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13/10/2011 - Steve, eu queria ter a sua vida e o teu Job


Walter Navarro



Tinha um Blindex no meio do caminho. No meio do caminho tinha um Blindex. Nunca me esquecerei das retinas fatigadas; que no meio do caminho tinha um Blindex e que esta será a pior crônica jamais escrita no paraíso de Angra dos Reis.

Tirem os velhos da sala, please.

Todo mundo falou, todo mundo tá elogiando o Steve Jobs, a vida e morte nada Severina de Steve Jobs. Eu não queria falar do Steve Jobs, meu negócio era Angra dos Reis, onde passo um infernal e primaveril feriado de Dia das Crianças Alheias.

O problema é que tinha um Blindex no meio do meu caminho e o Steve Jobs não me avisou. Aliás, o Steve Jobs nunca me ensinou porra nenhuma, nem o sentido da vida e muito menos quem é o Steve Jobs que dirige a BHTrans. E dane-se Belo Horizonte porque estou em Angra dos Reis, longe e perto de tudo que me interessa, principalmente das portas de Blindex no meio do caminho e da minha testa que não é feita de Blindex, muito menos de pau, apesar da peroba que me é cara.

Então, vamos lá. Tinha um Steve Jobs no meio no meio do mundo. Sorry periferia de todo o planeta, mas, não vou sentir tanta falta do bom e velho Steve, mesmo porque, sem telefone, sem computador; uso o alheio, o do bom e jovial Décio Freire, pai. Pai do Décio Freire Filho, dono de Angra dos Reis e do invisível e lindo Blindex que estava no meu caminho; logo eu, sem norte, sul e bússola.

Dizem por aí que Steve era um gênio do quilate de Da Vinci, Einstein e do cara que dirige a SPTrans. Não Sei. Não estou em São Paulo, mas num Blindex em Angra dos Reis: atordoado, esbofeteado, sem telefone, computador, mato, cachorro e criança no Dia das Crianças.

Sabem qual a única invenção do Steve Blindex que uso e abuso? O primeiro iPod que ele criou. O iPodizinho, aquele pequenino, onde cabem apenas 160 músicas que já decorei de cor e salto alto. E só tenho este aparelhinho porque foi presente da doce Liana, lembrança de uma de suas mil e 16 viagens internacionais.

Todo mundo diz que é fácil contornar um Blindex. Todo mundo diz que é mais fácil ainda manipular as criações extraordinárias de Steve Jobs que estava no meio do caminho do mundo. Dizem que tem gente que nem precisa do manual de instruções, aquele papel ou caderno em letras minúsculas que me faz dar de cara em Blindex que está no meio do meu caminho sem volta.

Em abril e em Miami, comprei um iPod mais possante. Até hoje ele está na embalagem porque sei nem ligá-lo e a Sabrina diz que preciso de um programa para baixar músicas do rei da pirataria, Steve Jobs. O que será que a BHTrans e o Ecad pensam de Steve Jobs? O que será que Steve Jobs pensa da BHTrans, do Ecad e do Blindex? Foi Steve Jobs que inventou tudo isso e, no sétimo dia, a roda, o iPad e o Brasil? Só sei que tinha um blindex de voz rouca no meio do caminho. O Blindex tosse sem parar e imagina pra parar. Adoro Blindex, menos no meio do meu caminho e da minha testa que não é à prova de Blindex. Foi uma pororoca de sangue e fúria em Angra dos Reis. Sobrou até pro meu grande lábio superior e meu joelho esquerdo e inferior com complexo de superioridade de anão. Complexo com x de Blindex.

Tinha um bunda no meio do caminho, mas bati a cara foi no Blindex.

Tô tonto até agora, porque o Blindex era um legítimo Blindex escocês, invenção, não do Steve Jobs, mas do diabo.

Quando tentei começar um doutorado em Paris, meu amigo Leo Cunha me fez comprar um computador do Steve Jobs. Nunca consegui mexer com ele no Brasil. Se não terminei minha tese a culpa é do Leo e do Steve. E Leo vive me culpando de colocar a culpa em tudo e todos, menos em mim. Ele está certo. Não posso culpar o Blindex porque ele chegou antes de mim, eu é que tinha de driblá-lo, mas não, fui brincar de homem invisível, mas tinha um Blindex invisível no
meio do caminho e, como era invisível, não o vi. Já minha testa, não só viu como testou.

Este texto vai sem revisão porque o barco do Décio está me esperando para um passeio. Só peço a Deus para que não haja um Blindex no meio do mar.

E tem mais. Não tenho SmartPhone, nem iPhone. Aliás, nem telefone tenho mais porque ontem de madrugada uma parede se jogou contra ele. E meu celular era daqueles mais simples, daqueles que recebem as mensagens mais simples, daqueles que atraem paredes e problemas. E garanto: paredes são tão duras como um Blindex.

Sinto mais falta de um bidê do que do Steve Jobs e suas invenções de Professor Pardal.

PS: Sinto falta mesmo é do Professor Pardal e dos manuais do Professor Pardal e do Tio Patinhas.