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21/04/2011 - Um Aécio, Bolsonaro ou Berlusconi pra chamar de meu

Walter Navarro

 
Como era verde o meu vale! Como era feia a filha do Roberto Carlos!

Certa feita; prenderam Humphrey Bogart por baderna em Nova York. O juiz acusou: “O senhor estava completamente bêbedo às três da manhã”. E Bogart: “Mas, quem não está a esta hora?”. Foi absolvido.

No quesito telhado de vidro, estão massacrando meu amigo Aécio Neves. Isso é coisa do Lula.

Conheço gente que dirige em alta velocidade, com carteira vencida, bebendo, fumando, ouvindo e cantando música no talo, falando ao celular e ultrapassando ambulâncias do governo entre Barbacena e Belo Horizonte. O Rubinho Barrichello dirige daquele jeito e nada... Aécio está certo ao recusar o bafômetro. Vá saber quem já botou a boca lá. Isso se for só a boca, né?

Meu ídolo, Jair Bolsonaro, disse: “Imagine que seus vizinhos são um bigodudo e um careca adotando uma criança. Não é normal. Estou me lixando para o movimento gay. O que tem a oferecer? Casamento gay? Adoção de filho por gay?” E para Preta Gil: “Não vou discutir promiscuidade. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como, lamentavelmente, é o seu. Teu blog fala de homossexualismo, de suruba. Eu posso ter vários defeitos, mas não minto, assumo meus atos, não sou corrupto, não sou ladrão e tenho um trabalho pesado contra a implantação do kit gay nas escolas”.

O tarado, pedófilo e insaciável Berlusconi disse que seu lado gay é lésbico...

Meu vale foi invadido pelo MST, mas era verde.

Não sou Roberto Carlos, mas não tenho filhos.

Minha carteira também venceu, mas não dirijo mais.

Não sou adotado, mas nunca namorei a Preta Gil numa suruba.

Sou lésbico convicto, mas, confesso que tenho um lado gay...

Por exemplo, semana passada, como mineiras na praia ou no exterior; soltei a “little chicken” em Miami...

O negócio começou no avião, com certa e localizada comichão... Fui sentindo uns calores, uns tormentos e gritei: “Ai que vontade louca de decolar.com”.

Quando vi os comissários e o piloto, quase tive um troço... Sou alucinada, sorry, alucinado com uniformes, galardões, nervuras, entretelas... Um luxo!

Mas, me contive até o avião pousar seguro e soltei: “Jesus, A-R-R-A-S-O-U”.

No aeroporto, mais uniformes... Amei ser revistado por aqueles bofes rudes, fortes, altos e bonitões. Fui sentindo uns calores, uns tormentos e desabafei: “Ai que loucura!”.

Uma limusine esperava por nós e eu já sabia o que esperar: o motorista... Meu Deus! Adoro motorista... Que vontade de ser volante e sair rodando por aí naquelas mãos fortes, intumescidas e cheias de veias... Que macho! Um ícone! De cara revivi a fantasia com lenhadores peludos, suados e com camisa xadrez: me chama de árvore e me dá uma machadada!

O Hotel? Nossa Senhora! Efebos impúberes carregando minha mala com o cuecão de couro... Aquele sotaque cubano, aquela cor de jambo... Fui sentindo uns calores, uns tormentos, quase tive um troço... Minha mão tremia ao abrir a porta... Quando vi a cama pensei: “Ai que vontade louca de deitar e rolar com você...”. E a banheira de espuma? Imaginei-me um peixinho dourado sendo devorado por tubarões vorazes e malvados.

Dia livre, leve e solto... Aquele sol... Aquele clima de sexo no ar... Foi me dando uns calores...

Passeio de barco... Tem gente que tem atração pelo dono do barco, o poder é sedutor, né? Mas, não eu... Meu negócio é o estivador com gosto de sardinha e rum... Piratas do Caribe e ganchos tortos de capitães... Quando vi o timoneiro, senti uns calores e gritei: “Homem ao mar!”. Pena ter sido em português e ele não entendeu. Mas, que músculos! E a tatuagem? Uma âncora! Que vontade louca de me afundar nela! O cara, louro, olhos azuis, era verdadeiro Namor, o Príncipe Submarino, Netuno, o rei dos sete mares!

Voltei extasiado, cheio de sonhos, o coração aos pulos e os calores... Pena eu ser tão tímido, ao desembarcar eu deveria ter beijado o capitão... Mesmo assim fiquei molhadinho... Também, com aquele sol, aqueles calores...

Dia seguinte... Vocês deveriam ter me visto “al mare”, como o diabo gosta... Coloquei um maiô azul, tipo aquele do Borat; sacam? Marcando as partes pudendas sem vergonha de ser feliz...

Mesmo na água límpida e cristalina, admirando os peixinhos e catando conchinhas, senti aqueles calores, aqueles tormentos, até ficar amargurado e com dó de mim...

A cada homem que passava eu suspirava de desejo...

Se o príncipe Charles queria ser o OB da Camilla, eu nasci para ser sunga, verdadeiro porta-jóias de carne sem osso...

PS: Hoje é dia 21 – 20 = 1º de abril.