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02/09/2010 - Flanando por Sodoma, Gomorra, Passione e Surubonne


Walter Navarro

Outro dia, citei uma citação: não entendo como pessoas que tomam banho e escovam os dentes todo dia são capazes de votar na... Deixa pra lá. Ainda não posso falar de política e candidatas fedorentas aqui.

Não entendo gente que usa desodorante todo dia e segue novela. Todavia, descobri, para meu pasmo, que pessoas muito inteligentes adoram a novela “Passione”.
Num bar, duas delas, impunemente e na minha frente, começaram a discutir os rumos da novela e eu ali, com minha cara de “bobone”. Tentei penetrar na conversa pela porta dos fundos e acabei sendo desafiado a escrever essa crônica.

Então, em vez de política, novela.

Escolhi a segunda-feira de ressaca física e moral para a prática deste Suplício de Tântalo. Como introdução à radical experiência, comecei pela comédia, o Horário Eleitoral Gratuito (sic).

Quem disse que os animais precisam de proteção, legislação e bons tratos? Nunca vi tantos quadrúpedes saudáveis, bem tratados e candidatos a malandro federal e estadual! Mas, essa política é assunto pra polícia, casas mal-assombradas e outro dia...

Terminada a Tortura Eleitoral Gratuita, encarei, com uma Fanta Uva Zero, minha emocionante estreia na novela de Sílvio de Abreu. Antes, uma tarja na tela avisou que o programa continha cenas inadequadas para menores de 12 anos...

12? É por isso que estas crianças estão cada vez mais precoces e depravadas... Em cinco minutos vi e ouvi cada coisa que nem nesta coluna de quinta (feira), tenho coragem de repetir...

A novela começou com as duas mães do Totó (nome de cachorro e do Tony Ramos) convencendo-o de que é corno e Mané... Duas mães: uma brasileira, Bete (Fernanda Montenegro, aquela mala de Central do Brasil) e uma italiana, Gemma (Araci Balabanian, aquela que balabania, mas não cai...).

E quando é que a Globo vai parar de fazer novelas italianas e indianas made in Paraguay com a etiqueta “La garantia soy yo”? Ridículo! Em cinco minutos ouvi uns 20 “te prego”. Por isso tantos pais, mães e padrastos enfiam agulhas e pregos nas crianças! Nem Jesus aguenta tanto! Por falar nisso, outra frase campeã é “pela Madonna!”.

A segunda cena é Fred (Reinaldo Gianecchini imitando homem), batendo na Clara Chiara (Mariana Ximenes, cada vez mais Big Mac: não existe nada igual...) e chamando-a de vadia, piranha, ladra e vagabunda. Lembrou-me alguém... E deve ser mesmo uma “Maria Catraca” porque é casada com o Totó e bota os chifres nele com todo mundo, além de ser uma pilantra.

Neste meu primeiro e último capítulo, também nunca vi tanta briga de casal, troca de casal e traição entre troca de casais.

A novela só tem vagaba e canalha! A velha Brígida (Cleyde Yáconis), mesmo numa cadeira de rodas, dá pro motorista (autista), trai o marido Antero (Leonardo Villar) que está de olho na butique da Araci (na Gemma do ovo dela). Tudo sob o olhar de Fernanda Montenegro que tá a fim de dar pro Francisco Cuoco.

Pior ou melhor, só o italiano tarado Agnello, o Cazuza (Daniel Oliveira) que é igual pensão familiar: come a mãe (Maitê Proença) e a filha dela, a linda Lorena que deve ter um molho especial que só o Big Mac tem... E o outro italiano, Berilo, que tem duas mulheres, de novo, uma italiana e uma brasileira? E a outra velha devassa, dona da pensão, que quer vender a neta para fins sexuais a um fazendeiro? Que zona! Porca miséria! Porca vaca!

Vendo o grande Leonardo Villar fazendo papel de velho corno e babão, lembrei-me dele no clássico filme “O Pagador de Promessa”, nossa única Palma de Ouro em Cannes! Vai acabar trabalhando em Malhação...

E com tanto italiano macarrônico, conheci ainda o Nonno Benedetto (Emiliano Queiroz) o famoso Dirceu Borboleta. Ele tá tão velho que achei que era o Gianfrancesco Guarnieri, morto há séculos!

Nem da interessante abertura da novela, com a bela arte de Vik Muniz gostei! Claro, afinal de contas o cara me copia em tudo e ele é que fica milionário! Lixo por luxo sou mais o meu!

“Olha o patamar”, por favor! Sai do meu Jardim América e volta pro Cambuci!

E o Totó Lobisomem usa três camisas! Deve ser pros pelos não pularem na boca dos colegas durante os riquíssimos diálogos...

Afinal, o que de tão assustador tem no computador do Marcelo Anthony que deixou a gostosa da mulher dele tão enojada? Pedofilia entre anões? Necrofilia com mulher feia? Zoofilia no ranário do Jáder Barbalho? Pederastia entre iguais do PMDB? Não, acho que é o programa de governo do PT. O que no fundo é a mesma coisa!

PS: Chega de blá-blá-blá, quero é “Ti-ti-ti”...