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19/08/2010 - Guia para inglês ver e não matar brasileiros no metrô

Walter Navarro


Já contei essa aqui. Meu amigo Dileny Ratton morria de ciúmes quando Gisele Bündchen namorava Leonardo Di Caprio. Ele era tão alucinado por Gisele que uma vez confessou, não exatamente com estas palavras: “Eu seria capaz de fazer sexo oral no Leonardo Di Caprio só para sentir o gosto da Gisele!”.

Que depravado, devasso, pervertido, degenerado; biltre, canalha; não é mesmo?

Pejo jeito, Dileny não tomou jeito. Há pouco enviou-me e-mail sobre April Magolon, americana de 27 anos, que processa a Disney World depois que uma pessoa fantasiada de Pato Donald agarrou seus seios. A improvisada “Margarida” quer indenização de R$ 88 mil.

O que me intriga é por que 88? É promoção ou superfaturamento?

Dois anos depois, Magolon sente-se traumatizada; sofre de ansiedade, dores de cabeça, náuseas, suores frios, insônia, pesadelos, problemas digestivos e, provavelmente, comichões...

O libertino Pato Donald arruinou as férias da família; deixou a mãe horrorizada e incapaz de executar suas atividades diárias. Ela está processando o parque por negligência e sofrimento emocional.

Tem também aquele caso de 2004 quando um funcionário da Disney passou a mão nada boba numa garota de 13 anos e sua mãe, fantasiado de Tigrão.

O caso foi indeferido após o advogado de defesa vestir-se de Tigrão no tribunal para mostrar como era difícil de ver com a fantasia e como as luvas gigantes são insensíveis.

Tigrão é ótimo. É o apelido do meu amigo Arnaldo Madruga que nunca foi à Disney, acho...

Tempestade em copo de cachaça. Há coisas muito mais perigosas e gente muito mais tarada. Magolon não conhece as festinhas de Brasília e da Granja do Torto com cenas de PT e PMDB explícitas...

Aliás, o mundo inteiro é um imenso bordel. Lembro por exemplo, da cartilha que as japonesas recebiam em Tóquio, antes de visitar Paris. Uma das advertências era de jamais aceitarem convite para jantar, sinônimo que depois da janta as moças eram a sobremesa dos libidinosos franceses. Sério, em Paris, este convite é mesa, cama e sem banho.

Lembrei disso porque acaba de sair o Guia para as Olimpíadas de Londres-2012 com dicas de como lidar com os selvagens estrangeiros.

A agência nacional de turismo do Reino Unido abusou dos estereótipos. Algumas pérolas a seguir.

Para lidar com os brasileiros: seja gentil e não fique bravo com as tentativas dos brasileiros de falar inglês; não pergunte idade e estado civil; esteja preparado para ser interrompido; mulheres sempre se vestem de forma sexy (Daí, muitas brasileiras serem vistas como prostitutas em Portugal e na Espanha, n.d.r.).

O “brasileiro é um povo que tem uma noção de espaço pessoal menor do que outras culturas”. Ou seja, beijos na bochecha e abraços são comuns e “o toque não tem conotação sexual, é amostra de amizade”. No Brasil, não há “loção” de tempo como na Inglaterra. As relações humanas são mais valorizadas do que os horários definidos. Tradução: eles se atrasam e muito.

Para lidar com os argentinos: não fale das Falklands, assunto delicado; não fale de EUA ou Brasil. São rivais; não use America para falar dos EUA. Eles também se sentem americanos; não fale de política e de religião, mesmo que eles estejam falando; não sirva vinho, é uma ação delicada e cheia de simbolismos e pode ofender alguém; não se ofenda com o humor típico (sem graça e burro) dos argentinos.

Em outros guias, os estereótipos se repetem.

Com os mexicanos, você não deve falar sobre imigrantes ilegais, nem pobreza. Com indianos, espere um comportamento rude. Com árabes, a tendência é a mudança rápida de humor.

Ótimo, né?

Imagino que com os iranianos não se deve falar sobre forca e muito menos “Rolling Stones”...

Por isso, meu amigo Luiz Fernando Borgerth, o Boquete, sempre conta aquela piada do inglês que pergunta ao conterrâneo como foi a transa da noite passada e o outro responde: “The sensation is good, but, the position is ridiculous...”.

Por isso o príncipe Charles nunca será rei. Quem mandou dizer que queria ser o Tampax da namorada?
Tem que falar como o Clinton: “Chupei, mas não traguei...”.

Por falar em sacanagem, a melhor da semana, li aqui em O TEMPO: “Usuários de iPhone têm mais parceiros sexuais, diz estudo (...) Mulheres na faixa dos 30 anos têm duas vezes mais parceiros sexuais do que usuárias do sistema Android e 25% mais que as proprietárias de um BlackBerry.

PS: Pesquisa mais idiota. Em minha humilde opinião, usuárias de vagina têm 100% mais parceiros que qualquer adepta de iPhone, Android ou BlackBerry.