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22/04/2010 - Capas e espadas contra as catracas islandesas
Walter Navarro
Ontem à noite amanheci solfejando aquela modinha do Chico Buarque: “Já passou, já passou, se você quer saber eu já sarei, já curou, me pegou de mal jeito, mas não foi nada, estancou, já passou. Se isso lhe dá prazer me machuquei, sim, supurou, mas afaguei meu peito e aliviou, já falei, já passou. Faz-me rir, ha ha ha, você saracoteando, daqui prá acolá na van, na vara, na farra, que esse filme já passou”.
Troquei algumas bolas, mas tudo bem, já passou. Inclusive um cara hilário, na rua, com camiseta onde se lia: “Chega de intermediárias, namore uma prostituta sindicalizada”. Tão Brasil!
Até a imprensa séria me faz gargalhar. Bastou comentar as páginas amarelas da revista Veja dadas a Aécio Neves e, esta semana, quem está na capa? O espada José Serra por quem meus sinos (votos) dobram.
Tá lá Serra, elegante e simpático, sorrindo para 2011.
E sobre a foto dele, o que lemos? “Artigo – Dilma Roussef - Compromisso com o futuro”: de fazer gargalhar o bin Laden, com diarréia numa caverna do Paquistão.
No artigo, pasmem, Dilma fala sobre seus planos para a Educação no Brasil.
Meu ouriço tá rindo até agora. Uma mulher (sic) que falsifica o próprio currículo com diplomas fajutos da Unicamp pode falar em Educação? Fala sério!
Mas o pior não está na Veja. Aconteceu aqui em Minas. Sempre achei que ela tem cara de quem não lava a cueca... Depois de tentar incluir o túmulo do Tancredo Neves no PAC (Programa de Aceleração da Comédia), a Filha de Chuck veio xeretar em Belo Horizonte e logo em meus domínios. A terrorista, que assusta até o diabo da Tasmânia, foi inaugurar; perdão, visitar a nova livraria Mineiriana. O comentário geral das vítimas presentes era o CC da Dilma, o próprio sovaco de cobra morta... Fedentina que derrubou os livros das estantes...
Não contente e sempre sem banho, à noite, Dilminha foi jantar na casa de minha amiga, Ângela Gutierrez – que, nada boba, escondeu a prataria. O comentário geral da platéia, estritamente feminina, era sobre o prato principal... Seria um guisado de gambá ao molho pardo? Nada disso, Dilma estava de vestido donde exalava o cheiro de jaula... Que nojo!
Mas de quem será a capa da Veja semana que vem? O Ciro em conjunção carnal com a Marina?
Voltando ao lado Jabor, garoto-propaganda de mim mesmo, eu gostaria de ganhar a capa da Veja, pra divulgar meu livro, “O Canalha Amoroso” – dia 29, às 19h, no Café da Travessa, BH. É meu lado Rubem Rodrigues, mistura fina de Rubem Braga e Nelson Rodrigues. Um enaltecia a mulher, o outro descia o sarrafo.
Confesso ter privilegiado meu lado Braga e modesto.
Estou (estava) mais amoroso que canalha. É a velha história do bobo caindo naquela máxima: “Quem vê cara bonitinha não vê o monstruoso Retrato de Dorian Gray”... Mas, como cantei: já passou.
Tô mais preocupado em saber pronunciar o nome do vulcão islandês: Eyjafjallajokull... Perdido em devaneios, frente à mais uma tragédia, depois de terremotos e dilúvios, comparo a Islândia à uma mulher fria, gelada, pequena e insignificante. Uma mosca morta, Belo Monte de Merda que guarda dentro dela todas as maldades da Caixa de Pandora! Quem diria que a Islândia, país inútil e belo; seria capaz de causar tanta desgraça! E eu achando que a Islândia tinha se contentado em nos dar a Björk...
Que estrago pode fazer um simples vulcão preguiçoso e adormecido.
É como se a Bela Adormecida soltasse um enorme pum liberando todo seu veneno e perversão.
Quando você quer elogiar uma mulher, compare-a a um vulcão. Quando quer acabar com ela, chame-a de vulcão adormecido. São as piores.
Dilma por exemplo não é uma coisa nem outra, é um canhão sempre em erupção.
Prefiro a calma e a sensatez do José Serra, tá lá na capa, falando uma verdade sincera: “Eu me preparei a vida inteira para ser presidente”. Isso me lembra, não a Lady Laura, mas a lady de Picasso que sempre repetia: “Minha mãe jurava que, seu fosse político, seria rei; se fosse clérigo, seria Papa. Como virei pintor, sou Picasso!”.
Por falar nisso, esta pedofilia desenfreada na igreja me traz a piada do amigo Dileny Campos: Tem o Papa Bento e o cardeal Papa Anjo extorquindo a frase de Jesus, “vinde a mim as criancinhas...”. Os coroinhas...
Vou convidar o Serra para o lançamento do meu livro... A Dilma não porque, além de fedorenta, vai falar que o autor do livro é o Lula... Pelo menos a parte do canalha... Não abro mão de minha autobiografia não autorizada...
PS: Semana que vem, tenho uma surpresa pra vocês. O resto catatônico já passou.