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08/12/2011 - O platônico e homérico calcanhar de Aquiles de Sócrates


Walter Navarro


Eu ia escrever sobre futebol, mas, 6X1 é futebol?


Enfim a ministra Fátima Bernardes caiu, pediu demissão alegando razões pessoais e perseguição política da oposição (SBT, Record, Band, Rede TV e MTV).


Mas, seu marido, o apresentador do "Jornal Nacional", Carlos Lupi, não vai ficar sozinho. Herdou a gostosa Patrícia Poeta que abandonou o Zeca Camargo no "Fantástico". Zeca Camargo também não estará só. Pelo que dizem as más línguas fofoqueiras e homofóbicas, seu companheiro de chapa já é o Raí.


Raí, como contei, há algumas crônicas, é irmão do jogador Sócrates, o Doutor, o Magrão, eterno ídolo do Timão que nunca tomaria uma surra de 6x1 se, ainda por cima, tivesse a chance de rebaixar à segunda divisão do Brasileirão, seu arqui-rival, o Palmeiras.


Sério, goleada de 6x1 no último jogo do campeonato não é futebol. O Timão foi campeão brasileiro com um vulgar 0X0...


6X1, sem tirar de cima, eu daria é na Fátima Bernardes e na Patrícia Poeta. Mentira, mas, no zero a zero ficaria não...


Podem me chamar de repetitivo principalmente citando Nelson Rodrigues que torcia pelo Fluminense que não fez feio neste campeonato. Nelson dizia que o que não é repetido, resta inédito. Então...


Para irritar os puristas e bobos, confesso torcer para quatro times, com a mesma paixão de plástico, de vidro.


Morei em Campinas e lá, sou Guarani. Em 1978 eu estava com o primo José Octávio, no estádio Brinco de Ouro da Princesa do Oeste vendo o Guarani (Bugre) ser campeão brasileiro.


Em 1977, estava no Morumbi, com o amigo Alexandre "Siriema" Marucci Bastos, vendo o Corinthians ser campeão paulista contra a Ponte Preta - rival do Guarani em Campinas - depois de um jejum de 23 anos (22 anos, 8 meses e 6 dias).


Assim, aos 15 anos fiquei fã do Timão e um ano depois, ainda mais orgulhoso do Bugre.


No Rio de Janeiro, sempre torci pelo Fluminense, gosto do vermelho, verde e branco, mas, os culpados mesmos são os ilustres torcedores, Chico Buarque e o já e sempre citado Nelson Rodrigues, fanáticos pelo Fluzão.


Em comum, Fluminense e Corinthians têm outra coisa boa: Rivelino e seu bigodão que aplaudo desde 1970.


Em Minas sou, digamos, atleticano, mas, não quero falar de 6x1 porque isso não é futebol.
Quero falar do Sócrates, ídolo do meu Corinthians e do meu Fluminense.


Até quem não é corintiano gosta/gostava do Sócrates. Pra começar, ele destoava, o cara era médico e falava português correta e correntemente.


Era politizado e feio pra caralho, mas tinha classe e nunca levaria um desaforo de 6x1 para casa.


E seu calcanhar?


E Sócrates na seleção brasileira quando a gente tinha seleção brasileira? Nunca amarelou, a não ser, talvez, na cirrose que o tirou de campo.


Fiquei triste com sua morte aos 57 anos, poderia ter sido comentarista da Globo pra pegar a Patrícia Poeta nos corredores.


Poderia ter sido técnico.


Mas, "preferiu" entregar-se às armadilhas do álcool como vários de meus amigos que morreram disso. Eu mesmo, exagerado como um Cazuza, preciso diminuir. E olha que nunca fui ídolo como Sócrates. Em compensação, também nunca apanhei de 6x1 podendo rebaixar meus inimigos que estão no poder.


Não tenho grandes memórias de Sócrates jogando. Naquela época nem gostava tanto de futebol. Burro né? Fui apreciar logo agora que não temos mais futebol e apanhamos de 6x1, coisa da qual não quero falar porque me dá vergonha e isso não é futebol.


O Brasil era complicado no tempo em que Sócrates foi rei, talvez mais romântico e talentoso no futebol, mas mais complicado, talvez até mais triste.


Liberdade era uma coisa de comer ou de passar debaixo do braço; mas tudo é relativo e nem sempre democracia e liberdade rimam com honestidade, ética e coragem.


Vejam o Brasil de hoje. Este governo que está aí derrubando um ministro por mês. A Fátima Bernardes foi a sétima e mais recente. E vem mais por aí... O ministro Sérgio Chapelin pode ser o próximo... Do Cid Moreira ninguém nem mais fala.


Sócrates era magro alto e usava uns uniformes altos, magros e apertados com aquelas pernas de siriema e barba falha de sindicalista vagabundo.


Devia ter seus motivos e/ou fraquezas pra beber até morrer, mesmo sendo um grande jogador e um grande ídolo que nunca levaria um vexame de 6x1 para casa. Uma 51 tudo bem, mas um 6x1 é intragável.


E que presente a classe de Sócrates deu ao Corinthians. Morrer no mesmo dia do pentacampeonato!


PS: Só sei que nada sei, mas, sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos, nem um 6x1 (Sócrates, o filósofo grego).