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01/12/2011 - E agora Josué, que a festa mal começou?


Walter Navarro


Quarta passada e-mail da amiga, colega e editora deste Magazine, Silvana Mascagna, "avisou" que o último parágrafo da minha crônica - literalmente de quinta - tinha sido atropelado por um cachorro-quente, subiu no telhado e quebrou as três asas. Tive ganas de esganá-la, mas, como amo muito aquela baixinha, liguei o phoda-se e fui tomar uns querosenes pra esquecer meu amor não correspondido pelo Carlos Lupi.

Quando vejo Dráuzio Varella me dá vontade de fumar. Quando vejo a Silvana Mascagna me dá vontade de chamar o marido dela, Josué Canda, pra tomar um porre como tomamos, há séculos, no aniversário do saudoso Fernando Fiuza que, durante séculos, ilustrou esta crônica.

Mas, Josué era um misantropo de veludo. Silvana me disse que ele tinha fixação com o gueto de Varsóvia... Lia e escrevia sobre, compulsivamente, sem publicar. E olha que o cara já revisou texto até do Paulo Francis!

A culpa de eu estar aqui é do Josué. Foi ele que, em 2000, me chamou de volta ao jornal depois de três anos de castigo sem crime. Fomos almoçar no Splendido, com o primo Paulo Navarro que também pedia minha volta. Para Josué o jornal estava muito "anódino", precisava de um canalha; de confusão, mas, confusão vigiada. Resultado; recomecei as cizânias logo nas primeiras semanas. Josué me xingava, ameaçava, mas, de mentirinha. Gostava de mim, mantendo a ordem e a fama de mau no estilo "alguém tem que fazer o trabalho sujo". Tirou-me de várias armadilhas, puxando minhas orelhas de abano e, ao mesmo tempo, me protegendo e orientando. Uma vez um bobo ligou pra ele pedindo minha cabeça. Só que o bobo não sabia que Josué sabia que o bobo, pelas costas, já tinha chamado Josué de "paulistinha de merda". Josué me ligou morrendo de rir e pedindo que ficasse esperto com o bobo que se fazia de meu amigo.

E agora, Josué? A festa ainda não acabou, paguei a conta no débito automático e a luz não apagou, o povo não tomou Doril, a noite esquentou porque o verão chegou e agora, Josué? Como vou pagar o vinho que te prometi; logo a você que zombava dos idiotas, que fazia versos, que amava, protestava? E agora, Josué? Quem vai me defender quando os petistas me morderem? Lembra do ano passado? Dos acólitos de Dilma que queriam me ver na cruz e dos lambe-botas do Lula que me queriam na caldeirinha? Você saiu do seu gueto de Varsóvia me dando toques e tesouros ainda no meu baú. Dia 10 de novembro de 2010, você parou tudo o que fazia ou não fazia e me escreveu três longos e-mails; 10.705 caracteres com conselhos e opiniões não de editor, mas de irmão mais velho e mais sábio, de amigo realmente preocupado. E agora Josué o Audaz? Está sem mulher, sem discurso, sem carinho, já não pode beber nem fumar, cuspir já não pode.

Quer dizer, sei lá se não pode... Nem com Drummond, Lucy e diamantes conheço o céu.

Relembrando, aqueles dias você escreveu: "É tão duro... Eu mandava cortar quando eu julgava. Mas não era tanto assim. Minha memória gosta de me perdoar, é sacana, mas julgo não tivemos muitos problemas (tivemos?). Muitos??? (...) eu falo e nunca quero magoar. seja neste ou em qualquer outro texto. nem puxão de zoreia. é minha maneira. e sabes sou famoso como casca grossa. mas no teu caso nem isso. (...) Minha opinião é a seguinte: Ou o jornal banca o colunista ou o demite. (...) Vc é um babaca. Não tem noção do quanto vc poderia conseguir. Vc tem o que é difícil nesta moçada e em todo cronista. Tem porque é teu e não percebe. Já era para vc estar lá adiante. No fundo és um pouco provinciano. Vc tem talento. Do mal como diz quem manda (...) E se não lhe agradar a posição do jornal então caia fora. Se atende também tuas necessidades, o que eu espero assim seja, então seja com que texto for o importante é nossa emoção sobreviver.... desculpe se não lhe posso ajudar mais.

PS - Má num tô a fim de levar borduna de xiita por tua causa rarará... Não sou jesuis prá ficá entrando na frente de puta... Tá maluco??? Eles dilapidam mermo. É a Lei.
durma com Deus.

abraço do Josué".


PS: Josué, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não morre, você é duro, Josué!