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Paulo Navarro - Season - Primavera Outubro de 2011
Barbara Dutra
De olho no Rio de Janeiro, a empresária Valéria Calonge, em sua Villa Vittini, no bairro de Lourdes, loja de artigos de luxo que
reúne sapatos e acessórios femininos, masculinos e para casa
* No próximo ano, Valéria Calonge abre a quarta loja Villa Vittini. Será no Shopping Village (Multiplan), na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; com um mix selecionadíssimo de grifes. “É uma honra”, diz a empresária, há 13 anos no comandando da multimarcas. A trajetória foi longa: Valéria começou a trabalhar aos 17 anos, com a mãe, Nilza, na Adriana Calçados – loja que foi referência em Belo Horizonte, trazendo marcas diferenciadas e importadas. “A mineira é muito exigente, antenada, gosta de se vestir bem, como a paulista.”
* Aliás, Valéria, “católica de carteirinha”, adora casa e família – “a base de tudo” –, participando até de seus negócios. Praia é outra paixão, agora “exercida” na nova vivenda, em Búzios. “A energia do sol me deixa melhor. É uma terapia.” Também viaja muito a trabalho, pesquisando. Para a Itália, vai duas vezes ao ano visitar a feira Micam, em Milão. Antes de embarcar, em meados de setembro, falou à coluna: “Sapato é o primeiro fetiche da mulher, independentemente da classe social.”
Barbara Dutra
Segurando a alegria e a juventude, o “chiquérrimo” Flávio Almeida e a “enxutérrima” Mônica Gonçalves, à frente da
Trousseau, em Belo Horizonte
* Muitas “lobas” que sumiram no inverno, para a temporada de plásticas, voltam agora aos flashes do high society. Para se ter uma ideia, a Silimed, maior fabricante de próteses de silicone da América Latina, vendeu mais de cinco mil implantes personalizados, em junho e julho; 40% a mais que nos dois meses anteriores. Atualmente, para agendar uma consulta ou operação com os bambambãs de Belo Horizonte, espera-se cerca de um ano e meio. Entre os mais requisitados: Teófilo Taranto, “fera” do implante de silicone; Sebastião Nelson, lipoaspiração/abdome; Ticiano Cló, silicone; e João Gontijo, face.
* Se aqui as intervenções cirúrgicas com os medalhões giram entre R$ 15 e 20 mil, no Rio de Janeiro e em São Paulo saem pelo dobro. No Rio, os mais procurados são Carlos Fernando Gomes de Almeida e Paulo Müller. Já os Pedros – Albuquerque e Vidal – são os mais cotados na capital paulista.
* Com métodos menos invasivos, os dermatologistas também são disputadíssimos antes da primavera. Em suas clínicas no Rio, Walter Guerra Peixe – que transformou em porcelana a pele de celebridades como Deborah Evelyn – tem atraído as mineiras com seu tratamento de laser facial de última geração, por R$ 10 a 12 mil. Combinado a peelings e medicação manipulada, o resultado parece o de uma cirurgia. Não à toa, “As mulheres estão envelhecendo melhor que os homens de sua geração”, observa Mônica “Trousseau” Gonçalves, com tudo em cima.
Barbara Dutra
Mulheres que fazem e acontecem: Juliana “Água Fresca” Moraes, presidente do Conselho da Mulher Empreendedora da
ACMinas, emoldurada por Maria Lúcia Renault, superintendente do Pátio Savassi, e Rejane Duarte, gerente de marketing do
mall
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Edson Teixeira
O chef Alex Atala aposta: “Cozinhas como a mineira, a baiana e a amazônica
representam muito, hoje, para o Brasil. E em breve, para o mundo. Temos muita
história pra contar”
Atala: emoção e regionalidade
Umas das estrelas do 14º Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes, em agosto, o chef Alex Atala – no comando do restaurante D.O.M, em São Paulo, considerado o sétimo melhor do mundo – foi aplaudido, fotografado e tietado; mal conseguia andar pelas ruas. Em papo com a coluna, depois de seu festim, Atala, muito simpático, parecia ainda não ter se acostumado com o papel de celebridade. “É muito bom ter nosso trabalho reconhecido. Hoje o cozinheiro pode sair da cozinha, né? Mas a verdade é que lá continua sendo o nosso lugar. A gente adora a cozinha.”
Por seu mérito e todo o reconhecimento do público e da crítica, perguntamos se Atala sente que puxou a “locomotiva” para uma nova página da cultura brasileira. Modesto, responde, meio sem jeito: “Estou no olho do furacão. Acho que sou o último que pode falar.” E cai na gargalhada, para o suspiro das mulheres presentes. “É delicioso, me emociona muito! Eu não tenho a dimensão do que está acontecendo agora. O que vejo são jovens profissionais de cozinha que realmente estão sendo reconhecidos e eu fico feliz em ser um deles.”
Pioneiro na valorização da cozinha regional brasileira, o internacional Atala destaca sua paixão pela Região Amazônica. “O bioma Amazônia compreende cerca de 40% do Brasil. Então, é natural que metade do meu trabalho seja dedicada à Amazônia.” O chef também enfatiza o valor e a influência de suas memórias, desde a infância. “Nunca esqueci a fruta do serrado, da época em que meu pai teve fazenda no Sul de Goiás, divisa com Minas Gerais.” O que Atala procura é carregar um pouco desta experiência de vida, mas com a técnica que assimilou nos anos de cozinha. “Trabalho com emoção e regionalidade. Tento mostrar que a cozinha brasileira é um sonho possível, viável e bacana, cada dia recebendo mais reconhecimento do exterior.”
A regionalização passa pelas raízes, pela simplicidade? “Eu não diria simplicidade. A cozinha italiana sempre se valeu do ser italiano. A francesa, do francês. Ou seja, pelas raízes. Acho que o Brasil precisa disso. Por sermos um país gigantesco, é natural que as nossas cozinhas regionais tenham dimensões de cozinhas internacionais.”
Isto muda o cenário do país do carnaval, do futebol e abre um leque para um novo nível da cultura? “Usar um ingrediente brasileiro, por exemplo, não valoriza só a cultura, pode ser um beneficio sócio-ambiental: gera riquezas, a fixação do ‘caboclo’, orgulho, patriotismo, além da preservação da natureza no entorno. Falo não só da proteção dos mares, dos rios, das florestas, mas também do povo que mora ali. Usar um ingrediente brasileiro pode ser uma fonte econômica e sustentável para o povo que vive neste país incrível e que merece ser visto na totalidade.”
O homem é mesmo o que come? “Sem dúvida, principalmente porque ter orgulho da sua origem, da sua cultura, é a grande força. Minas Gerais é grande porque é mineira antes de ser brasileira e busca nas raízes o seu orgulho maior, que não se estende só à culinária, mas à decoração, ao ambiente e à comunhão, como vemos aqui em Tiradentes, entre chefs e pessoas que vieram do Brasil inteiro para comer e conviver as belezas e as delícias de se estar em volta de uma mesa”, finaliza Atala.
Ah! Após os festins, com seus colegas, Atala “esticava” para a Casa da Insanidade Mental, na rua principal de Tiradentes. Em meio à bebida e ao “tricô”, deixou escapar sua intenção de abrir um restaurante-conceito em Inhotim, debaixo da terra, nas raízes de uma gigantesca árvore; rimando com as “loucuras” das galerias e exposições. O projeto inédito está sendo costurado com Bernardo Paz, à frente do centro de arte contemporânea.
Paulo Navarro e Sabrina dos Santos