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Walter Navarro
22/09/2011 - Ai que loucura! Descobri que tenho tênis pequeno
Walter Navarro
Meu Deus! E agora? O que vou fazer da vida? Me adorando pelo avesso, a Alinne Moraes me contou que meu tênis é minúsculo, ridículo! Logo eu que, quando ia ao banheiro pedia licença pra “drenar o monstro...”. Que vergonha da vizinha!
Bem que eu desconfiava... Uma vez a Deborah (Secco) disse antes da gargalhada: “Ahhh, que bunitim! Já fumei cigarros mais grossos que isso”.
Por essa não esperava. Por isso as mulheres andam me apontando na rua... Uma delas até puxou papo: “Você sabia que tem uma cirurgia para consertar isso?”. E a amiga dela: “Uau, e seu pé que era tão grande e esse tênis desse tamanhizin...Trenzin...”.
Melhor começar pensar nesta cirurgia porque reza a sabedoria popular que homem com tênis pequeno passa por mulherengo e galinha, mas, no fundo, é misógino e homofóbico. Bate em mulher... Dá ré em quibe...
Sei não, às vezes um charuto é só um charuto, às vezes o mulherengo é galinha porque gosta mesmo de mulher... Às vezes é só inveja do tênis...
Muita coisa faz sentido agora, como o que me disseram, na mesma cama, na mesma noite, a Juliana Paes: “Ai, de repente me deu uma dor de cabeça...” e a Cléo Pires: “Posso ser honesta com você?”.
Pelo menos não sou baixinho, o que seria dupla tragédia. Todo baixinho complexado tem carrão preto. E eu; que nem carro tenho? Muito menos tênis grande.
Napoleão Bonaparte, um baixinho que quis dominar o mundo. Alexandre O Grande também devia ser O Pequeno, assim com Adolf Hitler que foi recusado na escola de belas artes de Viena porque tinha pincel pequeno. O Sarkozi que, pra tirar fotos, sobe num banquinho, procurou e achou aquele avião da Carla Bruni. Alguém me disse que os franceses devem ter tênis muito pequeno, o que justificaria seus monumentos fálicos e construções colossais, a megalomania, a mania de grandeza.
Pol Pot, Stalin e Mao também tinham tênis pequeninos na Terra dos Gigantes?
Vou virar um Kadafi?
Consta nos astros, nos signos, nos búzios. Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás que meu tênis não passa de oito centímetros, isso com cadarço duro e amarrado num palito de Chicabon...
Que vexame! Todavia, perco a linha, mas, não a agulha!
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas. Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais que eu fico deitado pra dar a impressão de que o tênis é maior... Coitada é da meia, tem que fazer um esforço sobre humano porque quase não dá pra sentir.
Será que se eu regar ele cresce?
Por isso a Sandy dispensou o KY e gritou quando viu meu tênis, “demi-bombé”: “Por que Deus está me punindo? Pelo menos isso não vai demorar muito. Eu nunca vi nada igual antes. Até o do Júnior é maior!”.
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela. Está no seguro, picharam no muro, fizeram um cartaz dizendo que tênis pequeno provoca péssimo caráter, dentes amarelados, podres; alcoolismo, banha e babaquice... Sem falar que, geralmente, aqueles prejudicados em comprimento e espessura não costumam tomar banho. Geralmente são pobres, cretinos e escrotos.
Ah! E tem olhos de tubarão, frios... Por isso as profissionais detestam homens de tênis pequeno, principalmente as Marias-Caçapa que ainda tiram sarro: “Mas ele ainda funciona, né? Tá parecendo pouco usado... Você está com frio? Isso é uma ilusão de vodca?”.
Até lembrei aquela piada do Juca Chaves que adaptei para a lua de mel do casamento real, quando Kate diz para William: “Meu Gatão, isso é tênis que se apresente ou agulha de injeção?”.
Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis. Consta nos Ovnis, no Pravda, na ótica que, por eu ter tênis pequeno, as mulheres fingem e só gozam da minha cara de rancoroso e vingativo: “O que é isso? Tá parecendo isca de peixe. Se você me embebedar primeiro... Ele vem com compressor de ar? Então é, por isso que você sempre julga as pessoas pela personalidade”.
Querem saber de uma coisa? Se a ciência provar, se o calendário me contrariar, se o destino insistir nessa história de tênis pequeno; danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas, os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos, profetas, sinopses, espelhos, conselhos. Que se dane o evangelho e todos os orixás. Eu compro uma galocha, um coturno e saio por aí pisando forte no teu sorriso no meio do caminho pra passar com meu humor, porque há sempre um copo de mar para o homem de remo pequeno navegar.
PS: Aí só me resta cantar aquela mandinga: vi você crescer, fiz você crescer, vi cê me fazer crescer também...