Walter Navarro

Por falar em leiteiro viajante, e o Lula carregando aquela caixa de isopor, em suas férias na Bahia? Deve ter sujado a praia toda com latinhas de leite Brahma...
Se no cinema e em Brasília há sempre alguém pra fazer o trabalho sujo, também tem sempre alguém pra limpar a sujeira. Vejam por exemplo, no mensalão, os asseclas do Lula trocando suas fraldas, levando a culpa e assumindo as cagadas do poderoso chefão que, há sete longos anos, sai limpinho e cheiroso de todos os escândalos.
Num filme do Tarantino, tinha o Mr. Clean que, depois de uma chacina, ia lá limpar o sangue e botar ordem na casa. Tá certo; era a profissão do cara. Sujou, limpou.
Prefiro os limpadores do Tarantino, são mais honestos e coerentes.
Também tenho profundo respeito e clara preferência por quem, por profissão, limpa a sujeira dos outros: enfermeiras, auxiliares de enfermagem, faxineiras e claro, lixeiros. São todos uns abnegados!
Essa primeira conversa do ano me lembrou o poema do Drummond, “A Morte do Leiteiro”, o leiteiro que, de madrugada, com sua lata, sai correndo e distribuindo leite bom para gente ruim.
Bonito né?
Já o leite bom para gente ruim me lembrou a música “Vaca Profana”, do Caetano Veloso: “Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada (...) Vaca profana, põe teus cornos pra fora e acima da manada (...) Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas, derrama o leite bom na minha cara e o leite mau na cara dos caretas”.
Drummond e Caetano me lembraram Vinicius de Moraes no poema “O Operário em Construção”. Tá lá o diabo tentando o operário, como tentou subornar Jesus, quando o peão de obra põe-se a refletir: “... era ele que erguia casas onde antes só havia chão (...) ele subia com as casas que lhe brotavam da mão (...) que a casa que ele fazia sendo a sua liberdade, era a sua escravidão. De fato, como podia um operário em construção compreender por que um tijolo valia mais do que um pão? (....) De forma que, certo dia à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem os fazia . Ele, um humilde operário, um operário em construção...”.
No último dia do ano, sem saber que ainda estava no ar, no jornal da Band, o apresentador Boris Casoy, rindo, comentou com sarcasmo uma matéria do jornal. Na reportagem, dois garis desejaram feliz ano novo aos telespectadores. Sem saber que seu microfone estava “aberto” e num ato falho, Casoy saiu-se com esta “ao vivo”, para quem, estupefato, quisesse ouvir: “...Que merda... dois lixeiros... desejando felicidades... do alto de suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho”.
Que grande besta é o Casoy! Ele e sua boquinha de chupar ovo, pra não falar outra coisa que ele adora e que não posso escrever aqui.
Lembram daquela gafe do Pedro Bial, do mesmo tipo? A Glória Maria mostrava cenas do balé de Kirov e ele, achando estar em “off”, como Lula em Pelotas, soltou que balé “era coisa de viado”...
O mesmo Bial que, no Manhattan Connection, para gáudio geral da nação, tripudiou o público do Big Brother Brasil, do qual é sagaz apresentador. Até aí, bem feito para o público idiota do BBB que, como disse Bial entre risadas, é “erudito”... Público tão imbecil que continua enchendo as burras do Bial com muita grana; grana dos pacóvios telespectadores que acham Bial um gato, um Pedro Miau e o máximo em simpatia...
Ano passado, em Belo Horizonte, com sua palestra de auto ajuda, Bial foi a estrela do encerramento de um congresso de decoração. As decoradoras e alguns decoradores tiveram furor uterino por ele. Imagino o que ele falou sobre tudo e todos, contando seu cachê, mais tarde no hotel: “Decoração é coisa de viado e de vagabunda erudita...”.
Aí vem o Boris Casoy – Boris é nome de assistente de Frankenstein – ridicularizando dois garis porque são “o mais baixo da escala do trabalho”...
Os mesmos garis que limpam a sujeira do Casoy. Imaginem o que tem no lixo dele. Imaginem se ninguém limpasse o lixo dele. Casoy, com autoridade para dizer o que disse, deve conviver muito bem com o lixo. Deve se sentir em casa...
E como o leiteiro que distribui leite bom para gente ruim, os garis distribuem limpeza para porcos. É assim que os lixeiros limpam o trabalho sujo de gente como Boris Casoy, este que se acha no topo da escala do trabalho; o erudito, a elite que ganha rios de dinheiro pra encher nossas casas e cabeças de merda.
PS: Isso é uma vergonha!