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Walter Navarro
24/06/2010 - Olhe bem as montanhas, mas, corra Forrest
Walter Navarro
Alguém tem o livro francês “Suicídio Modo de Usar”? Não, não é pra mim... Quero embrulhar uns seis pra presente...
Tenho amigos de verdade e de mentirinha.
Perdi alguns destes japoneses de Pequim, não sei onde os guardei... Mas, não farão falta. Vou dar uma de Coréia do Norte e contratar uns amigos chineses...
Essa gente é igual àquela propaganda de lâmina de barbear: “a primeira faz tchan, a segunda faz tchan e tchan tchan tchan tchannnnnnnn: tofu, sem soja, sem queijo, sem beijo”; como diz o Arnaldo Bloch...
Quem é amigo de vagabundo, vagabundo é... Diga-me com quem andas e te direi... se vou com você...
Mas tatu do bem. Vou fazer o curso de inspetor de dutos N1 ou então gravar meu primeiro CD solo, ainda sem título e com lançamento previsto para o segundo semestre sem privilegiar nenhum gênero...
Quanto mais conheço os seres humanos, mais gosto do Dunga e dos bichos lá de casa.
Depois da morte de seu cachorro, Astolfo, minha irmã Gláucia arrumou mais dois Boxer e, pasmem! Uma ovelha rejeitada pela mãe?
Em minha casa de Barbacena, eles gostam de dar nome aos bois, quer dizer, de dar nome de gente aos bichos. Eu tinha duas sugestões para o casal de cães, mas, desisti. Fiquei com pena e medo do cachorro virar uma dama e da cachorra virar uma vagabunda. Agora eles são Napoleão e Valentina. A ovelha é Vitória, tá gorda igual uma porca, mas, ainda, só bebe água na mamadeira, pode?
Passei um ótimo e prolongado fim de semana em Barbacena, longe das tentações e lamas de Belo Horizonte. Overdose de lareira, frio, Copa do Mundo e de DVDs na TV.
Ultimamente, sem querer, tenho visto muitos filmes com o ótimo Tom Hanks. Revi “Náufrago” e “O Código da Vinci”. Vi o último capítulo da série “The Pacific”, produzida por ele e Spilberg; “A mente que mente”, onde ele faz uma “ponta” e finalmente, pela terceira vez, “Forrest Gump, o contador de histórias”.
Ah! Vi também “Invictus”, que não tem Tom Hanks, mas, África do Sul “oblige”...
Voltando ao Tom que não é Jobim, tem aquela piada que compara o personagem Forrest a Lula, outro contador de histórias. A piada é boa, mas nada a ver. Lula é contador de mentiras. Forrest, além de fazer mal a ninguém, ainda ajuda todo mundo: estranhos, amigos e principalmente seu grande amor Jenny que faz dele “gato e sapato”.
Forrest, ao contrário de Lula e sua Dilma, é um ingênuo, um puro, um Candide de Voltaire. Sem generalizar, a ingenuidade é a marca da bondade, o cinismo, da maldade.
Pra quem não tem a sorte de Forrest, a ingenuidade é prejudicial à saúde e o cinismo ajuda a sobreviver na selva.
Sou nenhum Forrest, mas, ainda tenho a estranha mania de acreditar nas pessoas. Por isso vivo me ferrando com amigos da onça, Jennys e Genis...
Forrest não fumava, não bebia, não transava, não cheirava e vivia no mundo da lua. Eu também, só minto um pouquinho...
Forrest foi à guerra do Vietnã. Nunca lutei uma ou em uma. Forrest pescava camarões, limito-me a devorá-los. Gosto de pingue-pongue, mas nunca fui um virtuose, como Forrest que conheceu vários presidentes dos EUA. Eu, graças a Deus, nunca nem cumprimentei um presidente brasileiro. Ele confiava em todo mundo, eu confio mais nem na minha sombra. Forrest adorava correr e correr. Eu gosto de andar e caminhar. Com Activia...
É aí que, finalmente, penetro o tema de hoje. Tem a ver com ingenuidade; comigo caminhando na estrada de terra ou no asfalto, em Barbacena e com Forrest Gump correndo pra escapar de todos os perigos e problemas...
Nos anos mais antigos do passado perfeito, anos 70, meu pai tinha uma Veraneio dourada porque éramos sete.
Certa feita, voltando das férias em Barbacena, para Campinas (SP), onde vivíamos, recebi, sem saber, o melhor conselho único de meu pai: "Amor não é aquilo que te deixa desnorteado e parece não ter fim. O nome disso é o Galvão Bueno tocando vuvuzela, num comício da Dilma. Amor é outra coisa...".
Mentira. Ele viu um caipira de bicicleta vindo no acostamento, na contramão e disse: “Meu filho, olha que cara inteligente. Ele vem na direção contrária pra ver quem vem de frente pra ele, assim, ele nunca será surpreendido por quem vem de/por trás”.
30 anos depois, vejo que este conselho não serve apenas para o caipira de bicicleta ou para minhas caminhadas, mas pra vida, pra tudo o que a gente faz.
PS: Mas, o mais terrível é dormir com o inimigo. O mais horrível é que, às vezes, o perigo não vem de trás, nem da frente, está ao seu lado, caminhando de mãos dadas com você... Corra Forrest, corra Lola, corra!