Paulo Navarro | terça-feira, 22 de janeiro de 2019

As empresárias do Vila da Serra Laura Quintella, Mariana Gomes e Júnia Carvalho, em almoço de negócios

Foto: Paulo Navarro

Mato e floresta

O excelente colunista da revista “Veja” J.R. Guzzo não pode, naturalmente, ser excelente sempre. A prova é um texto de 2017 que volta a circular, na internet, com o título “Em defesa da agricultura: vamos comer o quê?”. Com o perigo natural de resumos, vamos lá! Guzzo começa duvidando da veracidade da delicada questão ambiental mundo afora – especialmente no Brasil. Muitos lados no assunto.

Floresta e terra 

“Ficou decidido pela opinião pública internacional e nacional que o Brasil destrói cada vez mais as suas florestas; por culpa da agropecuária, é claro. Terra que gera riqueza, renda e imposto é o inferno. Terra que não produz nada é o paraíso. Fim de conversa”. Calma aí, Guzzo!

Terra e transe 

“Os fatos mostram o contrário”. Não são apenas “a soja e a saúva” que destroem nossa milenar Amazônia, como já fizeram com a Mata Atlântica. O desmatamento mais cruel acontece também pela madeira; motosserras que jogam no chão, em cinco minutos, árvores que levaram 100 anos para crescer. Madeireiras clandestinas, caminhões lotados de madeira provam.

Terra e pão 

Segundo erro de Guzzo: “As matas preservadas no Brasil são mais que o dobro da média mundial. Nenhum país tem tantas florestas quanto o Brasil”. E daí? Como Guzzo acha que o mundo perdeu suas florestas? Guzzo: “A agricultura ocupa apenas 10%, se tanto, do nosso território”.

Pão e brioche 

Guzzo acerta e erra em muitos pontos. Acerta quando diz que os Estados Unidos querem fazendas produtivas e ricas lá. O Brasil que continue atrasado, preservando florestas. Como sempre, harmonia e equilíbrio poderiam resolver tudo. O Brasil é gigantesco. Se tem tanta terra, se planta em apenas 10% de seu território, por que e para que então derrubar florestas para plantar? Por que o Brasil não ocupa, não usa suas enormes áreas abandonadas e latifúndios improdutivos? Podemos ter as duas coisas.

Curtas & Finas

* Pena não termos espaço para discutir ponto por ponto do texto de Guzzo. Mesmo assim, o pouco provoca muitas outras reflexões. A história não oficial do Brasil prova que os índios sempre devastaram as matas.

Claro, não precisavam preservar “o que era infinito”. Eles cortavam a floresta, usavam a terra e, uma vez esgotada, iam para outro lugar.

O Brasil do século 21 ainda faz muito pior porque sabe as consequências. Deveria recuperar o Nordeste e o Norte de Minas, antes de derrubar florestas.

Como, por outro lado, Belo Horizonte e outras cidades que, em vez de preservar seu centro histórico e outros bairros, inventa Buritis e Belvederes.

Para voltar e terminar com Guzzo: “Fundões como o Brasil não têm direito a criar progresso na terra. Devem limitar-se a ter florestas, não disputar mercados e não perturbar...”.

“E os brasileiros, vão comer o quê? Talvez estejam nos aconselhando, como Maria Antonieta na lenda dos brioches: ‘Comam açaí’”.