Sábado, 12 de setembro de 2026
A alegria de viver, em Estela Neto. Foto: Edy Fernandes
Vida alegre
Comecemos pelo francês. Joie de vivre é uma expressão usada em outras línguas para expressar um contentamento com a vida e felicidade geral. O termo geralmente é usado em sua forma francesa comum, porém é possível observar traduções como “alegria de viver”. O uso casual do termo remonta no mínimo ao final do século 17.
Vida viva
A frase se popularizou como filosofia de vida. Sua ênfase em entusiasmo, energia e espontaneidade foi um dos pilares do nascimento da cultura hippie. O conceito de Joie de vivre foi ligado ao conceito psicológico de brincadeiras como forma de acessar o verdadeiro self. Ou seja, usado na psicanálise, para descrever um sentimento próprio baseado na experiência espontânea autêntica e na sensação de estar vivo.
Vida doce
Passemos ao italiano que batiza esta coluna. La dolce vita significa “a doce vida” ou “a vida boa”. Uma filosofia de vida que valoriza o prazer, a calma e a apreciação dos momentos simples do cotidiano. É a valorização dos pequenos prazeres, como tomar um café com calma ou apreciar a paisagem; dar prioridade ao tempo passado com a família e os amigos.
Vida boa
Ou ainda, simplesmente desacelerar, valorizar a qualidade das experiências em vez do excesso ou da ostentação de luxo. Ou ainda, para continuar no italiano, o dolce far niente, “a doçura de fazer nada”; o descanso sem culpa. Não é preguiça, mas uma forma de apreciar o presente, o prazer em desacelerar o ritmo da vida. Viver a vida, sem culpa ou preocupação.
O prazer de viver, com Silvia Barroso. Foto: Edy Fernandes
Vida plena
Agora, podemos chegar ao inglês, mais especificamente no conceito Joyspan, da gerontóloga norte-americana, Kerry Burnight, que define o tempo de vida vivido com alegria, propósito e bem-estar. Vai além do lifespan (quantidade de anos vividos) e do healthspan (anos vividos com saúde física). É a qualidade e o prazer do pulso ainda pulsar na segunda metade da vida.
Vida breve
É mostrar que uma vida longa não tem sentido se a pessoa não gostar de vivenciá-la, de bebê-la como água gelada no Saara. O termo dá nome ao livro Joyspan: The Art and Science of Thriving in Life’s Second Half, no Brasil, com o título “Joyspan – Longevidade Plena”. Seus quatro pilares que cultivam a alegria no envelhecimento são, primeiro, crescer: continuar a desenvolver novos interesses e a aprender.
Vida longa
Conectar-se: investir tempo em relações humanas; sejam elas antigas ou novas. Adaptar-se: manter a flexibilidade emocional diante dos desafios e perdas. Doar-se: compartilhar aprendizados para enriquecer a vida de outras pessoas. Em texto de 2025, Mariana Suzuki escreveu: “Mais do que viver muitos anos, é experienciar a vida bem, nutrindo alegria, conexão e propósito em todas as fases da jornada”.
Vida real
Resumindo: vivemos mais hoje. Antes, a expectativa de vida ficava perto dos 50 anos. Agora, chegar aos 80 ou 90 deixou de ser raro. Mas viver muitos anos não basta. O que realmente importa é construir uma longevidade saudável, em que gostamos da vida que vivemos. É daí que vem o conceito de joyspan, a ideia de prolongar não só a duração da vida, mas também o tempo de alegria e bem-estar.
A beleza de viver, em Silvia Carvalho. Foto: Edy Fernandes
Lança Perfume
*Para a psicanalista e escritora Sylvia Loeb, um dos maiores desafios para gostar da vida, especialmente na maturidade, é lidar com as ausências que a existência inevitavelmente impõe.
A perda da agilidade, de projetos, de entes queridos e de certezas.
“Não se trata de gostar da vida ‘apesar de tudo’, mas de aprender a gostar dela com o que há – com o corpo mais lento, com a solidão, com as transformações”.
A psicóloga, Aline Graffiette também ressalta a importância de entender que lidar com os limites naturais do envelhecimento faz parte do processo de estar vivo.
Embora o corpo passe por mudanças e haja perdas de vitalidade, como a capacidade física, o entendimento mais profundo da vida e das relações são ganhos.
“Apesar do Ocidente não valorizar tanto os idosos, no Oriente eles são reconhecidos como os grandes sábios da vida”, destaca.
Cultivar a alegria nessa fase da vida significa substituir a expectativa da euforia pela delicadeza do contentamento.
“Não é negar as dores, mas conseguir perceber a beleza no que ainda nos pertence”.
“Seja um café quente pela manhã, uma lembrança afetuosa ou uma conversa inesperada”, afirma Sylvia.
A atenção ao presente é outro caminho para encontrar sentido e prazer no cotidiano, mesmo diante das limitações físicas e emocionais.
“Pequenas rotinas como regar uma planta, caminhar devagar, cozinhar para alguém, escrever um bilhete e ouvir uma música inteira ajudam muito a não se isolar.
Vale procurar o texto na íntegra! Ótimo sábado e vida a todos! Mesmo morando, mesmo sobrevivendo neste Brasil.








