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21/10/2010 - O primeiro café com o governador a gente nunca esquece

Walter Navarro

Gratidão e ser amigo da Dilma são as melhores coisas do mundo. Terça, escrevendo este texto, recusei todas as gentis xícaras de café, com a réplica e a tréplica: "Merci, já tomei dois com açúcar, adoçante, afeto e o governador Anastasia".

Tem nada de esnobe isso, vocês me conhecem, divido com as suculentas leitoras e os queridos leitores experiência que nunca tive antes neste país, em meus 48 anos de pura travessura. Durante a campanha, diverti-me trabalhando com a Turma do Chapéu, braço direito do movimento Amigos do Anastasia, mais de 20 garotos antenados com as modernidades da tecnologia, que não usam o braço direito apenas para apreciar a "Playboy"... Quer dizer, a mão direita... Se é que me entendem...

Pois é, para agradecer o ótimo trabalho que as urnas mostraram, o governador convidou-nos para um café com pão de queijo no Palácio das Mangabeiras. Fomos em peso e famintos, porque não tenho o hábito de acordar às 7h da madrugada, no horário de verão, para papear com governadores. No máximo, engulo o "Café com o Presidente", no "Bom Dia Brasil". Já escrevi inúmeras vezes que só a Dilma merece acordar ouvindo a maviosa voz do presidente, de ressaca, e seu torturante português, o que obriga a Globo a colocar legendas na foto de Lula. Acordar com ele é pior que despertar com uma martelada na testa, vide a cara de Dona Marisa Letícia - a Galega que engravidou no primeiro dia. Imaginem a cena: ele babando e soltando gases, ela de bobes e botox amassado. Prefiro injeções no olho...

Minha ilibada ética não permite ficar elogiando Anastasia, mesmo porque ele não precisa mais, milhões de mineiros concordam comigo.

Por isso prefiro contar, não todas - seria deselegância com o anfitrião -, mas algumas passagens da agradável tertúlia que tivemos em sua companhia.

Confesso que deixei várias partes de mim no Palácio das Mangabeiras. Enquanto esperava a turma, fui ao jardim e cortei as unhas, sempre sujas de tinta e outras coisas mais indecentes, porém, perfumadas. Não se assustem quando o "Globo Rural" descobrir um pé de unhas no palácio...

Ficou clara a preocupação geral dos presentes. Se "Dilmaligna" vencer as eleições, Minas vai comer o pão que o pai dela amassou! Mas estou otimista e, dia 1º de novembro, vai ter festa lá no meu apê... Sem o Latino latindo, prometo...

No mais, só no sapatinho, só alto astral, entre café, água e risadas. Risadas, principalmente com os causos pitorescos da campanha. Anastasia, que não é nenhum Hércules fisicamente, suportou empurrões, falta de ar, microfones na testa e que tais.

A liturgia do cargo obrigou-o também a ingerir de um tudo nos rincões de Minas: "Tive que beber até cachaça, bebida a qual não estou acostumado. Um, dois chopinhos, até gosto, mas cachaça? Quase passei mal e isso sabendo que as nossas são as melhores do Brasil". Lula não diria a mesma coisa... Aliás, depois do primeiro turno ele deve estar no segundo tonel...

E quem bebe água, café, chope e até pinga, uma hora tem que ir ao banheiro, "drenar o monstro...". Constrangido, Anastasia contou-nos sobre a aventura que foi, na falta de um banheiro, aliviar-se no mato, sem cachorro, mas na companhia de Itamar Franco... Taí uma cena que eu não gostaria de ver... Isso me lembrou aquela piada dos dois amigos que foram fazer a mesma coisa e um deles levou uma picada de cobra no bilau. O outro correu para a cidade mais próxima à procura de um médico que, muito ocupado, ensinou o tratamento: "O senhor tem que chupar o local da picadura e cuspir o veneno, cuidado pra não engolir". O cara voltou correndo para o amigo que, contorcendo-se de dor, perguntou: "E aí? O que o médico disse?". E o amigo da onça: "Ele disse que você vai morrer...".

Anastasia só cometeu uma insensatez... Disse que o Palácio das Mangabeiras é pouco usado e convidou-nos para um churrasco com futebol, qualquer sábado desses. Desde que levemos a carne, a cerveja e a bola. Está perdoado porque não sabe o que fez... Conheço minha turma, que só tem uma mulher como integrante: a bela, comportada e comprometida Stefânia Akel... Tadinha... A galera é civilizada, mas gosta bem de uma esbórnia... O Palácio das Mangabeiras nunca mais será o mesmo.

Eu, canalha, pulha, depravado, libidinoso, licencioso, pervertido e biltre, já penso numa suruba no lusco-fusco... Já escolhi até o local para o sacrifício de virgens: a mesa do café da manhã, com muita manteiga Marlon Brando...

PS: Acho que não serei convidado para o churrasco...