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Walter Navarro
02/06/2011 - Um fado tropical com muito pru e quaijos
Walter Navarro
E de repente, tchau Portugal e maio. Já estou em Madri, até 3 de junho. Dia 5 ou 6: Paris, finalmente e quase fim de viagem. Mas, vamos às novidades. Lisboa é do caralho! Caralho e punheta são outras coisas em Portugal, mas, no Brasil é caralho mesmo, sorry. Cidade bonita, gentes legais. Quatro dias de ótimas lembranças.
Assim como a latina Miami não é Estados Unidos; Lisboa, pelo menos para brasileiros, não é Europa, como na piada do Juca Chaves: desci em Portugal, depois fui pra Europa...
A língua, mesmo “torta”, é a mesma e a arquitetura portuguesa é mãe escarrada de Ouro Preto, Salvador, Rio de Janeiro e outras bastardas históricas.
Na TV, só entendi que “quaijos” eram queijos por causa das imagens. Aluguel é “aluguer”. Num restaurante, descobri que “pru” era peru com o auxílio de uma funcionária brasileira. Aliás, o que tem de brasileiro trabalhando em restaurantes e hotéis de Lisboa não é batatinha não.
Pra completar e complicar minhas férias; escrevo num teclado americano sem nossos acentos e letras...
O hotel onde fiquei, com minha personal Andréa, é bacana, mas, não devo contar tudo o que fizemos nele. Até dormir! E assim se foram dois cafés da manhã, culpa do governo e do fuso-horário de quatro horas.
Estou em Madri, mas cometi esta crônica em Lisboa. Também foi complicado escrever ao lado de deliciosas mulheres usando tudo que é tipo de vibrador no canal SIC Radical da TV portuguesa. Quase fui pra cama, mas o dever me chamava. No primeiro dia em Madri; tivemos coisas mais interessantes a fazer.
Mas, voltemos a Lisboa! É como eu imaginava, mas, ao vivo são outros 511 anos. Fica ainda mais interessante com os vinhos nacionais bem baratos. Mais que as ótimas cervejas Super Bock, Sagres e Imperial. Depois de uns litros, dá vontade de pegar uma caravela e sair por aí descobrindo novos mundos mundo afora.
À noite, o Bairro Alto não é para amadores. Em outros pontos turísticos também. Só em Amsterdam vi oferecerem tanta droga como em Lisboa. A diferença é que na Holanda é liberado.
Feliz por escapar, três semanas, da nojenta política brasileira; caímos em plena campanha eleitoral portuguesa, com as mesmas mentiras e papo furado. Um candidato mais canalha que o outro.
No mais, Lisboa e ótima pra quem está ou precisa beliscar azulejo!
Andréa, minha namorada particular, é perfeita companhia pra tudo. Só não vou falar mais nela e dela porque não gosta de seu nome em bocas de Matilde. Se ela conseguir me aturar mais duas semanas e não me jogar no rio Sena, a viagem vai terminar melhor do que começou.
Hora de falar um pouco mal do Brasil. Tadinho do nosso barroco! Pobres cidades históricas; presépios de pobre e de plástico perto de Lisboa e Madri.
Já viram aquele filme do Win Wenders, “Sob o Céu de Lisboa”, ou coisa parecida? Pois é, Lisboa é cidade para se conhecer a pé, como todas capitais da Europa.
Não estou a conseguir contar nada de novo ou muito especial. Aconteceu nada de extraordinário, mas, é bom ver tudo que não temos aí, aqui. Por exemplo, respeito pelo patrimônio histórico – ainda que muitos monumentos estejam pichados – pelo que é antigo e cultural.
São apenas quatro linhas de metrô, mas, funcionam muito bem. Quero ver agora o imbecil dizer que não dá pra fazer metrô em Belo Horizonte. Lisboa é acidentada e cheia de tesouros na superfície, nada foi comprometido.
Aqui, ao contrário daí, o turismo é respeitado e fundamental fonte de renda.
O Museu nacional de Arte Antiga não é nenhum Louvre, pelo contrário, mas tem até Hieronimus Bosch para nosso deleite. A Fundação e Museu Calouste Gulbekian é um show de arte; o castelo de São Jorge, mesmo com camelôs e comércio vagabundo em seus domínios, é mágico. O Mosteiro dos Jerônimos tem uma igreja que, ou muito me engano, é mais bonita que Notre Dame de Paris.
O bacalhau e os “quaijos”? Nem é bom lembrar, de tão bons.
O que não gostei? Os horários de funcionamento de museus, igrejas e outros sítios. Fecham muito cedo pra turista que acorda tarde. Outra coisa; há uma forte fedentina de crise no ar e é difícil achar o que beber e comer fora de bares e restaurantes...
No mais, valeu muito conhecer a cidade, moraria em Lisboa, numa boa, ate conhecer Madri, nove vezes mais bonita e rica.
É uma pena que a profecia do Chico Buarque não tenha se realizado: O Brasil não cumpriu seu ideal, não se tornou um grande Portugal, continua apenas um enorme canavial. Buá buá....
Mas, as buscas continuam...
PS: E agora? Dúvida cruel: Ser Barcelona ou Londres?