguinaga também é carioca da gema. Nem o Google sabe direito. Só sabe isso e pela Wikipédia: “Pedro Aguinaga ou simplesmente Pedrinho Aguinaga (Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1950) é um ator e modelo brasileiro”. Mentira! O Google, para quem sabe digitar “Pedro Aguinaga”, tem muita informação indireta sobre ele.

Trem para as estrelas

O Google é bom, mas a gente tem que ajudar. Se você digitar “Pedro”, vem o apóstolo de Jesus, a cidade de Pedro Leopoldo, o Pedro Bial, o Pedro Andrade e até o Pedro Scooby, um surfista. Se você digitar “Pedro A”, vem o cineasta Almodóvar e até nosso grande descobridor, o Álvares Cabral. Só digitando “Pedro Ag” é que aparece nosso trem e tema de hoje, Pedro “Pedrinho” Aguinaga. Culpa do tempo implacável que leva tudo.

Trem para a posteridade

O tempo leva a beleza, a juventude e a fama, mas deixa o que mais interessa e importa: histórias e exemplo de vida. As feministas calam-se sobre o salário das modelos e o dos modelos. Por que elas ganham infinitamente mais? Pedro Aguinaga nunca teve, nem tem a fortuna de uma Gisele Bündchen. É um cara simples, desapegado, mas rico em bens imateriais. É um humanista.

Aos 15 anos, com a atriz Claudia Cardinale

Trem para o futuro

Sua sorte é ter envelhecido, não em barris de carvalho, mas provando que não era apenas um rosto bonito. É um grande ser humano. Dinheiro? Como confessou, gastou mais do que recebeu. E gastou bem, com o que mais gostava, viagens pelo mundo. Hoje, seus grandes tesouros são o filho Armando (“parceria” com Monique Evans) e a neta adotiva, Valentina.

Trem de vida

Para Pedrinho Aguinaga voltar à fama, e ser o primeiro da lista do Google, ele precisaria cometer algum escândalo, como ser candidato a prefeito do Rio ou presidente do Brasil. A outra solução é lançar uma biografia, atraindo, mais uma vez, todos os holofotes para sua bela pessoa. Holofotes e fotos, desta vez, digitais. E é exatamente o que ele está fazendo, ou melhor, encomendando, sua biografia.

Trem e locomotiva

Poderíamos escrever que tudo começou há 70 anos, quando Pedro nasceu ou quando, há 50 anos, foi eleito “O Homem Mais Bonito do Brasil”. Um Alain Delon, um Marcello Mastroianni dos Tristes Trópicos. Isso para quem sabe quem foi Vinicius de Moraes, Alain Delon e Marcello Mastroianni. Tudo recomeçou no dia 19 de julho deste 2020, com uma matéria no jornal Extra: “Pedrinho Aguinaga festeja 50 anos do título de Homem Mais Bonito do Brasil e prepara biografia aos 70”.

Trem de doido

Assim, dia 27 de julho, aqui mesmo na coluna, escrevemos que “Pedro, O Grande e Belo” prepara o “primeiro volume” de sua biografia. “Primeiro volume porque Pedro, em mais risadas por telefone, de sua Copacabana, no Rio de Janeiro, adiantou que, por ora, contará apenas histórias dos anos 1970. Logo, faltarão muitas outras. O que pouca gente sabe, atualmente e depois de tantos anos, é que ele é dono de inumeráveis capítulos e amigos em Minas, principalmente em Belo Horizonte”.

Trem de ferro

No século passado, anos 1980-90, Pedro viveu uns tempos em BH. Assim, por telefone, pedimos ao ilustre amigo “três linhas” sobre sua passagem por nossa imberbe capital. Ele prometeu escrever uma página e não cumpriu. Claro. Compreensível. Sem mágoas. No mesmo dia 27, pelo WhatsApp, ele explica porque não conseguiu escrever: “Impossível! Minhas Minas são muitas! São João Del Rei (onde estudou em colégio interno), Governador Valadares, longas temporadas, fazendas, Turmalina, Uberaba, BH”. Isso até 1990.

Trem bala

E terminou assim: “Nesse tempo fiz o que faço de melhor: amigos! Abraços, sem esquecer Ponte Nova, lembranças, que tenho no coração”. Traduzindo e arriscando erros, Pedro tem muita história em Minas, mas que continuarão no baú de suas felicidades, por enquanto. Teve 1.069 namoradas e tem 1.070 amigos até hoje; animou festas de debutante, pintou, bordou e foi até dono de restaurante, o Dream, em Nova Lima.

Trem da memória

Em Ponte Nova, Pedro apresentava as glamorosas festas beneficentes promovidas pela amiga Virgínia Bartolomeo na fazenda/usina Jatiboca. No Dream, um restaurante A Favorita da época, ele até cantava para os clientes mortais e recebia imortais como Ney Matogrosso, Milton Nascimento e Caetano Veloso, que cantava só o que gostava e nunca gravou.


