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04/02/2010 - Lula no Paris/Dakar com Dr. House and Mr. Hyde

Walter Navarro


Juro que não achei graça na hipertensão do Lula. Se um dia Lula morrer, minha vida vai perder 51% da graça, de assunto e inspiração. 51... De onde tirei essa ideia? Só pode ser saudade de Pirassununga! Sou alucinado por Pirassununga. Melhor, só Salinas!

Mas teve um lance engraçado.

Antes de passar mal em Pernambuco, numa de suas 171 inaugurações diárias, Lula brincou com a plateia bovina: "Estou com a garganta não muito boa (devia estar seca... n.d.r.) e não quero ser o primeiro paciente desta UPA". Claro! Quem tem vontade de ser o primeiro ou último paciente de uma UPA? 171... De onde tirei esse número?

"Mas, como eu ia dizendo antes de ser rudemente interrompido por minha prolixidade", o hilário de mais esse lapidar comentário de Lula foi lembrar da novela "O Bem Amado", a primeira em cores no Brasil (1973). Paulo Gracindo era o prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu. Fazia de tudo para inaugurar sua grande obra, o cemitério. O problema é que ninguém morria. Adivinhem quem foi o primeiro defunto... Ele mesmo, Raimundo Nonato, perdão, Odorico.

"Morra Odorico!", gritava outro antológico personagem, Nezinho do Jegue, que só insultava o prefeito quando estava bêbado. Mas bebia, bebia, bebia...

Fiquei tão preocupado com Lula que convoquei meu amigo, Dr. Gregory House, para examiná-lo. Dr. House, como sabem, é o Rei do Diagnóstico, leva quase uma hora, mas no fim do capítulo desvenda qualquer doença.

Dr. House chegou, e fomos direto pra São Bernardo do Campo, onde Lula convalescia tomando umas doses. De soro...

Fui o intérprete porque Lula não fala inglês nem quando bebe...

House quis saber sobre o histórico familiar. Se o pai de Lula bebia e batia na mulher antes de sumir na vida; se a mãe de Lula, D. Lindu, nasceu analfabeta e desdentada, se ele teve dificuldades na escola e se o filme "Lula, o Filho do Brasil" é mesmo uma porcaria oportunista...

Perguntou se Lula ouvia vozes... Lula disse que sim, toda vez que atendia ao telefone...

Percebendo uma vermelhidão no presidente, Dr. House perguntou se ele era alérgico a alguma coisa: dinheiro na cueca, na meia ou na mão, um claro sintoma de vendaval e solidão. Eu disse que não, ele só não pode ver FHC e certos pássaros, como tucanos.

"E a ácaro?". E eu: "Pelo contrário, ele é o cara!".

Dr. House: "Ele bebe, fuma, mente muito?". Respondi: "Só quando bebe". "Ele fala muito ‘para que a gente possa’, ‘tenho a convicção’, ‘menas laranja’, ‘merda’, ‘desgraça’, ‘companheira Dilma’; essas coisas sem sentido?". Eu disse que só em discursos, depois de beber...

House ficou claramente preocupado com a obesidade, a língua presa, a cara de Eucatex, o nariz inchado, comprido e tubérculo de Lula... Mediu sua pressão, aplicou-lhe um supositório, perdão, um termômetro e recomendou 100mg de chá de picão selvagem com óleo de peroba, arruda e azul de metileno na testa.

"Ele trabalha muito, tava estressado?". E eu: "Não, só finge quando bebe...".

Abrindo a camisa de Lula, Dr. House quase desmaiou. Pediu-me a ajuda de um enochato, quer dizer, de um enólogo. Liguei pro Renato Maischato, melhor, Renato Machado, que, logo ao chegar, começou a lamber e cheirar peito e sovacos de Lula: "Hummmmmmm... Roxo intenso puxado pro púrpura... Intenso, encorpado com nuances de José Lins do Rego... No nariz predominam os aromas de cana, bagaço e garapa com notas de engenho, provenientes provavelmente do repouso em barris de carvalho ou garrafa plástica... Na boca tem gosto de caixa de isopor na praia, com excelente estrutura e um pouco de areia: é pinga!".

House deu 20 real pro Renato, demonstrando-se cada vez mais confuso. Seus olhos brilhavam com caso tão interessante. Olhou para os lados e, ao perceber D. Marisa Letícia soluçando, com cara de cabo de guarda-chuva e gosto de anteontem, não titubeou: "Ele comeu algo estragado?".

Respondi que ele só comia coisa estragada à noite, por falta de opção e quando bebia... House olhou para Dilma arrotando discretamente o bacalhau da véspera e perguntou-me se ele tinha contato com parasitas... Respondi que só no palanque e, assim mesmo, depois de uns tragos...

Esqueci de contar que ele comeu o picadinho da mãe do Chico, o leitãozinho da Cristina Kirchner; que beijou mão do Jader; puxou o saco do Sarney, abraçou Morales, Zelaya, Chàvez e que o Celso Daniel sumiu.

Mesmo assim, Dr. House deu o diagnóstico: é só uma virose! E receitou vitamina C e coma!

PS: Esta coluna foi iluminada por Maneco Quinderé e teve aulas de dança com Carlinhos de Jesus.