Walter Navarro

Muito melhor do que perguntar para o Caetano! Ou não.
Quero caminhar contra o tempo, sem vento e com documento. Num inverno de quase dezembro, em minha espaçonave nas ervilhas, com Cleo Pires bonitas. Eu vou em carros de candidatos à presidente, sem grandes beijos de amor, mas, numa overdose de dentes, pernas, entradas e bandeiras, bombas iranianas, Penélope Cruz e, espero, com este jornal nas bancas de revistas pra me encher de alegria, preguiça e o peito cheio de amores. Eu vou. Por que não?
Como não posso mais falar de política com p minúsculo, volto ao equivalente, à sacanagem, "ma non troppo".
Minha mãe me mandou parar de falar mal das mulheres. Afinal, diz ela, mesmo canalhas e escroques, como eu, têm irmãs e mãe.
Semana passada bastou citar o livro da Luanna Luna, "Manual Amoroso da Neurótica", que ajuda a identificar "homens-roubadas", pra me taxarem, de novo, como misógino, machista e cafajeste.
E olha que já me xingaram de bom e de mau caráter...
Isso é mesmo sintoma de que estamos em plena guerra dos sexos. Sorte um corajoso como eu não ter medo de guerras e batalhas, principalmente quando adoro chupar e pegar nas armas do inimigo...
Foi só começar a moda de livros femininos detonando os homens, para eles contra-atacarem.
A crônica tolinha da semana passada gerou ódio, puxões de orelha, ciúme e o pior dos sentimentos: incompreensão com batatas fritas...
Tem culpa eu?
Eu lá tenho culpa se não sou o homem perfeito? Existe mulher perfeita? Tem coisa aí querendo ser presidente que só não é uma perfeita idiota porque não existe ninguém perfeito.
E as mulheres já não acreditam em príncipes encantados. Assim, com a perereca em fogo, traçam o sapo da hora. A moda agora é antes só do que mal acompanhada. Mais ou menos. Quando bate o furor uterino, o calor na bacurinha, não pensam em outra coisa. Sexo com o primeiro que aparece; casado, ou não, homem ou homo.
Domingo, n’"O Globo", li sobre isso. Depois de toneladas de injúrias femininas, quilos de respostas masculinas. Bateu, levou.
Inclusive do nosso colega Xico Sá, lançando "Chabadabadá" (refrão da música do filme "Um Homem, uma Mulher"), que a sabedoria popular adaptou para: "Sábado ela dá, sábado ela dá". Detalhe, as bundas vagas dão a semana inteira...
Tem também o do Fabrício Carpinejar "Mulher Perdigueira"...
No fundo, como eu conversava outro dia com a Christinna, o problema da guerra dos sexos é que são duas pessoas, completamente diferentes, querendo ficar juntas.
Chega uma hora que o mel acaba antes da lua e sobra só o fel. Mulheres querem mesmo um porto seguro ($). Homens querem apreciar o belo (sexo).
Quem gosta de homem é gay e mulher independente. E mulher independente quer um filho e/ou um escravo...
As mais jovens, enquanto esperam o homem certo - em vão -, gostam de qualquer cartão de crédito, dão e divertem-se com os errados.
Por isso não raro é fácil ver homens feios e velhos com lindas gatas. Onde li que casamento é interesse? E dos dois lados...
Dando uma pausa nos clichês, baixou o Homem Sincero em mim.
Do Chico Buarque, sobre o Vinicius de Moraes: "Diziam que ele era um devasso, quer dizer, um pouquinho ele era sim...".
Não sou mulherengo - só um pouquinho -, apenas sei que em cada mulher reside um universo tão fascinante quanto irresistível. Como passar pela vida sem visitar tantos e misteriosos planetas?
Tua mulher pode ser linda e você tá de olho na grama rala do vizinho, na doméstica, na balconista do Império das Ventuinhas... Porque até caviar, todo dia enjoa...
Você pode estar realizado com uma Dilma, mas, volúvel, quer mesmo é a Cleo Pires, nem que seja só na "Playboy".
Dica mulherzinha do dia :http://deixapraquemsabe.blogspot.com/2009/08/trinta-anos-trinta-e-mails.html .
Sou um pacóvio. Já fui feliz com mulheres maravilhosas e sabia, mas sempre aparecia uma melhor e vice-versa. Estava com uma vagabunda e achando que era a mulher ideal. Me dei mal.
Falei mal não, né? Quer dizer, falei um pouquinho, mas também elogiei muito. Ou não?
Resultado, tô solteiro até hoje. Sou o penúltimo romântico, mas me assusto com mulheres sinceras demais, humanas demais.
A mulher legal pensa em casamento, e eu nunca mais fui à escola. Eu tomo uma Coca-Cola, ela pensa em casamento. Eu dou bom dia, ela pergunta "por quê"? Eu digo "Eu te amo", ela entende "eu te odeio". You say "potato", I say "patattah".
You say "tomato", I say "creole tomata". E nem uma canção me consola.
PS: E olha que sou adepto fervoroso daquele livro "She comes first"...