Sábado, 11 de abril de 2026


No capítulo Beatriz Gomes, "para sempre é sempre por um triz". Foto: Edy Fernandes

Velho, e daí?

Essa é para quem reclama da velhice, lembrando que “a outra opção” é bem pior. Ou não? Recebemos o texto, em espanhol, do amigo uruguaio, Fernando Areco Motta, fã do autor, o espanhol Arturo Pérez-Reverte. O título já é ótimo: “Sim, sou velho… E daí?”. A continuação é ainda “mejor”, ao concluir: “Morrer é inevitável, mas viver como um imbecil é opcional. Envelhecer bem é uma arte.”.

Velho e Bom

“Muitas vezes você vai ao médico em busca de soluções e, sem perceber, passa por livrarias que, na sua idade, são mais úteis do que farmácias. Ler os filósofos estoicos antigos é um dos melhores analgésicos. Como as aspirinas, não eliminam as causas da dor, mas ajudam a suportá-la. Os estoicos não prometem felicidade”.

Velho e Melhor

“O que Epíteto, Sêneca, Marco Aurélio oferecem é melhor: conselhos para não viver e morrer como um imbecil. Eles olham nos seus olhos e dizem: ‘Não se estresse com o que não depende de você, otário, e pare de choramingar’. Lê-los quando você já vê o perigo se aproximando, é folhear um manual de instruções que se esqueceram de te dar aos vinte”.


Para Danielle Teixeira, marrom é a cor mais azul. Foto: Edy Fernandes

Velho e Jovem

“Explicam que há coisas que você controla e coisas que não, que envelhecer com dignidade é aceitar que os jovens usem palavras incompreensíveis para você, que a música irrite suas trompas de Eustáquio e que ninguém tem obrigação de lhe ceder o assento no metrô. Que é preciso exercer a indiferença seletiva, não a do desleixo idiota, mas a do atirador que escolhe bem em que atirar.”.

Velho e Forte

“Os estoicos não vendiam otimismo. Eram cruéis, duros e sabiam que a vida não melhora por reclamar dela e que o tempo é um açougueiro eficiente. E que tudo é fugaz: a saúde, o prestígio, a beleza e até o cabelo. Perder coisas não é uma tragédia pessoal, mas uma norma universal. E quando todo mundo perde mais cedo ou mais tarde, já não há humilhação possível. São as regras”.

Velho e Sábio

“O estoicismo é uma vacina contra o patetismo tardio: esse impulso perigoso que empurra você a fingir que tem vinte anos a menos, a falar como adolescente ou a disparar certezas com uma segurança de quem já deveria saber que, quanto mais anos você faz, mais certezas vão para o inferno e só existe a consciência da imbecilidade universal”.


Com Joice Cunha, viver é não ter vergonha de ser feliz. Foto: Edy Fernandes

Lança-Perfume

*“A idade é uma cicatriz honrosa: os estoicos treinam para suportar incômodos como o frio, calor, desconforto, dores naturais, com uma firmeza insolente”.

“Porque reclamar não melhora sua vida, incomoda os outros e ainda apodrece a alma”.

“O humor estoico é seco, não é gargalhada, mas um meio sorriso. É saber que o corpo falha, que a memória trai e que levantar do sofá exige planejamento”.

“O estoico não é uma sirene de ambulância. Como dizia o ator Antonio Gamero: ‘Eu nunca conto meus problemas aos amigos. Que a PQP os divirta’”.

“Para ele o silêncio é uma forma superior de inteligência e de elegância”.

“Não porque você não tenha razão, mas porque não tem vontade de explicá-la três vezes”.

“Envelhecer com dignidade implica manter a boca fechada e, quando a abre, que se f...”.

“O estoico sabe que não pode educar o mundo e que discutir com tolos é perda de tempo. Assim, como o que pensa ou guarda silêncio, conforme a situação. Depois se levanta e vai embora”.

“E, no final, naturalmente, aguarda a morte, que não falta a nenhum encontro: a última parceira de dança que incomoda a todos, exceto aqueles que aprenderam a tratá-la como companheira de viagem”.

“Os estoicos não desejam morrer, mas também não dramatizam. Consideram-na parte do contrato temporário que chamamos de vida”.

“E aí o estoicismo volta ao seu papel lucidamente analgésico, porque lhe lembra que cada dia bem jogado é uma vitória, embora o placar final seja a derrota”.

“Morrer é inevitável, mas viver como um imbecil é opcional”.

“Na vida você pode ganhar ou perder, mas no final sempre perde. E não há, na história da humanidade, heróis mais admiráveis do que aqueles que souberam perder com estilo”.