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25/03/2010 - A mulher que roubou a prancha da Bruna Surfistinha

Walter Navarro


Ame e dê vexame. A semana passada foi 1968, o ano que não terminou. Falei sobre injeções, coisas e cães. Divaguei também sobre a máxima do Imperador Adriano, que queria amarrar a namorada numa árvore até que ficasse calma.

Pelo tema, ganhei do amigo Ricardo Carvalho o livro "O Manual do Hedonista". Preciso escrever agora "O Manual do Onanista Mental". Manual e onanismo, tudo a ver!
Cabe mais.

Perguntaram a um de meus escritores favoritos, Tennessee Williams, sua definição de felicidade. E ele: "Insensibilidade".

Meu amigo Mauro Continentino, cuja alcunha é "Contenterindo" porque vive contente e rindo, leu e comentou sempre rindo e contente, a mesma canina coluna. Por vingança, perguntei a ele como consegue ser tão feliz. E ele: "Cinismo". E ainda explicou que cinismo vem do latim: cino é cachorro...

Insensibilidade e cinismo...

Duas belas palavras. Só perdem para "hortifrutigranjeiros" e "catraca". Até sábado, catraca pra mim era coisa de ônibus e estádio de futebol. Até que meu amigo Luiz Fernando Grillo me contou que catraca também serve para numerar a quantidade de homens numa suruba com uma só mulher! Nunca mais encararei uma catraca de outra forma.

Injeções na testa abrem olhos e ouvidos de múmias tetraplégicas.
Escancarando a Caixa de Pandora da semana passada, outro amigo, Dileny Campos, adorou a ideia do Adriano: amarrar a namorada na árvore. E a árvore que se dane!

Porque tem muita mulher que gosta de árvores, troncos, postes e câmbios de van. Não necessariamente nessa ordem.

Basta lembrar o filme "A Bela da Tarde", de Bünel, com Catherine Deneuve. Mais devassa que uma cerveja, Catherine era uma mulher fina, elegante, bela, vespertina e frígida com o marido. Em compensação, na calada da tarde, entregava-se aos mais pérfidos jogos eróticos e com qualquer um.

Justamente uma de suas fantasias era ser seviciada atada a uma árvore... Posso apostar que Adriano não é fã de Bünel e nunca viu uma Catherine mais falsa.

Detalhe da catraca: nos bailes funks, que os jogadores do Flamengo adoram, as mulheres são chamadas de "cachorras". E essas a gente pode amarrar na árvore com corda ou linguiça. E linguiça e corda que se danem.

De Bünel para Nelson Rodrigues foi um pulo. Ainda que no abismo abissal.

"A Dama do Lotação", "Bonitinha, mas Ordinária", "Perdoa-me por te Traíres" e a fila continua porque é sempre a mesma história com final trágico e infeliz.

Então, a partir dessa linha e a pedidos, mudemos de assunto para sempre.
Falemos de amor! A vida é bela! E sonhos, sonhos são.

"Falando de amor" é linda a música de Tom Jobim com este trecho assim: "...Quando passas, tão bonita, nessa rua banhada de sol, minha alma segue aflita e eu me esqueço até do futebol. Vem depressa, vem sem medo. Foi pra ti meu coração que eu guardei esse segredo escondido num choro canção, lá no fundo do meu coração".

O cinismo consiste em ver as coisas como elas são, não como deveriam ser. Oscar Wilde.
Então, agora, vamos falar de política.

A política é uma coisa de louco! E eu sou contra tudo isso que está aí.
Eu sou contra até o nado de costas.

E contra a corrente também. Principalmente em casa de enforcado.
E quero saber quem matou o Glauco! Não foi Jesus não!

E quero saber quem matou a menina Isabella e a Odete Roitman.

E recebi um vídeo da Miss Argentina nua e pelada. Isso é que é Amélia de verdade!

Aí lembrei de uma frase ótima da Danuza Leão: "Eu tenho uma alma de Amélia". E mais uma explicando por que não namoraria homem casado: "Não sou mulher pra cinco às sete. Sou mulher full-time". E outra da Danuza pra terminar: "Eu não trairia um marido porque, quando olhasse para ele, teria de dizer: ‘Pô, mas esse cara é um corno!’. E eu não quero um corno como marido".

Voltando à coluna da semana passada, uma boa notícia: minha irmã melhorou o astral, a dor pela perda do Astolfo amaina-se e ela já pensa em comprar outro cachorro, para novas histórias felizes para sempre.

Eu também. Mas, vou comprar um ouriço que é mais elegante. E um ornitorrinco pra passar a mão.

E se acabarem com o Rio de Janeiro a gente funda o Rio de Fevereiro.
Piada do ano, contada pelo amigo Luciano Prazeres, em tarde de prazeres, no Café da Travessa: "Um casal gay adota um filho. O menino vai tomar banho com o pai e diz: ‘Nossa, papai, que coisa enorme!’. E o pai: ‘Isso porque você ainda não viu o da tua mãe’".

Escrito em Belo Horizonte - a cidade do cemitério do artista desconhecido.

PS: Quero nem saber quem pintou a zebra, eu quero é o resto da tinta.