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03/03/2011 - Fazendo arte, manhas e instalações em Inhotim

Walter Navarro

Minha fantasia tá pronta: “Tigresa Siberiana no Resplendor da Aurora Boreal”. Vou arrasar!

Mas deixa este carnaval pra depois da quaresma que o ano já tá acabando e eu odeio almôndegas na Páscoa.

Eu e o amigo Marcelo Bianchini, a gente é muito doido... A gente já morou no esgoto e comia pão com bosta. Nosso drinque favorito é “O Elixir do Pajé Líbio”: água de bateria, querosene Jacaré e Fanta uva com escorpião... A gente bebe isso e fica muito doido, eu bato na mãe dele, ele bate na minha e nós dois batemos no Adalberto Lingüiça... Muito doido. Uma vez fomos abduzidos em 1973 pelos incas venusianos e só voltamos em 1985 em forma de Hermes Aquino, cantando “Nuvem Passageira”, no original!

Mas, semana passada, finalmente, a pedidos do amigo paulistano, Celso Lotaif, fui conhecer Inhotim, aquele negócio de arte contemporânea, naquela encruzilhada do progresso, chamada Brumadinho, uma beleza!

Essa tal de arte contemporânea é coisa de boiola, mas, tudo bem... A gente senta na margem do rio Piedra e chora...

Sou igual ao Berlusconi, normal, como todo mundo...

Inhotim é legal, mas, tenho sugestões ao dono do pedaço, Bernardo Paz. Pra começar, trocar o nome... Inhotim é o “caraí”! Tem que ser “Barbacenum Museum” porque é igualzinho ao quintal lá de casa, só que maior. Tudo que tem em Inhotim; bolei primeiro, só que ninguém sabe...

E tem que cortar metade daquelas árvores lá porque esse troço de natureza, de planta, samambaia repolhuda, é coisa de baitola... Eu e Celso fizemos nossa parte, envenenamos umas 200 árvores...

E é muito grande também! Por que não entregar metade de Inhotim pro MST e pro projeto “Minha Casa Minha Vida”? É constrangedor ver tanta terra, água, grama e capim quando, bem ao lado, tá cheio de favela e de bípedes humanos vivendo no esgoto; comendo pão com bosta...

Eu e Celso fizemos nossa parte. Cada um levou um alicate e abrimos vários buracos nas cercas, agora é só enfiar o pé e fincar a bandeira do PT naquele latifúndio...

Achei também uma falta de absurdo aquele monte de galerias cheias de arte por todos os lados. Aquilo cansa... A gente fica andando igual bobo, suando, bufando... Proponho transformar metade daqueles galpões em bares e, claro, em lojas da Claro, Vivo, Oi, TIM e da Ricardo Eletro, claro...

Falta também a Inhotim, um pouco de urbanidade... Mas, eu e Celso fizemos a nossa parte. Cada um levou uma mochila. A dele tinha latas de cerveja e a minha uns 669 sacos plástico do Carrefour... Espalhamos tudo no mato e nos lagos, ficou uma beleza... Só espero que os sacos durem mesmo 200 anos, caso contrário processo todos os supermercados e padarias. Jogamos pilhas e baterias também...

E as carpas que pegamos no “Piscinão da Varejão”? Domingo teve peixada lá em casa, uma beleza...

O lugar é legal, tem banheiros chiques por todo o parque. Mas, nada melhor que privilegiar a Mãe Natureza... A cada duas latas de cerveja esvaziadas e jogadas no mato ou na água; drenávamos os respectivos monstros na grama, nas plantas exóticas e principalmente nas esculturas. Fiz xixi em praticamente todas as obras, principalmente naquelas vigas de metal do Chris Burden plantadas no cimento, o que é uma ignorância. Tava cheio de poça d’água cheia de dengue. Mas eu e Celso fizemos nossa parte, mijamos em tudo e principalmente nas vigas, para aumentar a corrosão; como sempre faço nos trabalhos do Amílcar de Castro. Por isso aquelas lindas ferrugens...

Quando vamos a um lugar fantástico como Inhotim, há que interagir com as obras. Eu e Celso fizemos a nossa parte, grudamos um monte de meleca nas paredes de fibra de vidro do Galpão Cardiff & Miller. E mais, já que as pinturas da Adriana Varejão estão todas descascadas e soltando gesso, meu canivete ajudou deveras... Uma beleza! Do Muro de Berlim, trouxe vários pedaços de lembrança para os amigos...

As funcionárias e monitoras são muito simpáticas e dadas. Tem muita gostosa lá, por isso mesmo, eu e Celso fizemos nossa parte. Eu comi três e ele duas, dentro da galeria Valeska Soares que, cheia de espelhos, lembra muito aqueles motéis pra levar vadias...

Os fusquinhas coloridos do Jarbas Lopes? Ficaram muito mais legais depois que, eu e Celso, fazendo a nossa parte, riscamos as laterais com nossas chaves.

Achei uma delícia o trabalho de Rirkrit Tiravagina... Caímos de boca naquela arte que nos despertou os instintos mais primitivos...

E já combinei com Celso, uma nova visita, claro que, cada um fazendo a sua parte...

PS: Adivinhem se tirei a barba...