Quinta, 28 de março de 2024


O diretor, Antony Diniz, que também assina os figurinos da Via Sacra da Liberdade. Foto: Márcio Rodrigues

Amanhã da Paixão

O Centro Artístico São João Batista - Cenarc volta a atuar na Semana Santa de Belo Horizonte, após dez anos fora do calendário, encenando os 14 passos da Paixão de Cristo nos principais pontos do Circuito da Liberdade. A ação começa no prédio do IEPHA e termina com a procissão do enterro, na Igreja da Boa Viagem, envolvendo 60 atores profissionais e amadores.

Via da Paixão

Mais um gol de placa, depois do “profano e lindo Carnaval da Liberdade”. O Cenarc-BH, Governo de Minas, via Secretaria de Cultura e Turismo - Secult-MG; Fundação Clóvis Salgado, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico - Iepha, Arquiodiocese de Belo Horizonte e Fundação de Arte de Ouro Preto - FAOP, apresentam o espetáculo “Via Sacra da Liberdade, Festas e Ritos da Fé Mineira – Minas Santa”.

Sacra Paixão

Claro, amanhã, a partir de 18h30, Sexta-feira da Paixão, em celebração a Semana Santa de Belo Horizonte. A encenação retrata a Via Crucis de Jesus Cristo e seus últimos passos na terra. Artes visuais, teatro, “moda”, música, patrimônio histórico imaterial estarão no bojo do evento, que tem o objetivo de resgatar as tradições e a identidade cultural de Minas Gerais.

Paixão e memória

E mais: resgatar a memória afetiva da população em torno das celebrações populares religiosas e o sentimento de pertencimento. Além de promover o turismo religioso em Belo Horizonte, a exemplo de cidades que são conhecidas e visitadas nessa época, como Ouro Preto, Mariana, Congonhas do Campo e São João Del Rei.

Paixão e tradição

Os 14 quadros da Paixão de Cristo, que marcam os últimos momentos de agonia e sofrimento do filho de Deus, se iniciam com a representação cênica do julgamento, condenação, açoitamento de Jesus e acontecerão em frente ao prédio do Iepha. Na alameda central da Praça da Liberdade, os encontros de Cristo com Maria, as mulheres de Jerusalém, Verônica e Simão de Cirene.

Paixão e morte

Diante do Palácio da Liberdade, o público assistirá às cenas do caminho do Calvário, crucificação, morte e sermão do descendimento. Nos dois últimos roteiros, os quadros serão comentados por representantes da igreja católica. Em seguida, enfatizamos, a procissão do enterro percorrerá a avenida João Pinheiro e rua Aimorés, chegando à igreja da Boa Viagem.

Paixão e vida

O projeto conta também com a parceria do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de Minas Gerais - Sated-MG. Já os figurinos são do estilista Antonio “Antony” Diniz, diretor do Cenarc – BH e diretor geral do projeto. A responsável pela direção artística é Magdalena Rodrigues. Apresentação pública e gratuita. Mais um espetáculo fascinante e emocionante de fé e devoção; mais um cartão postal e claro, mais uma atração para turistas do interior e de todo o Brasil.


Ecos do inesquecível leilão Mangalarga Marchador, na fazendo Agéo, em Paraopeba, com o casal Camila Chiara e Paulo Henrique Pentagna Guimarães. Foto: Edy Fernandes


No mesmo memorável evento, Emir Cadar Filho e Júlia Nogueira. Foto: Edy Fernandes

Curtas & Finas

Uma das suas contrapartidas é a realização de oficinas de capacitação.

Oficinas que criarão oportunidades técnicas e intelectuais para a formação de profissionais do setor das artes cênicas.

O que certamente fomenta a realização de espetáculos de qualidade para as comunidades – inclusive do interior - e para o grande público.

Segundo Diniz, “o evento é de extrema importância para valorizar as manifestações de culturas populares e religiosas”.

“Minas tem 60% do barroco nacional e elas estão entranhadas na alma do povo mineiro. Além do mais, o retorno do Cenarc ao cenário artístico é também uma comemoração para nós”.

O texto de a Via Sacra da Liberdade é uma versão adaptada de “A Luz da Paixão”, espetáculo apresentado pelo Cenarc, há cerca de 35 anos, em ruas e praças de Belo Horizonte.

A história do Centro Artístico São João Batista começa no bairro Salgado Filho com um grupo apreciador de cultura e arte.

O interesse de Dom Serafim, ex-bispo de Belo Horizonte, pelo trabalho fez com que a encenação fizesse parte da programação da Arquidiocese Metropolitana.

Em 1996, a convite da Belotur, ela saiu do Salgado Filho para ser exibida na praça da Estação de Belo Horizonte, onde chegou a ser assistida, a cada edição, por 20 mil pessoas.

E assim, podendo ser considerado o segundo maior evento do Brasil, perdendo apenas para Nova Jerusalém, em Pernambuco.

Após oito anos, o espetáculo foi para o estacionamento do Minas Shopping, onde ficou por mais dez anos, voltando à Praça da Estação, já totalmente restaurada.

Com o encerramento da parceria e patrocínios municipais, o espetáculo deixou de ser apresentado. Agora, mais de dez anos depois, retorna com apoio do governo do estado.