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18/11/2010 - O homem maltês e o falcão que falava javanês
Walter Navarro
Não Lula, maltês não é um novo sabor do Ovomaltine nem daquele escocês que você consome em quantidades oceânicas. E javanês... Esquece, please...
Pausa para os comerciais...
Pobre Arnaldo Jabor. Será crucificado porque, anteontem, ao citar Eça de Queirós, com palavras de 1871, comparou Portugal daquela época ao Brasil de hoje: “O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há principio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria. Os serviços públicos, abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. Não é uma existência; é uma expiação. Diz-se por toda a parte: ‘O país está perdido!’(...) Por isso, aqui começamos a apontar o que podemos chamar de ‘O progresso da decadência’.".
Pobre Diogo Mainardi que, em sua recente crônica, citando Euclides da Cunha, comparou os fanáticos de Antônio Conselheiro aos brasileiros (pobres, remediados e milionários coniventes) que elegeram a “presidenta” Erenice Temer da Silva: “eram uns ‘broncos, primitivos, retardatários, retrógrados, impotentes, passivos; turba de neuróticos vulgares, desvairados, desequilibrados incuráveis; uma gente ínfima e suspeita, avessa ao trabalho, vezada à mândria e à rapina’. Eles eram dotados de uma ‘moralidade rudimentar’, com uma série de ‘atributos que impediam a vida num meio mais adiantado e complexo’. Eles eram um retorno ‘ao estádio mental dos tipos ancestrais da espécie’.”.
Imagino que, quem odeia Jabor e Mainardi, O Globo e Veja vai escrever toneladas de cartas ameaçando boicotar o jornal e a revista, pedindo a cabeça dos famigerados e preconceituosos jornalistas.
Ainda bem que, agora, não mais opino, só cito fatos: “Farmácia Popular vende remédio até para mortos. Relatório do TCU acusa Ministério da Saúde de descontrole na fiscalização”.
Engraçado é que adoro o ditado: “Cliente morto não paga”... No Brasil, paga e paga bem. Os 17.258 mortos-vivos (zumbis) deram R$ 1,7 milhão pro programa Aqui Tem Farmácia Popular. Farmácia e propina, bula e rapina...
No Rio de Janeiro um motorista de táxi me disse que estava com medo do Serra ganhar porque o governadorzinho Serginho Cabralzinho Filhinho apoiou Erenice... Aí leio outro fato: “Falta de CTI mata 8 pessoas por dia em hospitais do Rio”... Ainda querem CPMF... Só rindo...
Certo está o amigo “antitucano”, Fernando Fantini: “Waltinho, foi ótimo o Serra ter perdido, você ficaria quatro anos sem assunto...”.
Tolinho, se Serra tivesse sido eleito, eu já estaria enchendo o saco dele há três semanas, como fiz com FHC. Fiz e me arrependi... Nunca podia imaginar o que viria depois: o horror!
Mas, o assunto de hoje é outro. Semana passada, conheci Mark Zammitt, meu primeiro amigo maltês, que mostrou fotos e contou monte de coisas legais sobre seu país. Sempre gostei de Malta por causa da Ordem e da Cruz de Malta, dos Templários, das cruzadas e do filme “O Falcão Maltês” – ridiculamente traduzido no Brasil como “Relíquia Macabra”, de John Huston e com o “pica-grossa”, Humphrey Bogart. Ah! Mark me contou que Charles V, o Santo Imperador Romano, deu à Ordem um lugar permanente na ilha de Malta, por um aluguel de um simples falcão...
Em vez de vender remédios como Alprazolam e Rivotril para os mortos, os Cavaleiros de Malta abriam hospitais e continuam sendo “uma das maiores organizações médicas caritativas do mundo”. Fugiram de Jerusalém para Malta, perseguidos pelos turcos, abandonando hospitais bem equipados e os mais modernos métodos médicos. Os perigos que os peregrinos cristãos e a Europa enfrentavam, forçaram a Ordem de Malta a pegar em armas.
Como não me chamo Google, nem sequer nasci em Niterói, paro por aqui. Mentira! No livro que Mark me aplicou; aprendi que os homens se instalaram em Malta, 5000 A.C. Mas, acharam dentes humanos datados de 40 mil A.C. Dentes dos tipos ancestrais da espécie...
Acharam também ossos de diversos animais pré-históricos extintos como hipopótamos pigmeus e elefantes de 10 mil A.C.
PS: Morrendo de inveja de elefantes e dos hipopótamos pigmeus e fugindo da ira do Irã, acho que vou trocar o Brasil por Malta e levar o Jabor porque o Mainardi já está lá perto, em Veneza.