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Walter Navarro
31/03/2011 - Próxima parada: Miami via Uberlândia e conexões...
Walter Navarro
No capítulo anterior desta novela, ameacei ir à Brasília, roubar um visto para os Estados Unidos. Também dei as “manha” ao Obama para conseguir entrar em Minas.
Fui! Obama, não sei. Mas, as batatinhas fritas Lucky, da Gol Linhas Aéreas Negligentes, me deram sorte. Vivi peripécias, mas consegui. Agora, só falta o passaporte chegar, via Sedex, antes da viagem, pequeno detalhe...
Sexta, depois de hora e meia até o aeroporto de táxi, mais 45 minutos de avião atrasado, embarque, viagem, desembarque; cheguei ao Detrito Federal, às 23h16.
Por que sexta? Porque no fim de semana você não corre o risco de encontrar deputados ou senadores, no aeroporto ou na cidade. Assim, você pode flanar tranquilamente portando carteira, talão de cheques, cartões, dinheiro vivo, moedas, relógio, celulares e que tais, sem a preocupação de ser roubado.
Mas, a presidenta Erenice Temer da Silva descobriu o motivo de minha viagem e, dia seguinte, li nos jornais sobre o aumento das bebidas e do IOF, para compras no exterior... Sou como Lula: “beber é meu divertimento... Sempre bebi muito. De tudo”. E este IOF vai direto no fiofó dos brasileiros...
O amigo de todos os minutos, Luiz Fernando Godinho Santos, comparsa de Jornalismo, na PUC/MG, nos anos mais antigos do passado; esperava-me sorridente e cansado de guerra, naquela rodoviária em forma de aeroporto.
Fomos direto ao bar Godofredo’s, Asa Norte, Sul, Leste ou Oeste; sei lá. Esqueci a bússola em Belo Horizonte.
Tomamos as primeiras cervejas – inclusive a suculenta loura grega, Mythos - entre risadas.
Fomos para a casa, onde a linda família dele nos esperava – sua princesa Isabel e os serelepes infantes, Helena e Bernardo - dormindo, claro. Ao contrário dos políticos, em Brasília, os habitantes trabalham e muito.
Sábado e domingo, no Sebinho Café, lago Paranoá, no Beirute “normal”, aniversário da bela Kátia e no Quituart; revi amigos, fiz novos, conheci meus três leitores de Brasília (o casal Jane e Luiz Otávio mais Francisco Eloi) e até mais um sobrevivente da PUC/MG, Rodrigo Faraht e sua bela escolha, Sofia.
À noite, ainda reboquei umas latinhas e chez Godinho, esquentando – ou esfriando – os tamborins para, dia seguinte, deleitar-me na Embaixada dos Estados Unidos da América. Mais segurança que aquilo só na White Horse, perdão, White House.
Entrei; revistado e depenado de meus pertences mais primitivos, mas, penetrei.
Belos jardins para o MST...
Entrei no matadouro, uma ONU de emoções: calor queniano, “comme il faut” e lentos ventiladores de teto. População chinesa, mil pessoas passam por lá diariamente. Organização brasileira, distribuição de senhas, completamente aleatória, onde as cabeças de prata têm prioridade. Burocracia francesa, entrega de documentos numa fila, taxa do Citibank em outra, digitais eletrônicas em mais uma, mais chá de cadeira e, finalmente, a entrevista, num outro guichê, com microfones e aquário de vidro blindado, protegendo o funcionário contra gripe e tiros na Broadway.
Duas horas e meia, sentado – tive sorte, muita gente em pé, com crianças chorando, reclamando de sono e fome, correndo e gritando, uma delícia – conversando, cansando a beleza e faminto.
Eu na primeira fila, de frente para as fotos sorridentes do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, Obama e a hilária secretária de Estado, Hillary Clinton, com aquela cara de quem chupou o charuto prostituto da Mônica Lewinski e gostou.
Ironia. Biden e Obama lembram Osama bin Laden!
Outra coisa engraçada. Pintou ligeira fome. Descobri “a lanchonete”, no fundo da sala. Pensei na Lei de Murphy: assim que estiver lá, serei chamado pela senha eletrônica e perderei a hora e a vez de Matraga. Com um olho nos números e outro nos lanches, perguntei o que a casa oferecia e a atendente: “esfirra de frango ou pão da vovó (um tipo de broa recheada com sei lá o quê)”, optei pelo último porque, comer esfirra na embaixada dos EUA é o mesmo que pedir um “hot dog”, na embaixada do Irã... O pão da vovó é como se ela estivesse no crematório; pelando por fora e gelado por dentro. A Coca-Cola estava quente. Não vomitei.
Mas, Tatu do Bem. Nem metade dos documentos pedidos foi exigida. A entrevista foi vapt-vupt, três perguntas, visto aprovado e simpático “boa viagem”.
PS: Uberlândia? É que, pra matar meu tédio, o Nenê Constantino cancelou o vôo das 18h58 – em vez de 22h, cheguei em casa à meia-noite – e me deu outro, 20h54, via Uberlândia. Entendi tudo errado e me dei bem. Era Uberlândia, VIA, Belo Horizonte.