No Rio de Janeiro, com Liza Minelli 

Trem inolvidável

“Glentleman”, Pedro não gosta de falar, nem citar as mulheres de sua vida; entre casos, namoros e romances furtivos. Mas numa antiga entrevista à Anna Bloch, lembrou e reverenciou uma amiga, “apenas amiga”, mineira que frequentava seu restaurante: a socialite Many Catão, que só usava sáris. “Uma mulher elegante, de muita classe e humildade. Dedicada à proteção dos animais”.

Trem da alegria

Enquanto Pedro Aguinaga não redescobre Minas, um pouco de sua entrevista ao “Extra”, para quem não conhece a vida feliz que ele tem até hoje. “Sorvetes na conta do colunista Ibrahim Sued no Copacabana Palace. Viagem para a Bahia e almoço em Nova York com a cantora Maria Callas. Jantares com o bailarino Rudolf Nureyev e o cineasta Roberto Rosselini. Noites memoráveis ao lado da diva Liza Minelli”.

Trem musical

Últimos versos de “My Way” lidos num avião antes mesmo de Frank Sinatra, que gravou e imortalizou a canção de Paul Anka” (na verdade, a música original é francesa). “‘Selfie’ (quando isso nem existia) com o amigo Andy Warhol. Romance com símbolos sexuais, como Monique Evans, Rose Di Primo e Marisa Berenson (fora as centenas que ele não revela)”.

Trem da história

“Pedrinho Aguinaga, 70 anos muitíssimos bem vividos, coleciona todas essas histórias e milhares de outras que aconteceram numa época em que não havia internet, celulares e redes sociais. O que, de certa forma, é uma lástima, já que os registros estão apenas em sua memória. Dizem que para comprovar uma história é preciso de ao menos uma testemunha. Tive dezenas delas. A piscina do Copa era a internet da época”, brincou Pedro.

Ao lado de Rose di Primo, atriz e modelo brasileira, símbolo sexual da época 

Trem nostálgico

“Tudo isso e muito mais, ele diz, estará em sua autobiografia. ‘Estou fazendo várias gravações. Repassando o passado. Porque escrevendo não imprimo o mesmo tom que tenho para contar histórias’”, justifica. “Se transportado para os tempos atuais, Aguinaga seria um ‘digital influencer’. Porque ele já fazia isso mesmo vivendo de forma analógica. Aos 20 anos, era uma celebridade. Transitava nos meios artísticos, empresariais e políticos com desenvoltura e elegância. Sabia de tudo. Nada contava”.

Trem discreto

“Nunca fui interesseiro. E jamais cometia a indiscrição de repassar informações. Então, essas pessoas, muitas delas idolatradas no mundo, confiavam em mim”, acredita. “Quando se inscreveu no concurso de Flavio Cavalcanti, em 1970, Pedrinho Aguinaga só queria vencer para poder consertar o carro de uma tia. ‘Pedi emprestado para levar uma moça ao drive in, com o filme ...E o Vento Levou, e, na volta, acabei batendo. Precisava descolar grana e vi no concurso uma oportunidade’, diz”.

Trem bonito

“Moreno, 1,80m, abdômen sequinho e um sorriso avassalador. O Apolo de Copa levou o título e o coração de uma geração que o teve como ‘crush’. A beleza abriu portas. Mas antes do título, já existia um Pedro esbanjador de carisma. ‘Antes de tudo, sou um Aguinaga. Venho de uma família de médicos brilhantes, tive uma ótima formação, falo quatro idiomas, cursava Direito na PUC e sabia aproveitar as oportunidades’, enumera”.

Trem de fumaça

“Graças a Deus, segundo ele, não fuma há cinco anos. Mas aproveitando oportunidades conseguiu ser um dos garotos-propaganda mais lembrados com sua atuação à frente do cigarro Chanceler. Propaganda cujo slogan grudou como chicletes na cabeça dos consumidores ‘O fino que satisfaz’. ‘Eu não tinha passado no teste porque a empresa não gostou. Mas o diretor, que me indicou, insistiu para refazer. Quando cheguei, tinha um  estúdio montado, refiz e deu certo. No dia do comercial, tive que fumar uns 400 cigarros até a tomada ficar boa. Fui parar no hospital’”. 

                                                 

Trem do passado

“Largou o vício a pedido de um amigo, hospitalizado por um enfisema pulmonar. ‘Meu pulmão é como o de uma criança’, orgulha-se. A bebida também ficou no passado. Assim como as drogas pesadas. ‘Eu curtia cocaína para transar. Usava de forma esporádica e recreativa. As amigas traziam e quando iam embora, mandava levar com elas. Mas quando passei a pedir para que deixassem, decidi dar um fim naquilo. Hoje, de vez em quando, fumo um baseadinho’, revela”.Seu último registro aqui na coluna, entre Anna Maria Tornaghi, Humberto e Luciana Alves Pereira, durante jantar da BrazilFoundation em BH

Foto: Edy Fernandes

Trem da existência

No mais, também hoje, sem correr e perder o fôlego, muita caminhada e muita bicicleta. Querem mais? Esperem o livro sair. Ou o segundo volume da biografia. Ou o filme. Ou o ideal, uma série na Netflix. Ah! O título do livro é provisório, uma brincadeira entre os anos 1970 e os 70 anos de Aguinaga.