Walter Navarro

Se hoje, mais uma caixa-preta no fundo do Atlântico não for notícia; quando estiverem lendo esta crônica de um amor louco – primeiro dos dois volumes de “Ereções, ejaculações e exibicionismos” – estarei em Lisboa. Vai ser bonita a festa, pá!
Fiz umas consultorias paloccianas, com “clausulas de sucesso” e assim, depois de 14 anos, volto à Europa.
Seguindo conselho de Fernando Sabino, levo minha mulher e meu whisky porque não confio em produto local. Muito menos em mulher com bigode sujo de azeite.
Como estou feliz!
Três semanas longe das picaretagens do PT não têm preço! Ter tem, mas, como dizem os franceses, não se pode ter a manteiga e o dinheiro da manteiga.
Provavelmente, ao voltar, dia 18 de junho, Dia do Químico, numa verdadeira alquimia, Palocci já deve ter comprado mais uns três apartamentos, quatro salas e cinco casas para reeditar as surubas que fazia em Brasília. Pensando bem, como é que um cara que tem língua “plesa” pode participar de orgia? Em bacanal que se preze a coisa mais solta é a língua!
Não conheço Lisboa. Deve ser uma gostosa. Grande amiga disse que vou me sentir dentro de enorme piada de português. A frase é boa, mas, piada, e de mau gosto, é o Brasil de Palocci e Pimenta Neves.
Não sei se, em quatro dias, conseguirei provar que somos assim porque recebemos a escória e as heranças mais malditas de Portugal. “Um país descoberto por acaso corre o risco de acabar do mesmo jeito”.
Gosto do Brasil, mas todo dia enjoa! Se acontecer o contrário; se eu reafirmar que este país é cronicamente inviável por culpa de Portugal e bater um pouco de patriotismo (o último refúgio dos canalhas); sairei mijando por toda Lisboa, mostrando a vingança da colônia sobre a metrópole. Aproveito e convoco uns angolanos e moçambicanos para aumentar o coro dos descontentes. Melhor não, vai que meu sabonete cai...
Espero mandar notícias e crônicas de lá. Será divertido tentar entender o português no original. Mais divertido será contar aos donos da língua, a última do MEC: assassinar a lógica, fechar a porta da geladeira da gramática com o pé e institucionalizar o “lulês”: “a gente vamos, os livro, os peixe e os inguinorante”.
Não vou acabar com o estoque de vinho de Lisboa, mas prometo me esforçar...
Depois, Madri, que também nunca vi mais obesa.
Juro não participar das manifestações contra a picassiana política econômica. Enforcado não fala de corda nas terras da Inquisição. Vai ser mais interessante buscar o tempo perdido e ver se a família Navarro é mesmo oriunda da terra de Goya e Julio Iglesias.
Mentira! Navarra é País Basco, fronteira com a França, mas, devo passar lá porque, depois de Madri, Barcelona em homenagem ao Real Madrid, Tàpies e Gaudí.
Espero mandar vinhos de lá. Não vou acabar com o estoque de palavras da Espanha, mas prometo me esforçar.
Esta é a fase inicial da viagem, nada mal...
De Barcelona pretendo ir de trem, até Marselha, no sul da França e, de lá, finalmente, Paris que dispensa comentários.
Aliás, vocês já devem estar de saco cheio. Há 14 anos conto histórias de minha vida em Paris. Azar o de vocês! Vão ter que engolir outros 14 anos de novas aventuras na capital de todos os gauleses porque “estes romanos são loucos”!
Não venderam a Torre Eiffel e muito menos derrubaram o Arco do Triunfo, mas é claro que a cidade está repleta de novidades e vinhos...
Levo a bandeira do Galo e uma lista de desagravo ao meu amigo Dominique Strauss-Kahn, o Gengis Kahn do boquete! Vou entregar a lista ao Sarkozy. Não, prefiro a Carla Bruni e em mãos. Aproveito e peço a ela que me pague um pouco de gengiskette... E grávida!
A lista de apoio a Dominique é ideia do Movimento Machão Mineiro, aqui de Belo Horizonte e é aberta com o inolvidável pensamento de Paulo Maluf: “Mata, mas não estupra!”.
Bom, se ninguém estiver botando olho gordo conto os planos finais deste tour. Enquanto estiver em Paris, tentando acabar com o estoque de francesas, durante 12 dias, desejo ardentemente atravessar o Canal da Mancha – não a nado porque estou gripado – e cair de boca em Londres. Afinal, se o Paul McCartney está fazendo seu pezinho de meia, aqui, posso roubar as joias da coroa lá. Por falar em coroa, ao contrário da rainha Elizabeth que não quis nem provar, juro imitar o Obama e acabar com o estoque da irlandesa Guinness, naqueles púbicos pubs onde já fui feliz e sabia. Pelo menos até o décimo pint (the copão is equivalent to about 568 ml).
PS: Ops! O espaço acabou, mas a viagem ainda nem começou, hasta la vista!