Sábado, 30 de maio de 2026
Analógica ou digital, Betânia Silveira. Foto: Edy Fernandes
Brasil de Todos
Para “variar”, no Brasil, o fim vem antes do começo e do meio. Temos um Brasil sem saneamento básico, mas completamente digital. Um Brasil repleto de analfabetos funcionais, que leem, mas não entendem, caminhando de mãos dadas com a Inteligência Artificial. Deve ser por isso que a picanha chegou ao País dos Banguelas, em forma de abóbora selvagem.
Todos Excluídos
Claro que, à primeira vista, e, para quem cresceu com a Internet e o digital, tudo ótimo. Acontece que nada é tão óbvio como parece. Conversar com uma “máquina”, teclando, ainda não é rima, muito menos solução. O contato humano, por enquanto, é fundamental. Mas na atualidade, somos obrigados a usar o fim, sem dominarmos o começo e o meio. E até que enfim, alguém escreveu o que lerão a seguir.
Todos a Pé
De Cláudio Sá Guimarães: uma sociedade que obriga uma pessoa de noventa anos a usar um smartphone, para acessar seus próprios direitos não é moderna, é uma sociedade que decidiu se livrar de seus idosos. Em 2026 tudo virou um aplicativo, um código, um portal. Mas quem construiu este pais com as próprias mãos hoje se encontra analfabeto dentro da própria casa.
Todos na Mão
Para marcar uma consulta ou pagar uma conta, é preciso um filho ou um neto, isso quando existe um. O sistema falhou. Isto não é inovação. É exclusão. A tecnologia deve ajudar, não selecionar quem tem direito à dignidade. Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo: estamos mais cômodos e mais egoístas”.
Todos Tolos
Calma aí! Não é preciso irmos até as pessoas de 90 anos! O buraco é muito mais em baixo e jovem. Pessoas com mais de 50 anos, sobreviventes do mundo analógico também têm muita dificuldade. Você precisa resolver um problema bancário, telefônico, técnico, etc. e para isso, “basta teclar” um, dois, três e o resto.
Sempre moderna e atual, Izabelli Vieira. Foto: Edy Fernandes
Tolos Perdidos
Mas quase sempre, o teu problema não está listado entre os mais frequentes e, para solucioná-lo, só um ser humano, com toda a paciência do mundo. E o que dizer de viajar, resolvendo tudo virtualmente, inclusive no aeroporto, onde devemos fazer quase tudo sozinhos?
Todos Perdidos
A burocracia de funcionários lentos e preguiçosos foi substituída por códigos e, geralmente, expressões extremamente técnicas ou em inglês que para muita gente é grego, chinês. A qual bispo reclamar? Comprar uma passagem, reservar um quarto de hotel podem parecer atividades muito simples, mas um simples erro é fatal e enorme prejuízo.
Todos e Nada
Daí ser perfeitamente compreensível questionar sobre chegar à segunda ou terceira idade em um mundo que exige a alfabetização digital para acessar serviços básicos, bancos e até direitos sociais que, muitas vezes, geram sentimentos de exclusão, ansiedade e perda de autonomia. Essa imposição, exclusão digital, tem sido alvo de debates profundos.
Antenada e esbanjando futuro, Mariana Stambassi. Foto: Edy Fernandes
Lança-Perfume
*Entre os principais pontos estão ícones confusos e a complexidade de senhas.
Atualizações constantes que criam uma barreira que ignora as limitações físicas e cognitivas naturais do envelhecimento.
Obrigar um idoso a depender de terceiros, para realizar tarefas simples, como pagar uma conta, fere a sua independência e dignidade.
Quando o atendimento presencial é extinto em favor de aplicativos, muitos idosos simplesmente ficam a ver navios.
Deixam de consumir serviços ou participar de atividades sociais por não conseguirem navegar no ambiente virtual.
Já pensaram, por exemplo, que existem pessoas que não sabem usar um simples WhatsApp, fazer um banal PIX ou registrar um número de telefone?
A legislação e os órgãos de defesa do consumidor têm debatido a necessidade de "design inclusivo" e o direito ao atendimento analógico.
Não adaptaram bulas de remédio e informações em embalagens, tornando-as mais visíveis e compreensíveis?
Empresas e governos deveriam ser obrigados a oferecer alternativas!
Quais? Atendimento telefônico ou presencial assistido para quem não tem ou não sabe usar um smartphone, garantindo que ninguém seja privado de serviços essenciais: respeito, dignidade.










