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Walter Navarro
11/08/2011 - Que inveja dos píncaros da Pedra da Gávea!
Walter Navarro
Nelson Rodrigues tinha inveja da burrice porque ela é como a Pedra da Gávea; eterna.
O historiador italiano, Carlo Maria Cipolla, escreveu gozação séria, que tenho numa edição francesa: "Allegro ma non troppo: Les lois fondamentales de la stupidité humaine" (Paris: Balland, 1992). Em bom português: “As leis fundamentais da estupidez humana”.
Segundo Cipolla, “os seres humanos incluem-se numa das quatro categorias fundamentais: os crédulos, os inteligentes, os bandidos e os estúpidos”. Os estúpidos seriam orientados por cinco leis fundamentais, a saber, a seguir.
1ª Lei - Cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação
2ª Lei - A probabilidade de certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa.
3ª Lei - Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou grupos de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo. (O supra-sumo da burrice).
4ª lei - As pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos se esquecem constantemente que em qualquer momento, lugar e situação; tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se infalivelmente um erro que se paga muito caro.
5ª Lei - A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.
Ben-Hur Rava, em seu blog, comenta com rara felicidade: “Verificando as categorias de Cipolla, urge repartir os graus da estupidez em proporção quase igualitária: por um lado, existem políticos que parecendo estúpidos, passam por ingênuos, sendo ao final, muito inteligentes e, por outro lado, eleitores há que, embora inteligentes, pareçam ingênuos, tornando-se, na sua grande maioria, verdadeiros estúpidos. Infelizmente, a 5ª Lei é verdadeira”. (Prefiro a 3ª).
Pensei em Nelson Rodrigues e Cipolla, domingo, no bar Pé de Cana - em tradicional ação entre amigos do copo - depois de passar os olhos pela capa do jornal O Globo, de 7 de agosto.
Li uma das manchetes e, sem titubear, pedi, a amigos e amigas presentes, um exemplo de estupidez, de burrice. Estultice; adoro essa palavra.
Interessante. Vejam algumas respostas porque como diria o Millôr, livre pensar é só pensar.
Os dois primeiros engraçadinhos responderam que burrice era ser amigo de um terceiro, à frente deles, à mesma mesa. Outro disse que estupidez é votar na Dilma. Outra ainda afirmou que idiotice é ser atleticano. Tem coisa pior: ser goleiro flamenguista, que seqüestra, mata, esquarteja a namorada pra não pagar pensão, ganha nada com isso e ainda estraga sua vida e as alheias. A 3ª lei... Insisto.
Dar um tiro no pé é burrice. Praticar a roleta russa às vezes é só loucura. Suicídio é só desespero?
Trabalhar e não ganhar dinheiro é burrice ou comodidade? Comodidade é preguiça ou imbecilidade? Fumar, beber, drogar-se é fuga?
Outras respostas da mesa: repetir um erro - "O primeiro engano atribui-se ou ao acaso, ou à imprudência; repetido, atribui-se à burrice ou à ignorância (Manúcio)” - chorar; ficar enamorado de cara, à primeira vista; convidar a mulher mais gostosa da festa para dançar e depois esnobá-la; mulher correndo atrás de homem ou brigando por ciúme; achar que aquilo que nos separa venha a nos unir e, finalmente; discussão que não leva a nada.
Um jeito estúpido de amar, mas, é assim que sei te amar.
A pior burrice é colocar fogo na própria casa, foder a própria casa, o próprio país; achando que vai se dar bem, sozinho.
O jeitinho e a passividade brasileiros.
Dizer que português é burro - exceto a Universidade de Coimbra que deu título honoris causa ao Lula...
Estão curiosos para saber que notícia me inspirou a mergulhar nos labirintos da estupidez humana? “Jatinho, carro blindado, equipe de assessores, hotéis e restaurantes estrelados são exigências dignas de Mick Jagger a serem cumpridas para ter direito a uma palestra no exterior do ex-presidente Lula – além do cachê de US 300 mil (descontados os impostos), o dobro do cobrado por Fernando Henrique Cardoso. Em sete meses, Lula já viajou vinte vezes ao exterior, nove como conferencista”.
Quem contrata Lula para falar merda, com estas mordomias, não é imbecil, é um espertalhão – assim como Lula – e certamente está ganhando muito. Agora, quem paga o ingresso, quem perde tempo ouvindo, absorvendo e repetindo as asneiras que Lula sempre mandou de graça, é o quê?
Haja sorvete para tanta testa.
PS: Burrice é jogar fora o que era novo.