Sábado, 15 de agosto de 2026


Um lindo cartão-postal de BH, Amanda Monteiro. Foto: Edy Fernandes

A arte de viver

A pessoa, quando pode, veste-se bem e cuida da aparência, a começar pelos dentes, etc. Importante para a autoestima, as relações pessoais e profissionais. Outras, pelos mesmos motivos, procuram ser cultas, bem informadas; viajando, lendo, interagindo com seus iguais ou até sozinhas. Quando conseguem juntar tudo é uma maravilha. As aparências enganam, mas as transparências não.

A arte de morar

Outro exemplo. Sempre se a pessoa pode e tem bom gosto, ao construir uma casa, contrata um arquiteto e capricha nos jardins, na entrada; tanto no exterior quanto no interior da mesma casa. Uma casa bonita, calçadas e muitas árvores fazem uma rua bonita. Várias ruas bonitas fazem uma cidade linda. Uma cidade linda atrai moradores, turistas, investimentos, etc.

Morar e cuidar

Assim, passemos a mais um ótimo texto do jornalista, editor e presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados - Ajoia Brasil, presidente do Conselho Superior da Associação Brasileira dos Jornalistas Especializados em Turismo - Abrajet/MG, José Aparecido Ribeiro: “Há algum tempo me pergunto se estou mais exigente com a idade ou se, de fato, BH está se tornando uma cidade cada vez menos cuidadosa consigo mesma”.

Cuidar e amar

“Ao percorrer a Avenida Cristiano Machado, porta de entrada da capital para quem chega pelo aeroporto internacional, tive a certeza de que o problema não está no meu olhar. Está na cidade. A avenida Cristiano Machado deveria ser um cartão de visitas. É por ela que milhares de turistas, empresários, investidores e visitantes têm o primeiro contato com BH”.

Amar e brilhar

“Mas, a impressão que recebem está muito distante da cidade acolhedora e bonita que gostamos de exaltar e que o estadista e ex-prefeito Juscelino Kubitschek de Oliveira, cultivou. O que se vê ao longo da avenida é um retrato do abandono estético. Mato crescendo nos canteiros centrais, como se o paisagismo tivesse sido definitivamente esquecido ou não tivesse qualquer importância”.

Brilhar e atrair

Passarelas horrendas, viadutos tenebrosos, “grades de proteção das pistas centrais do MOVE quebradas e denunciando o descaso do poder público, formando uma ‘boca banguela’. Pichações por toda parte, sinalização deficiente, remendos no asfalto parecendo uma colcha de retalhos, obras inacabadas e uma completa poluição em vez de harmonia visual”.


Uma linda vista de BH, Denise Maldonado. Foto: Edy Fernandes

Atrair e realizar

“Mesmo o traçado das faixas de rolamento parece improvisado. Em alguns trechos elas alargam, em outros afunilam sem qualquer padrão, dando a impressão de uma obra feita às pressas e sem compromisso com a qualidade. A sensação é de que cada intervenção foi realizada isoladamente, sem planejamento urbano e qualquer preocupação estética. Em determinados pontos, a avenida mais parece um cenário de Bedrock, a cidade dos Flintstones”. 

Realizar e crescer

“O problema vai além da conservação. Falta visão de cidade; compreender que o espaço urbano também comunica. Uma cidade limpa, organizada e visualmente agradável transmite eficiência, respeito pelo cidadão e autoestima coletiva. Uma cidade descuidada transmite o contrário. Não se trata de luxo nem de vaidade”.

Crescer e aparecer

“É gestão pública. Manutenção, paisagismo, limpeza, padronização visual e preservação dos espaços públicos são responsabilidades básicas de qualquer administração que pretenda oferecer qualidade de vida e fortalecer a imagem da cidade. BH possui história admirável, arquitetura rica, excelentes áreas verdes e um povo reconhecido pela hospitalidade”.

Aparecer e ser

“Mas nada disso vale quando o poder público demonstra tão pouco compromisso com a aparência da cidade. A primeira impressão continua sendo determinante. E ela hoje é a pior que já existiu. A pergunta é simples: será que os gestores percorrem a Cristiano Machado com os mesmos olhos de quem chega pela primeira vez à capital? Conseguem perceber a degradação que se tornou a paisagem? Ou já naturalizamos a feiura a ponto de deixarmos de enxergá-la?”.


Um lindo cartão de visitas de BH, Isabela Maciel. Foto: Edy Fernandes

Lança Perfume

*“Sinceramente, não acredito que seja apenas coisa da minha cabeça. BH está perdendo, pouco a pouco, a capacidade de encantar”.

“E isso talvez seja um dos sinais mais preocupantes de uma cidade que deixou de cuidar da própria identidade”.

“Desafio aos gestores públicos: que percorram a Cristiano Machado sem olhar o Whatsapp, de janelas abertas para a paisagem urbana”.

Talvez seja esse o exercício que falta para perceber que cuidar da estética urbana também é cuidar das pessoas”.

“É ter compromisso com a qualidade de vida e com o futuro da cidade”.

“Fica o convite ao prefeito Álvaro Damião, ao presidente da Câmara Municipal e aos responsáveis pelo planejamento e embelezamento da cidade”.