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03/06/2010 - Um conto de horror ao cair da tarde matinal

Walter Navarro


Estou triste com as mortes da artista-plástica Louise Bourgeois e do ator Dennis Hopper. Dela, adorava as aranhas e “indecências” esculturais. Consola-me ter tido bela e longa vida: 98 anos!
Mesma coisa para Dennis Hopper. Dele pesquei isso em homenagem da Ana Maria Bahiana: "Sou apenas um caipira de Dodge City,  neto de fazendeiros. Pintar, atuar, dirigir, fotografar para mim eram apenas parte de ser artista. Foi assim que ganhei a vida e fiz dinheiro. E me diverti. Não foi uma vida ruim."
Dois artistas plásticos...
Na mesma Bahiana, sobre o fim de “Lost”, duas citações que têm tudo a ver, pra quem entende inglês: “This is the end/ beautiful friend/ of everything that dies, the end” (The End - The Doors). “And in the end the love you make is equal to the love you take” (The End - The Beatles).
Neste clima nostálgico e melancólico, passo ao conto de horror...
Três artistas plásticos...
Fui à uma posse dupla, na Secretária de Estado da Cultura.
Calor de derreter camelos!
Lá encontrei vários canalhas amorosos.
Na rigidez econômica de Aécio Neves, só água e pão de queijo.
E eu lá sou homem de água e pão de queijo?
Assim convoquei três dos patifes para um chope nos arrabaldes. Depois, optamos por um “copo sujo”.
Quando estávamos na calçada, chovia. Dentro, parava de chover e voltava o calor.
Em minha insanidade ambulante, fiz o convite incauto para um engradado de cerveja que eu deveria enxugar rápido e devolver os cascos...
Não precisei convidar duas vezes.
Fomos os quatro iniciar meu suplício de Tântalo...
Chamemos os três artistas plásticos, de alto coturno, como Mancha, Nódoa e Borrão, porque o final desta história é um pouco picante...
A chuva caía lá fora e as louras geladas em minha saudosa maloca.
Uísque também. Vejam o tamanho da tragédia...
Mancha foi o primeiro a abortar a missão, deixando-me a herança maldita de seus comparsas Nódoa e Borrão.
Nódoa tomou todas e desmaiou em minha cama – durmo na sala por causa da televisão – e lá ficou por duas horas. Detalhe, o biltre dormiu de roupa e sapatos... Roncava e babava em minhas fronhas.
Pensei até em chamar uns soldados israelenses pra tirar os terroristas, mas estavam em águas internacionais...
Enquanto Nódoa infectava minha cama, o mais chupa-cabra, Borrão, estava cada vez mais animado, tomando tudo, pedindo música e fumando seu cigarro de palha. Que saudade dos meus perfumes Malbec e Bulgari!
Lá pelas tantas, às tontas, depois de tantas, Nódoa levanta-se, boceja, toma mais uns copos e escafede-se com uma desculpa “luliana”...
Ficamos eu e Borrão, ele motorizado...
Os dois “lulianamente” embriagados, minha cama detonada. Temendo um acidente de carro, ruminei que Borrão deveria dormir na cama. Não precisei convidar uma vez e meia e Borrão já estava soltando gases e sopros em meu pobre leito.
Fui pro “quarto de visitas”, claro.
No meio da noite, numa ressaca de cuspir algodão, a caminho da santa geladeira, deparo-me com a seguinte cena: Borrão só de cuecas e bufando sobre meu edredon. Parecia a Dilma dormindo no cativeiro...
Voltei ligeiro para o quarto. Só podia ser mais um pesadelo. Este ano é um atrás do outro...
Mais uma sede, mais uma geladeira e flagro a seguinte cena de terror: Borrão nu com a cueca enfiada na cabeça...
Resolvi fugir, mas, antes um banho para afastar os maus espíritos que tinha visto.
Ele que se virasse pra me entregar as chaves mais tarde.
Quando saía sorrateiramente, outra visão do inferno: Borrão, de cuecas pegando mais uma cerveja. Isso, às 8h da madrugada...
Juntei-me ao inimigo e aí aconteceu.
Borrão foi ao banheiro. Ficou uns 43 minutos...
Aconselhou-me a não entrar naquele laboratório iraniano...
Saímos. Viajei... Só voltei segunda-feira...
Ao voltar e adentrar o banheiro; quase desmaiei.
Sacam esta mancha de petróleo no Golfo do México? Fichinha...
Borrão borrara o recinto com linda diarréia de cerveja. Não viu, nem me pediu papel higiênico... Não tinha jornal... Usou meu tapetinho verde... Enrolou-o e “guardou-o” sob o armário... Tive que rezar e usar luvas para tirar o patusco...
Outro dia, numa festa, ele aproximou-se e disse: “E aí? Quando é que vamos repetir aquela noitada? Tava ótima...”.
Chamei os israelenses, mas, consegui nem o novo Veja “Perfumes da Natureza”. Só delírios com a Neura da Limpeza...

PS: Voltando à Louise, como diz o amigão Zezão, esperando Godot e um táxi, tomando um cervejão e arrotando perdigotos e mortadela Perdigão: “até as monotipias dela são falsas! Plástica nunca, mas que artista!”. Namastê.