Sábado, 25 de abril de 2026
Felizes os amigos de Anaíne Pitchon. Foto: Edy Fernandes
Triste óbvio
Lido em “O Antagonista” e em outra fonte. Com variações sobre o mesmo tema, peguemos o rumo de hoje: “Solidão já é problema de saúde entre idosos. Pesquisa de Harvard mostra que até contatos casuais protegem a saúde na velhice, e que cultivar relações sociais é garantia de felicidade e saúde na velhice”.
Óbvio ululante
O “Harvard Study of Adult Development”, que acompanha participantes desde 1938, revelou que a satisfação nas relações aos 50 anos pode determinar o estado de saúde aos 80. Até interações casuais com conhecidos geram bons impactos no bem-estar e combatem o “sentimento de vazio ou desconexão”.
Óbvio e esperado
A solidão, para a Organização Mundial da Saúde, é um problema de saúde pública, aumentando os riscos de depressão, ansiedade, hipertensão e Alzheimer. E mais! Transformações urbanas aprofundam o isolamento. Entre 2005 e 2015, o número de pessoas vivendo sozinhas cresceu 39%, conforme o IBGE.
Esperado e indesejado
“A urbanização quebrou laços comunitários tradicionais. Hoje, vivemos em apartamentos, muitas vezes sem conhecer os vizinhos. A globalização e a mobilidade também nos afastam de amigos e familiares”. Idosos enfrentam obstáculos: morte de parceiros e amigos, além de mobilidade reduzida. Jovens lidam com pressões sociais e ilusão de conexão mediada por curtidas e comentários.
Indesejado e evitável
As redes sociais estão cheias de gente vazia, a tecnologia “conecta, mas também isola”, afetando distintas faixas etárias, embora o impacto mais grave recaia na população acima de 60 anos. Daí a importância do segundo texto de hoje, sem assinatura a partir de agora: “há um momento curioso na vida em que a gente descobre que os amigos passam a ser quase um remédio”.
A vida é mais feliz com Bella Falconi. Foto: Edy Fernandes
Evitável e recomendável
“Não vêm em comprimidos, não têm bula, não exigem receita médica mas fazem um bem danado. Na juventude, o convívio social acontece quase por gravidade. Escola, trabalho, filhos pequenos, encontros improvisados. A vida empurra as pessoas umas para as outras. Já com o passar dos anos, especialmente na chamada melhor idade, é preciso fazer um pequeno esforço consciente para manter esse círculo vivo”.
Recomendável e desejável
“E vale cada minuto investido nisso. Um jantar entre amigos raramente é apenas um jantar. É um laboratório de memórias e risadas. Alguém lembra de uma história antiga, outro exagera um pouco nos detalhes como sempre acontece e de repente todos estão rindo como se tivessem 20 anos novamente. O prato esfria, a conversa esquenta e a noite fica curta”.
Desejável e saudável
“As festas em grupo também têm esse poder quase terapêutico. O que se compartilha ali não é apenas comida ou música, mas um pedaço da vida. Cada um chega com suas histórias, suas pequenas vitórias, suas preocupações. E curiosamente, quando tudo isso se mistura, a carga parece ficar mais leve”.
Saudável e louvável
“Uma caminhada em grupo, uma pedalada, um jogo de tênis, alguma atividade física. O corpo se movimenta e a mente se mantém desperta, curiosa, ativa. Conversa-se antes, durante e depois. O exercício acaba sendo apenas o pretexto para o verdadeiro objetivo: estar junto”. Como confrarias de gastronomia ou de vinho, outro tipo de ginástica.
A vida é mais bela com Débora Magro. Foto: Edy Fernandes
Lança-Perfume
*“O convívio social mantém a cognição viva, melhora o humor e protege contra a solidão que se instala com os anos”.
“Mas há algo mais simples e mais bonito: a sensação de pertencer”.
“Envelhecer bem não é apenas acumular anos. É continuar acumulando encontros. E um dos grandes segredos da longevidade está nisso”.
“Manter a agenda com alguns compromissos que não aparecem em exames de laboratório, mas que fazem um enorme bem à alma”.
“Um jantar marcado, um passeio combinado, um grupo de amigos esperando”.
“Afinal, a vida pode até ser individual no nascimento e na despedida, mas no intervalo entre os dois momentos ela foi feita para ser compartilhada”.








