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Walter Navarro
05/01/2012 - Reprodução por meio de soluços limpos e sem vícios
Walter Navarro
Agora entendo por que o Berlusconi é assim! Entre Natal e Réveillon, em vez de pensar na morte da bezerra da Silva, assisti à primeira temporada completa da série “Spartacus - Sangue e Areia”. E bota fogo e sangue nisso! 12 capítulos magistrais; bônus com “making of” e melhores cenas.
Sempre gostei do filme original, de Stanley Kubrick e com Kirk Douglas. Para a época (1960), até hoje é um filmaço, mesmo com as chatas e açucaradas cenas de amor, obrigatórias em todo clássico para atrair o público feminino; uma xaropada, como dizia meu pai, tendo como pano de fundo uma musiquinha irritantemente lânguida.
Literalmente não há cristão e leão no Coliseu que aguentem. Kubrick era tão bom que cenários, figurinos e cenas de ação ainda dão um baile em muita computação gráfica, efeitos especiais, recursos digitais e atuais. Por isso fiquei meio decepcionado com o não menos ótimo Gladiador (2000), de Ridley Scott, com Russell Crowe, mesmo com as chatas e açucaradas cenas de amor... É um exagero de computação, datando e tirando o lado verossímil do filme. “Much is too much”. A reconstrução de palácios e prédios antigos é risível, ridícula. A tecnologia enterra a própria tecnologia. Como automóveis e computadores que saem da loja, velhos. Aquela chatice de “Avatar” – que não me pegou até hoje – daqui a pouco já era. Sem falar nesta antipatia de 3D. Mas porque tinha gostado muito da série “Roma”, do HBO e com recomendação de meu irmão Newton; dei uma chance a “Spartacus” e não me arrependi.
“Spartacus” é aula de história, violência, política, sexo, usos, costumes, vícios, hábitos, sacanagem, mentira, traição, ereção, ação, interpretação, roteiro, direção, amor e outras drogas. Até o exagerado uso do sangue no fio de espadas e facas tem razão de ser, deu ao filme o lado gráfico das histórias em quadrinhos. No “making of”, uma mulher prepara uma ferida com maquiagem, usando um potinho de tinta vermelha. Potinho idêntico ao do menstruado molho do rolinho de primavera que eu devorava em frente da televisão.
Agora entendo (mais) a decadência do império romano. Agora sei por que gosto de uma boa orgia sem nunca ter participado de uma... Detalhe mórbido: o ótimo ator principal, Andy Withfield, morreu logo depois, quando gravava a segunda temporada, aos 39 anos, de câncer. E o que tem de mulher gostosa na série? Nunca vi tantos peitos lindos e perfeitos. O produtor pegou pelado, melhor, pesado. Até nas arquibancadas das arenas, durante as lutas dos gladiadores, tem mulher mostrando e balançando os peitos, fora os casais trepando em público.
Aliás, depois da violência, sexo é o dominante. Várias orgias, surubas e bacanais romanos. Amei o papel das escravas. O casal vilão antes de transar, pra esquentar os tamborins, tinha a devida dose de excitação. A mulher usava os dedos de uma escrava, o homem a boca de outra. Ao contrário das chatas e açucaradas cenas de amor, muita putaria, com cenas de pedofilia, boiolismo, sapatismo, taras várias, estupros gerais, promiscuidade, e mais o que imaginarem.
Todos os maridos eram cornos e, logo, suas mulheres, safadas. Uma delas diz à outra: “Os homens são tolos, não sabem que temos muitas necessidades”. Falava isso e ia chifrar o marido com um gladiador de sunga e suado. Lutador da escola de gladiadores do marido, claro.
Os únicos “bonzinhos” são Spartacus e sua linda mulher, Sura... Mesmo assim, imaginei que ela fosse conhecida na Trácia natal como “Shura ou engole”... Por falar nisso, todo mundo conhece a história de Spartacus, o guerreiro trácio que, traído e feito prisioneiro pelos covardes e depravados romanos, vira gladiador no pão e circo e mata metade do elenco; tudo em nome da tal liberdade e pra reencontrar a amada Sura, vendida como escrava branca a um mercador e traficante sírio. E quando Spartacus cai em desgraça, desonrado por ter pedido clemência? Para se reabilitar é obrigado a lutar no humilhante e desesperado Fosso da Morte; um tipo de Vale Tudo até a morte. Por exemplo, um dos monstruosos lutadores, ao matar seu adversário, arranca-lhe o rosto à faca, para usar como máscara no próximo embate. O Fosso da Morte só perde para Brasília... Gladiador morto, gladiador posto.
A próxima temporada terá outro ator como Spartacus, mas não menos violência, sexo e corrupção, de novo, só perdendo para Brasília, de segunda à quinta-feira.
PS: Imperdível também é “O ataque das vespas mutantes”. Feliz Páscoa e um ótimo 2013. Ah! Claro, feliz aniversário gladiadora...