Walter Navarro

Quem seria melhor presidente do Brasil, o Poderoso Chefão ou a Marina? Não a Marina Silva, a Marina Lima, a cantora, compositora, gostosa...
As coisas não precisam dos inocentes do Leblon e do Sion.
Certas músicas e filmes influenciam todo um dia, uma semana, uma vida! Vivemos sob o clima que nos passam.
Tive um ótimo sábado passado. Tão bom que, domingo, só saí pra comprar jornais e Coca Zero. Depois me estiquei na frialdade inorgânica dos lençóis, de frente para os crimes da TV.
Mas a tecnologia não é o meu forte. São tantos controles remotos que ninguém precisa de grandes estudos para apertar botões errados.
Ainda inebriado pela véspera, apertei umas teclas e o som da televisão foice e foi-se. Tentei de tudo e juro que minha cansada vista não ajudou muito. Resolvi testar o DVD e... Abracadabra! Lá estavam todos os nomes, cores e sons. Claro que já comecei a insultar a NET. Se a TV tinha som e fúria, a culpa era do governo, quer dizer, da NET, que, como todos sabem, tem culpas no cartório e vive em manutenção quando a gente mais precisa.
Então resolvi tirar o atraso de muitos DVDs empilhados. E já peguei pesado... Domingão... Ótimo pra rever, de supetão, a trilogia "O Poderoso Chefão", obras-primas das mais didáticas.
Invertendo a ordem natural das coisas, comecei pelo primeiro porque guardo o melhor para o meio, o segundo; e para o fim, o tiro de misericórdia, o mais soturno, o terceiro.
Tudo isso, ainda com Marina cantando na minha cabeça: "A não ser você, não quero mais me machucar, nem me perder...". Coração e coragem para qualquer viagem e sermão, lá fui eu encarar Marlon Brando. Que filme! Começa com um italiano, desapontado com a injustiça da Justiça e da polícia, pedindo justiça a Don Corleone... É o que a gente deveria fazer aqui no Brasil... Chamar o síndico, chamar a família Corleone pra resolver nossas mazelas e misérias.
Por exemplo, em vez de empossar o novo ministro do Turismo, que pagou a suruba do motel, em São Luiz, Sarneylândia, com dinheiro público e púbico, Don Corleone certamente mandaria quebrar-lhe as duas pernas com tacos de beisebol... E o segundo na hierarquia/anarquia do Ministério do Turismo, Frederico da Costa, acusado de desvio de verba da Sudam? É ou não é o caso de chamar Don Vito Corleone para "aquele" corretivo?
Sudam é onde mamava o Jader Barbalho, aquele a quem Lula beijou a mão e chamou de inocente, sério, honrado e lição de política... Cada um tem o professor que precisa...
É, o Brasil é mesmo a toca do bebê sem cabeça.
O que Don Corleone faria com o Celso Amorim e seus amiguinhos, na farra dos passaportes diplomáticos? No mínimo cortar suas mãos e jogar o resto aos peixes. E os peixes que vomitem!
Quando a tarde cai, penso em você porque tarde da noite nunca é tarde demais. Assim coloquei a parte dois do poderoso filmão, onde brilham Al Pacino, filho e sucessor de Don Corleone e Robert de Niro, o jovem Corleone, no "flashback". Michael (Pacino) começa sendo extorquido por um senador, no melhor estilo Erenice Roussef. A vingança no meio do filme? Dão um "boa noite Cinderela" ao corrupto senador, que acorda, num bordel, ao lado de uma prostituta mortinha da Silva... Ele fica tão bonzinho... Humilde...
Os filmes são espetáculos de violência, traição, honra mafiosa, corrupção, tortura, assassinatos, vingança e um pouquinho de amor na tarde violeta e violenta; mostrando que a vida pode ser feliz mesmo por um triz; que você me abre seus braços e a gente faz um país feliz, por um triz.
Aí, como eu não sei dançar bem devagar pra te acompanhar, coloquei o terceiro filme...
Outra beleza, como os dois primeiros, atores fantásticos como protagonistas e coadjuvantes.
A terceira vítima é a Igreja e, de novo, os políticos. Tem uma cena onde Don Corleone manda seus capangas Vicenzo (Andy Garcia), Battisti e Cacciola pro Guarujá e metralha um ex-presidente e sua família que passam férias imerecidas como hóspedes da utopia do Exército. O ex-presidente é tão canalha que até seu acupunturista viajou às custas do novo governo da nova presidenta eleita, Erenice Temer da Silva.
Tiro nos olhos, faca na garganta ou na barriga, espancamentos vários, afogamento, asfixia... Nada como a justiça do Poderoso Chefão!
Pena ter "desmaiado" no início de "Amadeus", de Milos Forman! Ainda bem que Marina e Martinho da Vila embalaram meu sono cantando: Acorda e vê. Há um arco de luz que eu pus lá no céu pra você. Vem, vem desembrulhar essa cama, esse lar que é seu e pra sempre será.
PS: Será?