Sábado, 9 de maio de 2026


O tempo não passa, para a feliz aniversariante de hoje, Laura Medioli. Foto: Arquivo Pessoal

Resposta ao Tempo

Nem assaz alhures e antanho, pessoas de 50, 60 anos de idade eram consideradas velhas, acabadas, fim de linha, pé na cova. Se a humanidade em geral não evolui intelectualmente, parte dela evolui, e muito, pelo menos na tecnologia, no conhecimento, o que aumentou enormemente a expectativa de vida. Hoje, quem quiser e/ou puder facilmente chega aos 80 anos, com saúde e “corpinho” de 60, 50 anos. Ou não?

Resposta ao Vento

Bom, pelo menos em 1963, quando o melhor filho da Bélgica, Jacques Brël, compôs “Os Velhos”, os jovens de 50 anos já começavam “descer a ladeira”. “Os velhos não falam mais ou, então, às vezes, só com o canto dos olhos. Mesmo ricos, são pobres, não têm mais ilusões (...) mesmo que se viva em Paris, todos vivem no interior, quando se vive tempo demais”.

O Tempo e o Vento

“Os velhos já não se mexem, seus gestos têm rugas demais, seu mundo é pequeno demais, da cama à janela, depois, da cama à poltrona e depois, da cama à cama”. Música tão triste quanto linda, mesmo porque Brël morreu aos 49 anos, em 1978. Hoje, as gentes vivem mais e melhor, com saúde, disposição e humor. E este é o tema de hoje, inspirado em um texto espalhado no grupo da família Navarro.

O Tempo Atento

Dia 30 de abril, por ocasião dos 93 anos da prima Cléa Navarro, única sobrevivente de sua geração e mãe do primo Walter, outra prima, a linda Márcia (Navarro Ananias) Junqueira, casada com o grande prefeito de Leopoldina, Pedro Junqueira Ferraz, postou “Tempo Que Existe Em Mim”, monólogo de Claudia Mauro, de 2006, que ficou na gaveta por 19 anos.

O Tempo e o Passatempo

Com humor, a peça fala do feminino, frenético ritmo de vida e claro, da passagem do tempo. “Sabe… outro dia eu me peguei olhando no espelho. E não foi pra ver ruga, não… Foi pra tentar entender quem eu me tornei com o passar dos anos. Porque envelhecer… ah, envelhecer não é só ver o tempo passar. É aprender a caminhar com ele. Teve um tempo em que eu corria”.


O tempo não para, para Bruna Raid. Foto: Edy Fernandes

O Passatempo e o Cata-vento

“Corria pra trabalhar, pra cuidar dos outros, pra dar conta de tudo. Hoje… eu ainda caminho. Mas caminho diferente. Com mais calma… com mais sentido. Meu corpo já não responde como antes, é verdade. Às vezes dói aqui… trava ali… cansa mais rápido. Mas sabe de uma coisa? Ele ainda me leva. E enquanto ele me leva… eu vou cuidar dele”.

O Cata-vento e o Alento

“Um alongamento de manhã… Uma caminhada, mesmo que devagar… Um movimento aqui, outro ali… Porque o corpo precisa ser lembrado de que ainda está vivo. E a mente… ah, a mente! Essa então não pode parar nunca. Tem gente que acha que envelhecer é esquecer. Mas eu digo: envelhecer é lembrar melhor. Lembrar do que importa… esquecer o que pesa”.

O Alento e o Sentimento

“Eu aprendi a exercitar a cabeça também: Ler um livro, conversar, contar histórias, aprender algo novo… Sim, novo! Porque enquanto a gente aprende… a gente continua jovem por dentro. E quer saber? Envelhecer ativo não é fazer tudo como antes. É fazer o possível… com alegria. É rir mais das próprias histórias… É aceitar ajuda sem perder a dignidade… É descobrir novas formas de viver”.


O tempo não passa, nem para, para Catarina Araújo. Foto: Edy Fernandes

Lança-Perfume

*“Hoje não tenho pressa. Mas tenho presença. Não tenho a mesma força… Mas tenho sabedoria”.

“Eu não sou mais quem eu era… Mas sou alguém que aprendeu a viver”.

“E se tem uma coisa que eu sei - é que envelhecer não é o fim da estrada. É só um novo jeito de caminhar”.

“E eu sigo… Passo a passo… Cuidando do meu corpo… Cultivando a minha mente… E, principalmente… Vivendo”.

E engraçado, como o universo sempre conspira por coisas boas em sincronia. No mesmo dia do post, apareceu um vídeo sobre o poeta Vinicius de Moraes.

Era o curta-metragem “Vinicius de Moraes: um rapaz de família” (1983), documentário de Susana Moraes retratando o pai, na intimidade.

E no filme, Vinicius canta um trecho de “Além do Amor”, composição dele com Baden Powell.

A música começa assim: “Se tu queres que eu não chore mais, diga ao tempo que não passe mais”.

Tempo, tempo, tempo! Bom dia porque hoje é sábado, amanhã é domingo.