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27/05/2010 - Eu só quero saber do que pode dar certo e sorte

Walter Navarro


Não tenho mais tempo a perder.
Assim, pra ver o que estava perdendo no mundo, fui comprar meus jornais numa livraria que vende revistas e abre aos domingos.
Uma gostosa escolhia livros. Ela levou dois e sapeei suas compras.
Literatura pesada, tipo A Arte da Guerra.
Por isso as mulheres estão como são ou são como estão. Ou sempre foram e serão; mulatas de Ataulfo Alves: assanhadas...
É um motim, tipo Lisístrata... Com mais, sacanagem e crueldade...
Tive o saco de anotar os títulos, todos estrangeiros, escritos por mulheres de língua inglesa e seus seis lábios.
Saquem o arsenal: “Bittergirl – Esqueça o ex e dê a volta por cima”... De preferência pisoteando e empoeirando-o.
“Por isso não provoque, (cor de rosa choque e Rita Lee) – Piadas só para mulheres”. Coisa mais machista!
“Prenda o cara certo ou deixe a fila andar (e a catraca rolar) – O guia da garota inteligente – Para levar os homens à loucura e encontrar o amor verdadeiro”. Trocando em miúdos, enquanto não fisga o bobo certo, divirta-se com os errados.
Este é o mais perigoso e grosso: “Ou casa ou vaza – Entenda de uma vez por que é melhor ficar solteira do que mal acompanhada”. É o famoso golpe do baú, o “ou dá ou desce”, o ou “toma Activia ou desocupa a moita”.
Tem mais: “Por que os homens se casam com as manipuladoras – Um guia para deixar os homens a seus pés”. Homens não, né? Capachos...
E o que falar desse, para as mais interesseiras, desocupadas e incompetentes: “Por que os homens amam as mulheres poderosas? Um guia para você deixar de ser boazinha e se tornar irresistível”.
“Essas romanas são loucas!”.
Ah! No meio desta asneira toda, tem uma brasileira: “A Arte de Virar a Página”. Até tu, Adriana Falcão?
Quanta besteira! Acho que a mulher já nasce sabendo tudo isso. Estes livros só podem ser pra meninas e mulher encalhada ou burra ou feia ou tudo junto.
Nem tanto... Tudo é relativo, como diria o Albert...
Um dia antes, no caderno feminino Ela, de O Globo, tinha uma matéria séria, sobre outro livro brasileiro, da Andréa Franco, com o título: “Por que toda mulher precisa de um gay em sua vida”, bem no estilo do ótimo filme “O direito de amar”.
Para Andréa, o gay é mais sensível, entende as necessidades da mulher e não oferece concorrência... Vai nessa! Conheço um que fala assim: “Ai dela se der encima do meu bofe!”.
Outra tolice. Todo mundo deveria ter um em sua vida. Mesmo porque, canalha a gente acha nos três sexos.
Quer dizer que, todo homem precisa de uma lésbica em sua vida?
Depende da lésbica... Se for linda e delicada, empresto até minha coleção da Playboy pra ela brincar... E ainda adoraria vê-la namorar no sofá lá de casa...
Tem mais. Abaixo da matéria, a crítica de outro livro: “Cuidado! Seu príncipe pode ser uma Cinderela”. Para mulheres (cegas) que namoram gays e não sabem. Diz o crítico, Jefferson Lessa, que o livro deve vender horrores.
Então também vou entrar nessa linha mais canalha que amorosa. Meu segundo livro vai ser “Cuidado, sua princesa pode ser uma Dilma”, pode ser o Pé Grande, o Abominável Monstro das Neves ou estrelar o filme O Monstro do Pântano. No papel de pântano, claro.
E aquela publicidade da lingerie Scala na TV? Uma deliciosa vestindo-se para matar... A cada peça assassina que veste, em frente ao espelho, remói: “Isso é por todas as vezes que você não me ligou. Isso é por todas as vezes que não me mandou flores. Pode apagar meu telefone, meu e-mail, suma!”.
No final triste, tudo é igual a Monk, Lost e 24h: Depois que você tá viciado em seis ou nove temporadas, é hora de dizer adeus; com fé em Deus, no namorado da Madonna e pé na tábua...
A dor da gente (às vezes) não sai no jornal...
Mas, nem tudo está perdido, a não ser meu canivete suíço de doces memórias...
Convivo com mulheres incríveis, fortes, inteligentes e independentes. Mulheres ecumênicas e morais como a linda Bel Kutner, que me ensinou: “Com fé no amor, na bondade, na alegria, no prazer das coisas boas que, além de boas, façam bem. Ver os acontecimentos não como prêmio ou castigo, e sim com sorte. Com todo o mistério que envolve essa palavra. Com pote de ouro e duendes no fim do arco-íris, trevo e ferradura, anjos com asas e cachorros que falam. Sem comparação ou julgamento, que isso é que é o inferno. Ponto”. O inferno são as outras.

PS: Tenho muita sorte. Porque sorte são os amigos e amigas que tenho, minha mãe, meus irmãos e sobrinha. E sorte também é ter a Sabrina ao lado que, vendo minha cara de jiló, me deu um saquinho de balas Chita.