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Walter Navarro
12/05/2011 - Nunca diga "sacolas plásticas nunca mais"
Walter Navarro
Não tem jeito que dê jeito no Brasil. Todo mundo sabia. Até os jacarés do Pantanal.
E foi garrafal manchete, aqui em O TEMPO, terça-feira.
Com esta lei proibindo sacolas de plástico no comércio de Belo Horizonte, os supermercados já venderam um milhão delas, embolsando - além das fortunas que arrecadam - R$ 2 milhões, em dois meses. Quer dizer, além de não gastarem com sacolas plásticas, ainda ganham com elas! E mais. Se antes, davam, por que agora vendem? Tão Brasil! Davam não, claro que o preço delas estava incutido nos produtos!
E dizem os especialistas que a nova sacola tem nada de sustentável. Golpe. A lei, é claro, tinha que vir de um petista, né? Vereador Arnaldo Godoy. Dói.
Ainda tenho estoque de sacolas no meu cafofo. Não reciclo apenas sacolas, mas todo tipo de material e embalagem. Meu apartamento parece um lixão. O documentário sobre o trabalho de Vik Muniz, “Lixo Extraordinário” poderia ter sido feito na minha sala...
Tento reciclar tudo, até mulher, mas, mais uma vez, o Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá) não me deixa fazer a limpeza. A coleta seletiva do lixo, no meu bairro, tem horários esdrúxulos e acontece uma vez por semana; como se eu comesse pizza e abrisse latinhas apenas um dia antes. O lixo se acumula e, quando não estou em casa ou me esqueço de “colocar lá fora”, os urubus já sobrevoam a rua...
Já escrevi isso. Nossas autoridades deveriam viajar para aprender como funciona uma cidade e não para aproveitar boquinhas, fazer turismo e compras.
Em qualquer cidade civilizada do mundo, as pessoas, em suas casas, têm, no mínimo, três ou quatro “latões” para depositar, diariamente, lixo orgânico, papel, vidro, metal e o famigerado plástico. Por estas e outras - como suas raras usinas de reciclagem - o Brasil é um dos países que menos aproveitam o lixo; o que só pode dar merda. E dá! Os cidadãos, de saco cheio (e não é o de plástico...) acabam por misturar casca de alhos com bugalhos e pronto.
Os amigos sempre riram de mim porque estou sempre com uma sacola na mão. Elas, resistem, duram e servem para muita coisa. Pergunto. Este saco de lixo preto que passaremos a comprar - e como é muito grande, acaba sendo mais um desperdício - é reciclável, biodegradável? Parece não... E os outros vilões como garrafas de vidro e de novo, plástico; caixas de suco ou leite forradas de alumínio e toda sorte de outros materiais? Restarão impunes? Suco agora só nas lanchonetes? Vamos voltar à Idade da Pedra?
O Brasil é mesmo autoritário, arbitrário, injusto e besta! Transforma os fumantes em bandidos e deixam carros velhos, ônibus e caminhões infestarem o ar com o delicioso monóxido de carbono. Na cidade São Paulo tem não fumante com o pulmão mais fodido que o dos tabagistas por conta da fumaça do trânsito. Por que os Godoy do Brasil não criam lei para obrigar a indústria automobilística a vender seus rodantes com poderosos filtros?
E a borracha muito mais resistente e poluente que o plástico? Por que nossos pneus não entram na mistura do asfalto deixando-o mais resistente e nossas assassinas estradas menos esburacadas? Borracha também é bem usada até em calçadas!
Se quiserem faço minha parte. Paro de usar camisinha (preservativo) e volto às tripas de carneiro. Só falta combinar com os carneiros...
E o papel, papelão e derivados? Também serão proibidos ou ao contrário, estimulados? Mas, tem que consultar as árvores...
No mais, estou pagando o maior gorila onde frequento. Não tenho carro. Outro dia, saí da padaria com monte de coisas nos braços, fora o que já carrego habitualmente. Latas? Caíram umas três e ainda rolaram da calçada pra rua. Eu abaixava pra pegar uma; caía outra coisa. Patético! Agora, além de tudo, ainda vou ter que sair com sacola de pano nos ombros como se fosse uma Dona Maria? Vou chamar o Godoy pra carregar.
Isso é falta do que fazer. No Brasil, os gênios, antes de promulgarem estas leis eleitoreiras e babacas, deveriam estudar as consequências.
Num país onde metade da população – ao contrário do que diz este governo Pinóquio – tem nem saneamento básico, vem um pacóvio e sacrifica a sacola de plástico. Por que não resolvem essa chaga, além de educar a população para que não jogue geladeiras, sofás e mil outras quinquilharias em ribeirões, riachos e rios; grandes responsáveis pelas enchentes? Tenho uma última sugestão no assunto reciclagem: usar o cérebro de nossos políticos como esterco, adubo.
PS: Querem saber de uma coisa? Phoda-se! Não sou mais de plástico.