Walter Navarro

Tom Hanks, em antiga entrevista na Veja, confessou ter vergonha do tanto de dinheiro que ganhava por filme. Quis escrever a ele, pedindo um pouco, para fazer benfeitorias em minha humilde vivenda e em Barbacena. Como reconhecimento ele ganharia enorme estátua numa praça da cidade. Mas, eu não tinha o endereço do Tom...
Recentemente li crônica do Luis Fernando Verissimo, que começava assim: “Dez razões pelas quais o Eike Batista deveria me dar um milhão de dólares”.
Tenho muito mais razões que o Verissimo. Se ele é um cara legal, eu sou muito mais! Quem duvidar, pergunte à minha que não me deixa lular (mentir). Sou o cara mais gente fina que conheço. Na minha “walter-ego trip”, eu me amo, eu me adoro, eu não consigo viver sem mim.
Se Eike não sentiria falta, do milhão do Verissimo – que deve ter muito mais que isso - também não sentiria falta dos meus 45 milhões de dólares, dinheiro de cachaça pra ele...
Se o Luis Fernando não aguenta mais os fraudulentos substitutos de caviar, com o lema "Caviar: ou Beluga ou nada", que o acompanha desde a infância; contento-me com champagne francês no café da manhã.
Se Verissimo pararia de trabalhar, para se dedicar à leitura de todos os livros que ainda não leu ou quer reler, começando por "O elefantinho Dudu" e chegando, se desse tempo, à "Crítica da razão pura"; eu não pararia, pelo contrário, porque, afinal, quem vai fazer o trabalho sujo no meu lugar? Quem vai continuar minha missão de ser escroque e de irritar os malas que abundam este país?
No mais, estaríamos colaborando, ainda que modestamente, para a redistribuição de renda. Mesmo sendo uma Bolsa-Vuitton-Família em causa própria.
Se Verissimo teria mais, digamos assim, estofo moral para convidar a Luana Piovani para um cruzeiro no Caribe, naqueles navios que têm até metrô, as piscinas têm cascatas e o show principal é do Cirque du Soleil com participação especial do Frank Sinatra, trazido de volta, com grande custo, para mais uma despedida; contento-me com o estofo moral e a Luana Piovani pelada no meu estofado...
Mentira! Com meus 45 milhões, além do Sinatra, pra cantar pra gente, eu traria também os Beatles completos e Tom Jobim pra ficar assoviando e nos servindo um uisquinho 18... E o Vinicius também! Pronto. Chega dessa ideia de pobre que diz: “Quem não morre, não vê Deus...”. Chega também daquela filosofia de quinta: “se tua vida tá ferrada e só te resta uma moeda, engraxa o sapato”...
Por falar em Tom, eu contrataria o Tom Hanks pra fazer um filme em Barbacena, por exemplo, “Náufrago 2”, com o mar de Copacabana e tudo...
Eu compraria uma mina de ouro no Chile, forrava tudo com veludo cotelê e, com a Cléo Pires, saía de lá nunca mais.
O Veríssimo abandonaria, definitivamente, todos os planos para ficar rico depressa, como o de se transformar em médium de animais domésticos, e tirar um troco de quem quisesse entrar em contato com cachorros ou gatos falecidos.
Eu abandonaria os planos de virar ator pornô, levaria todas as “modelos-atrizes” lá pra casa e dedicar-me-ia a todas as posições do Kama Sutra, a começar pelo “helicóptero sueco” e a “folhinha virada”. E faria tudo duas vezes!
Eu também estaria sempre à disposição do Eike para escrever uma biografia elogiosa, melhorando passagens da sua vida e, inclusive, lhe dando outro primeiro nome. E mais: faria outra Luma de Oliveira pra ele, usando a própria Luma, que ainda dá um caldo! Garantiria também que nenhum bombeiro chegasse perto dela...
Aqui concordo com o Veríssimo: nós poderíamos estar inaugurando uma prática regular, a do Eike dar milhões de seus dólares todos os meses. Pra nós!
Claro, se pra Madonna, que não precisa, ele deu 10 milhões...
E se Eike concordar com esta brilhante idéia, já amanhã, eu daria metade pra campanha do Serra, sem pedir nada em troca. Mentira, eu exigiria que ele enviasse Lula e turma para trabalhos forçados no sertão do Nordeste, cavando e construindo piscinas azuis. Pensando bem, isso ele já vai fazer... E duas vezes!
Eu financiaria “Tropa de Elite 3”, pra dar uma blitz em Brasília ainda este ano...
Na última razão do Veríssimo, ele confessa que isso nunca vai acontecer. E, mesmo se acontecesse (consolo), um milhão de dólares não é mais o que era, ele não quer mais. Tolinho, por isso quero 45 milhões...
Enquanto isso; vou tentando a loteria, apelando para números mágicos como o 2 (de fevereiro), o 9 e o 86 de 1986...
PS: Pesquisa do Bope: Dilma é 100% boba, canhão e fedorenta com margem de erro só para mais.