Home | Colunas | Walter Navarro

17/02/2011 - Se teus olhos têm segredos meus óculos também têm

Walter Navarro


Escrevo no Dia dos Namorados, Valentine’s Day, em todo mundo, menos no Brasil. Aqui, claro, é no casamenteiro 12 de junho...

Sábado pesquei o filme “Eu odeio o Dia dos Namorados”. Uma mulher “muderna” ensina a um desiludido que o relacionamento ideal deve durar apenas cinco encontros, para não haver decepções, nem tédio; only rock’n’roll...

Aí, tem o cara na ilha deserta com a Luiza Brunet quando era gostosa. Os dois transam direto. Um dia ele pede que ela pinte um bigode - com o carvão do peixe assado - e dê uma volta na ilha. Ao reencontrá-la ele grita: “Junqueira! Você por aqui! Não sabe quem tô comendo...”.

“Foice” o tempo em que só os homens eram canalhas, amorosos, mas canalhas e saíam contando aos amigos, com quem transavam... Hoje as mulheres têm comportamento de macho; são elas que pegam, matam, comem e contam às amigas, aos amigos e até aos namorados! O que ganham com isso? Fome de fama, de cama, Brahma e lama...

Mas só contam sobre os poderosos. Amigas já confessaram colóquios amorosos com Reynaldo Gianecchini e Paulo Henrique Amorim... Claro, as que transam com frentistas de posto de gasolina e motoristas de van ficam caladinhas...

Meu fictício amigo, Paulo Feijoada, ligou sexta-feira, na maior fossa, dizendo que sua namorada, além de traí-lo, confessou o crime alegando que foi nada, que se arrependeu, que fez aquilo só porque estava com raiva dele, vingança de uma historinha de século e meio atrás... Faz sentido...

Encontrei-o num bar bacana, completamente bêbado e cantando: “Tu és a flor do lodo em minha vida. Teu nome é mulher fingida...” e “Flor do lodo, mulher de baixos costumes, ninguém ouve os meus queixumes, ninguém vê meu padecer...”.

Dei-lhe um esporro: “O que é isso Feijoada? Que baixo astral! Mulher nenhuma merece isso, meu caro...”. O importante é manter o humor, os faróis baixos e o pára choque duro... Como diria o Juca Chaves: “Esta é a vida que eu sempre quis, eu sou cornudo, mas, eu sou feliz...”.

Mas, ele estava tão infeliz que veio com Neruda: “Posso escrever os versos mais tristes esta noite...”.

Apelei: “Pelo menos mantenha o humor, canta Reginaldo Rossi, Falcão, Mamonas Assassinas, Odair José, Nelson Ned...”...

E ele: “Nelson Ned tá morrendo, coitado...”.

E eu: “Então, vamos fazer a biografia dele em livro de bolso e num curta-metragem...”.

Ele não achou graça, mas pelo menos lembrou Wando, seu ídolo máximo: “Moça, sei que já não és pura, teu passado é tão forte pode até machucar...”.

Eu: “É, rapaz, fazer o quê? Essa tua namorada não tem futuro, em compensação, que passado!”.

E o Cornélio: “Brinca com isso não cara, não dou sorte com mulher, pareço curva de rio, só pego enrosco, encosto...”.

Eu: “Afinal, o que aconteceu...”...

Cornélio:  “Ela foi com duas amigas pro Guarujá... Conheceu um velho ricaço, tomador de Viagra, dono de barco... Ficou com o cara que vai lá só pra pegar ratas de praia... Aí, ela voltou, se arrependeu, desenterrou fantasmas de 1969, me chamou de canalha, podre, escroto e me contou, dizendo que não foi nada, que nem gostou, que no 16º beijo de língua já tava com nojo, pode? E mais, disse que feijão todo dia enjoa, tava com vontade de variar com camarão...”.

Eu: “Cara, que “nasty”! Essa mulher não vale a lagosta que vamos comer agora e com Chablis...”.

E Cornélio cantando música de corno: “Mentira, foi tudo mentira, você não me amou...”.

Eu: “Babaca, fidelidade hoje só em aparelho de som... Sabe o que o Odair José disse? Que só se casaria com uma prostituta, afinal, se elas já conhecem todos os tipos de pênis não ia ter a mínima curiosidade de conhecer outros, é a mulher perfeita... Nunca vai trair o marido”.

E ele: “Pode ser... Mas, ‘Não fale dessa mulher perto de mim, não fale prá não lembrar minha dor... Por ela vivo aos trancos e barrancos, respeitem ao menos meus cabelos brancos... Me deixe ao menos por favor pensar em Deus...’”.

Eu: “Por que você não vira gay?”.

Ele: “Já pensei nessa hipótese, mulher é tudo igual, vagabas, mas, se eu virasse bicha, além de sofrer por homem ainda ia ter que chupar pê e dar o ce... Tô fora!”.

Eu: “Bom, pelo menos teu humor tá voltando”.

Ele: “Sou apenas um malandro agulha... No dia em que eu virar um NET; vou pro Cairo com meu chapéu de vaca, uma camiseta ‘I Love Mubarak’ e tocando zabumba!”.

E terminou assoviando “Onde andarás nesta tarde vazia, tão clara e sem fim. Enquanto o mar bate azul em Ipanema, em que bar, em que cinema, te esqueces de mim?”.

PS: Todo cudado é pouco e cálcio é bom pros chifres.