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Walter Navarro
07/10/2010 - Telhados e corvos não caem porque vivem no ar
Walter Navarro
Primeiro, mil perdões aos queridos leitores e suculentas leitoras, pela coluna da semana passada. Era outra.
Pelo jeito, a censura do Lula contra a imprensa já começou ou voltou a funcionar... Só não entendo a escolha da que substituiu a verdadeira, uma de 2009, sobre a morte do Zé Rodrix, pode? Logo a última crônica antes das eleições... Mas, fazer o quê? A que “subiu no muro, no telhado”, está neste link:
http://turmadochapeu.com.br/chapeleiro-maluco/chupar-comer-lamber-beber-cheirar-rezar-e-votar/
Só não entendo também por que, no mesmo jornal, o Arnaldo Jabor pode escrever o que quiser sobre política e eu não... Será que Lula me acha mais perigoso? Duvido...
Então, em vez de PT, Lula, Dilma e petistas, falo de outras coisas...
Eu procurava uma frase do Millôr Fernandes no Google e, por causa do falecido jornal “O Pasquim”, onde ele e outros deitaram e rolaram sobre política, em plena censura militar – deve ser horrível viver numa época onde censuram a imprensa, né, Lula? – tombei numa entrevista com o não menos saudoso, polêmico, censurado Tarso de Castro, outra estrela de “O Pasquim”.
Eu não sabia que Tarso não gostava do Millôr Fernandes: “O Millôr é um mau-caráter, copiador de piadas do exterior. Um cara que não tem a mínima dignidade”.
Mesmo assim procurei e achei a frase do Millôr: “Dedico aos humoristas, meus companheiros de ofício, que vieram ao mundo para revelar a verdade da milanesa, artifício culinário para esconder um mau pedaço de carne”.
Este artifício me lembrou Dilma Roussef, mas...
Então dou minha receita de bife á milanesa pra comer com arroz de pilão Albaruska, o arroz do homem moderno que sabe o arroz Albaruska que quer com bife à milanesa.
Meu marido e as crianças adoraram...
Modo de preparo: Frite os bifes mergulhando em óleo numa frigideira até que fiquem dourados, como Clóvis O Peixinho Dourado do Pinóquio. Em seguida, passe-os em farinha de trigo, que restou do famoso teste da farinha... Se é que me entendem! Farinha em ovos batidos, ovos de galinhas, não aqueles outros... Se é que me entendem... E, por último, em farinha de rosca... Mas, não queime a rosca... Pensando bem, queime quem quiser, a rosca é de vocês, ninguém tem nada a ver com isso... Tempere os bifes, bata os ovos (ai como dói!) em um prato fundo, ao retirar da frigideira coloque os bifes em papel absorvente íntimo – de preferência Modess, Care Free, Intimus ou Sempre Livre - para que a gordura em excesso e o mau cheiro sejam absorvidos, em outro prato. Coloque a farinha de rosca de terceiro olho queimada, em outro prato o trigo, porque no mesmo prato é muito nojento e o sangue do molho pardo suja. Pronto. Para fazer frituras como batatas, pastéis de cabelo, risoles, quibes, esfihas abertas ou escancaradas, coxinhas com pelo e celulite, mais sequinhas basta tirar um palito da caixa de palitos Gaboardi e jogar direto na frigideira com o óleo ainda frio. Quem gosta de óleo quente é bruxa que gosta de levar vassoura no Halloween, dia do segundo turno. Ligue o fogo, quando o palito de fósforo acender sozinho na frigideira, o óleo está na temperatura ideal para fritar a sua batata que já está assando. Pra assadura o melhor é Hipoglós! Procure fritar os 69 bifes junto pra fritar direito sem ficar encharcado de óleo, porque de encharcada, úmida, quente e melada eu só gosto de... Deixa pra lá...
Quem adorava um bom bife à milanesa é Edgard Allan Poe, o feliz aniversariante de hoje... Eu também, mas meu aniversário é depois de amanhã, dia 9.
Mentira! Hoje é aniversário de morte do grande Edgard que já nasceu com nome de mordomo...
Segundo a linda Isabela Bilac e o Google, em 3 de outubro - dia de passar pro segundo turno – mas, de 1849, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas e em “delirium tremens”. “Delirium tremens” é quando o bebum vê vassouras, corvos e bichos peçonhentos como elefantes cor-de-rosa, hienas azuis, escorpiões de duplo sentido, cobras dentuças, abóboras selvagens e bruxas de Halowwen de segundo turno. Poe foi levado para o hospital, mas, morreu neste belo dia 7. Suas últimas palavras teriam sido: «It's all over now: write Eddy is no more», em bom português, “Não votem na bruxa, caso contrário, tudo estará acabado: escrevam Eddy já não existe”.
As obras de Poe são a cara do Brasil atual: góticas; com cheiro de morte, efeitos da decomposição, interessadas por tapocrifação, reanimação dos mortos e “Nunca mais”.
PS: Gostaram desta coluna à milanesa?