Walter Navarro

Dizem que estou louco, só por querer dar um Tupolev polonês pro Lula e turma passearem em Smolensk...
Dizem que preciso de auxílio psiquiátrico, choques de gestão em Barbacena, um pouco de Fluoxetina, três tomadas diárias de Olcadil 1mg, quatro de Rivotril ou do Bolsa-Família pra ser feliz por um triz.
O problema é jogaram Artane na minha caixa d’água... Minha cabeça tá rodando mais que os casais do Aldir Blanc, mais que catraca em gafieira.
Desde 8 e 9 de março ando como o cachorro do Astérix, o Ideiafix...
Faço curso intensivo pra ser um sub-Nelson Rodrigues, filmado por Arnaldo Jabor como “Toda nudez será castigada” ou por Neville D’Almeida com “A Dama do lotação”.
Por falar nisso, a melhor frase do Jabor esta semana, em sua crônica sobre Dilma e o futuro do Brasil é essa: “Será que foi por isso que Lula escolheu uma senhora sem tempero, uma gaffeuse sem prática, com “olhos de vingança”, como me disse um taxista? Parece um sintoma”.
Gaffeuse, em francês é quem comete gafes. “Olhos de vingança” rodam cabeças, catracas e taxímetros.
E taxistas e bombeiros sabem tudo, né? Sei de cada caso...
Por isso a Luma de Oliveira trocou o bilionário Eike por um bombeiro. Mas, pelo menos bombeiros têm mangueiras pra apagar o fogo delas, né?
Água de dilúvio que caiu no Rio de Janeiro me lembrou frase machista do meu saudoso pai: “Fogo morro acima, água morro abaixo e mulher quando quer dar ninguém segura”.
Essas só acorrentando na cama, como aquela mãe, pra evitar que o filho voltasse ao crack... E o pé da cama que se dane! Vai virar palito!
Taxistas e garçons são os melhores psicólogos da noite. Como naquela música do Reginaldo Rossi, da menina de família que vai pra cama às 10h, pra chegar em casa à meia-noite!
Mas, vocês acreditam que, outro dia, aconteceu o contrário? E olha que só uso taxista como motorista... Nunca como bombeiro! E ainda pago a corrida! Peguei um táxi e de repente, antes de eu começar a sessão da madrugada, o taxista começou a se abrir comigo, dizendo que ia se separar da mulher, me pedindo conselho... Vê se pode, logo eu...
Só posso mesmo estar louco! Só louco! Meus amigos de verdade estão preocupados comigo. Estão me mandando trocar o tênis e o assunto. Só porque há mais de um mês, metaforicamente, só falo de cabelo no sabonete.
Eles estão certos.
Cabelo no sabonete, além de preguiçoso, é chato e das coisas mais nojentas que existem. Eu odeio cabelo no sabonete.
Pra tirar então, haja unha! E cabelo no sabonete é coisa ardilosa, escorregadia, já escrevi sobre isso.
Se o sabonete é meu, tudo bem. É bem provável que o cabelo também seja. E isso é, no mínimo, um bom sinal, sinal de que não sou careca e de que tomo banho.
Agora, eu ficar me preocupando com cabelo em sabonete alheio? É inútil e nojento.
Se o sabonete não é meu, imaginem de onde veio o cabelo... Que nojo!
Cabelo em sabonete alheio é tão asqueroso quanto bidê de bordel, banheiro de rodoviária, cheiro de ralo e de jaula.
Eu lá vou ficar perdendo tempo espaço escrevendo sobre isso?
Tenho assunto bem melhor, querem ver?
Mas vou voltar ao início deste texto.
Há dois anos Arnaldo Jabor usa sua crônica semanal, aqui em O TEMPO e n’O Globo, para divulgar seu novo filme, “A Suprema Felicidade”.
Se ele pode, eu também quero.
Não, não filmei nada, pelo contrário, eu to querendo é apagar da memória. É que vou lançar meu primeiro livro, “O Canalha Amoroso”, dia 29, às 19h, no Café da Travessa, Savassi.
Tá todo mundo lá: Jabor, Nelson Rodrigues, Chico Buarque, meu pai e outros queridos desaparecidos; o cachorro da minha mãe, o O’Malley; a dama e o vagabundo, a vagabunda e o damo, o canalha e o amoroso, folhas e amores mortos, amores da Zumbilândia, amores armadilha, meus amigos, meus livros, meus discos e muito mais. Inclusive muito cabelo no sabonete. Mas, pelo menos o sabonete era meu...
E já vou avisando... Leiam o livro... Não esperem sair o filme... Porque o filme é outra história...
O filme vai ser Nelson Rodrigues total, com muito Jabor muita “vanpira do lotação” e “lambizome castigando nudez”.
Semana que vem eu explico o título, a capa e a foto da capa.
Semana que vem eu mudo de assunto.
Semana que vem é como o amanhã: outro dia.
E tomara que venha como um brilho terno de uma mente sem lembranças.
O fio de cabelo no sabonete que cai no chão do chuveiro?
Vai pro lugar de sempre, o ralo e depois o esgoto onde é o lugar dele. E, pensando bem, Xampu é muito melhor.
PS: Se eles são bonitos, sou Alain Delon, se eles são famosos, sou Napoleão.