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24/02/2011 - Do amor e outras coisas que pedem Hipoglos na veia
Walter Navarro
Carnaval? Eu? Na Praça Mauá, ouvindo Ivete Sangalo no talo e bebendo querosene com formicida... Sou tarja preta de judô e tô precisando de uma psiquiatra pelada.
Por que sem tesão não há solução. Sem melancolia não há arte, filosofia e você não consegue chupar nem um vulgar Chica Bon...
Mas, vou tentar escrever uma coluna bonitinha, amorosa, romântica; mesmo sendo capaz de passar a mão na bunda do Kadafi...
Vi um filme mais triste que correr pelado atrás da mãe e gritando: “’Bora metê, demônia!”. No trágico filme, tudo errado dá errado, principalmente o sonho de ser feliz em Paris por um triz.
Que c’est triste Venise, Lisboa, Madri e Paris... A nossa música nunca mais tocou...
Odeio casais felizes! E aquela música do Alain Souchon não me sai da cabeça de bagre: “Sob minha camiseta Hering, ouve-se um bumbum cardíaco porque minha Iama de Kuprin foi passear de veleiro com um Nenê Constantino. Perdi tudo o que eu amava (inclusive um canivete suíço que eu usava pra abrir lata de salsicha). É uma melancolia banal: vodca, Sukita e Gardenal...”.
Para amenizar a lama, tentei ver “Uma Segunda Chance para o Amor” (Purple Violets)... Um filme divertido, renovador e agradável... O verdadeiro amor merece uma segunda chance... Um dia ainda vamos ficar juntos... rsrsrsrs...
Dormi no meio, claro!
Gosto dos opostos para ver os dois lados idênticos de moedas diferentes. Há milênios, levei uma namorada pra ver “O Império dos Sentidos”, esperando pintar clima... “Mifu”... A menina ficou tão chocada que, em seguida, levei-a pra ver “Bambi”, mas, aí a mãe do veadinho morre e ela começou a chorar. Nada como um bom e velho Indiana Jones, viu?
Esta semana é a semana de gostar de ver casais felizes porque amigo Maurício vai se casar com bela Valéria, ambos em segundas núpcias. Phoda é ter que comprar um terno porque sou padrinho e a madrinha é chique.
Tenho monte de amigos casados e felizes, coitados... Fábio e Dulce; Rodrigo e Ana Ester; Silvia e Ezequiel que acabaram de comemorar 10 anos de namoro entre capas e queijos; Marcelo e Michelle que mesmo separados continuam se gostando e respeitando numa boa; Luciano e Vanessa que enxugou minhas lágrimas Lacoste com guardanapo do Atlético Mineiro, muito uísque e Sinatra cantando “love is the saddest thing when it goes away...”.
A história de Maurício e Valéria é deveras interessante, parece “Uma segunda chance para o amor”, mas, prometo não dormir no meio da cerimônia... Reencontraram-se anos depois e agora serão felizes para sempre, mesmo com um padrinho do meu quilate... Será que alugo um terno? Será que vou conhecer alguma convidada gostosa? Só espero não passar a mão no padre achando que é a garçonete...
Casais felizes e amigos me fazem feliz, me dão vontade de trocar “La vie en close”, por “La vie en rose”... E com Jack Nicholson cantando...
O pior é aquela do Aldir e do João Bosco, “A nível de”...
É a história de dois grandes amigos, Wanderley e Odilon que, todo domingo iam pro Maracanã criticando o casamento que era uma bosta. Iolanda e Adelina, as esposas, ficavam em casa também achando o casamento uma bosta. Vejam só que coincidência! Que amor!
Até que um dia, estruturou-se um troca-troca, uma espécie de swing entre casais. Por falar nisso, tô procurando companhia pra conhecer aquela casa de swing na Pampulha. Interessadas, me escrevam, please... Mas, já vou avisando, é só pra ver, só pra conhecer tá? Swing pra mim é como comprar a Playboy só pra ler a entrevista...
Bom, mas então, o Odilon trocando literalmente as bolas, agarrou o Wanderley e a Iolanda ó na Adelina. Wanderley e Odilon montaram restaurante natural cuja a proposta é cada um come o que gosta. Iolanda e Adelina descobriram que viver era um barato e pra provar começaram a fazer artesanato; pintam e bordam com o que gostam: velcro... Aranhas em litígio...
Só que, pouco depois, Odilon, com ciúme, insupapa o Wanderley ; Adelina dá na cara de Iolanda e o relacionamento continuou a mesma bosta.
É por isso que o Brasil não vai pra frente!
Meus amigos felizes nunca vão se enveredar pelos tortuosos caminhos do restaurante natural e do artesanato.
Eu continuo solteiro, comendo o que gosto, mesmo porque odeio artesanato e tudo que tem a ver com aumento da dignidade e da auto estima.
A Rita levou meu sorriso, seu retrato, seu trapo, seu prato, um quadro e um bom livro do Keith Richards. E além de tudo me deixou mudo o pobre e podre celular.
PS: Pelo menos o nosso relacionamento não continua a
mesma bosta.