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Walter Navarro
03/11/2011 - Meu Deus, o que será de mim sem Zezé Di Camargo & Luciano?
Walter Navarro
Caim e Abel. Os Irmãos Marx. Os Irmãos Bacalhau! Os Irmãos Metralha! Warner Bros e Os Irmãos Brothers!
Vou dar um tiro nos pulsos. Sonhei que Zezé Motta & Luciano separaram-se. O que fazer sem estas duas patativas da música sertaneja que tanto amo, venero, idolatro numa perplexidade de criança?
Como passar minhas horas de sutileza, lazer e fossa?
Com que trilha sonora agora assarei minha carninha na laje, no sítio, na fazenda, na casinha de sapé?
Com que melodia imortal consolar-me-ei das dores de tantos amores?
Com que poesia conquistarei as musas deste Brasil agrário por natureza e sutileza?
Estou mudo. Tenho forças nem pra ligar o rádio e procurar outro alento.
“Choram as putas e as negras da Bahia” e eu não estou passando muito bem.
Ah Zezé! Ai Luciano! Por que me abandonaram órfão de tanta arte?
Vou chorar até ficar com dó de mim.
Não tem Chitãozinho, nem Xororó...
Nem um convite da Sandy para tomar caju aplacaria meu torpor.
Nem um colóquio com Wanessa Camargo e Rafinha Bastos diminuiria minha dor...
Os dois filhos de Francisco... Logo eles...
Dizem que é mentira, que foi só uma sutileza entre irmãos, que a paz voltou a reinar entre os meninos. Não acredito.
Sinto no âmago de minh’alma.
Eu era tão feliz solfejando: “É o amor”, “O dia em que saí de casa”, “Dou a vida por um beijo”, “Mentes tão bem”, “Tapa na cara” e “Sutileza de elefante”. Nunca mais...
Eu sem Zezé não tenho porque, porque sem Luciano não sei nem chorar. Sou chama sem luz, jardim sem luar, luar sem amor, amor sem se dar, Brasil sem Lula, Esporte sem Orlando Silva, PC do B sem criancinhas e propinas.
Eu sem Zezé & Luciano sou só desamor, um barco sem mar, um campo sem flor. Tristeza do Jeca que vai, tristeza do Jeca que vem. Sem a sutileza dos dois não sou ninguém.
Nem consultando identidade, CPF e passaporte; sei quem sou. Ah que saudade, que vontade de ver renascer esta dupla sutileza! Voltem queridos, os meus ouvidos precisam de tuas maviosas vozes. Teus ouvidos precisam dos meus aplausos, ais, gemidos, gritos e sussurros. Estou tão sozinho, tenho os olhos cansados de olhar para a TV vazia. Vêm ver a vida, sem vocês meus amores não sou nem um Sarney.
Sem vocês, ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire.
Foi numa sutileza de sinistra memória que fiquei sabendo que minha dupla dinâmica favorita subiu no telhado das ilusões perdidas.
Lá estava na TV, desconsolado, Zezé explicando à platéia de Curitiba a ausência de Luciano.
Por falar em Curitiba, leiam a sutileza deste Twitter: “@curitibanice – Ser curitibano – Fim de Zezé e Luciano durante show em Curitiba comprova que nossa cidade é a melhor em separar o lixo”.
Quanta maldade! Quanta inveja!
Pra piorar, Luciano passa mal, seu corpinho de efebo sente falta de potássio e acaba no hospital... Que tortura! Que agonia! Que tormento! Como tenho sofrido; descrente da vida, descrente de mim.
Porque já avisei. Vou ter um troço! Como dar bom dia ao sol, às plantas, às flores; como comer churros sem a sutileza de Luciano Di Camargo & Zezé?
Esta vida é pouco sutil: dá e tira... Meu Deus; se foi pra desfazer, por que é que fez?
E é mentira que o mundo atingiu sete bilhões de habitantes. Somos apenas 6.999.999.999 bilhões porque não contem comigo, sou ninguém sem Zezé & Luciano, meus faróis.
Ficar sem Zezé & Luciano é como mergulhar no rio e não se molhar; é como não morrer de frio no gelo polar. É como não sentir calor em Cuiabá ou como no Arpoador não ver o mar.
Não durmo mais, não como mais. Fico vagando sem sutileza como um zumbi por minha sala, arrastando correntes como um fantasma sem ópera, mato e cachorro.
Tadinho de mim!
Sou um avião sem asa sobre o Cazaquistão, fogueira sem brasa e sem sardinha.
Sou eu assim sem Zezé e Luciano. Futebol sem bola, Piu-Piu sem Frajola, amor sem beijinho, Buchecha sem Claudinho, cenoura sem caldinho, circo sem palhaço, namoro sem amasso, deputado sem comissão. Eu não existo longe de Zezé & Luciano ou vice-versa. Sou neném sem chupeta, modelo, atriz e recepcionista sem boquete,
Romeu sem Julieta, Tristão sem Isolda, Abelardo sem Heloisa, Édipo sem sua mãe.
Carro sem estrada esburacada, beijo sem goiabada, cantora de MPB sem coturno, Enem sem escândalo.
Não sei quando tô com fome; por que virei jornalista e muito menos onde guardei o pente Flamengo.
Eu sem Zezé e Luciano só escuto Tom Jobim! Que merda!
PS: Os eleitos dos deuses vão para o Hospital Sírio-Libanês. Os eleitores dos diabos vão para a fila do SUS. Sem sutileza.