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Walter Navarro
07/07/2011 - Dois aniversários, nenhum casamento e dois funerais
Walter Navarro
Hoje eu ia fazer a coisa mais “difícil” do mundo: falar mal da BHTrans; troço que transforma o trânsito de Belo Horizonte em corrida de obstáculos para cágados.
Deixa pra semana que vem.
Na agenda, dois aniversários, nenhum casamento e muito menos funerais. Os aniversários tiveram muitos comes, bebes e risadas; mesmo porque, se beber não case nem morra.
Mas, sábado de manhã, tomando café, ressuscitando um pão com queijo no forno e ouvindo Billie Holiday; recebi esta mensagem no celular: “Lamento informar passamento do nosso digno ex-Presidente Itamar Franco. Que Deus conforte sua Alma e console seus amigos e parentes.”.
Logo depois minha mãe liga pra contar sobre o passamento de um mui querido amigo da família, em Barbacena, Jorge Abalem Jorge.
Que figuras, Itamar e Jorge!
Ano passado trabalhei na campanha de Itamar, Anastasia e Aécio. Deveras divertido e recompensador. Mal tive contato com Os Três Mosqueteiros de Minas, mas, participei de alguns comícios; entre eles, os de Belo Horizonte, Barbacena e Rio de Janeiro.
Aliás, nunca tive maiores contatos com nenhum deles. Uma pena, com Itamar, agora, tá meio complicado...
Porém, tenho umas histórias engraçadas com ele.
Quando foi presidente de 1992 a 94, eu não morava no Brasil. A Internet capengava, logo, não acompanhei seu governo. Vi pela TV francesa, um casal de apresentadores rolando de rir, ao contar o famoso carnaval de Itamar, no Rio, quando, sem querer ou saber, ficou ao lado da “foliona” Lílian Ramos; ela sem calcinha, mostrando ao planeta sua personal “Origem do Mundo”. A foto também ficou famosa. Sob a transparente meia, via-se a depilada perseguida de Lílian que, hoje, longe do Brasil – acho – deve estar se sentindo meio viúva... Ah! Em seguida, recebi de algum bom samaritano, uma revista com interessante publicidade de lingerie: “Lílian. Se eu fosse você, só usava Valisère”. Na foto, uma gostosa com rendada calcinha branca... A mesma foto usei, tempos depois, em tosca colagem/montagem com Itamar de paletó e gravata...
De 1999 a 2003, quando Itamar foi governador de Minas; eu já estava no Brasil e lembro-me bem de suas estripulias. Assim que assumiu, declarou uma moratória (calote) de Minas de alguns bilhões contra o governo de FHC, que o mandou tomar o “caminho da roça”. Itamar também virou chacota ao enviar a polícia e, em seguida, ameaçar com o exército a privatização de Furnas...
Preferi brincar com outra coisa. Numa de suas escapadas, Itamar o Nacionalista, foi flagrado fazendo compras no Paraguai. À mesma época, morreu, também no Paraguai, ao colidir seu helicóptero contra um coqueiro, o comandante Rolim da TAM e sua “secretária”... Achei muito estranho um coqueiro assassino no Paraguai e escrevi em 29 de junho de 2001: “Vai ver Rolim estava procurando o Itamar na Ciudad del Este. Itamar é outro que adora fazer compras e bater asas no Paraguai, com suas ajudantes de ordens. Imaginem as ordens, aos gritos, que ele dá pra Doralice... ‘Doralice: chupa... este picolé de groselha que comprei pra você, já!’ ‘Doralice! Sentido!’. Império dos sentidos. Pô, namorada a gente não ordena, ordenha...”... E mais: “... vocês viram a cara da Doralice? Cara de quem foi comida e não gostou. Sou mais a Lílian Ramos, a carnavalesca sem tapa-sexo. Itamar não é mole não, traça todas nos jardins do “Felatio da Libertinagem”.
Foi um pequeno escândalo a mais no meu baú de espantos. O amigão e ex-ministro da Casa Civil de Itamar, Henrique Hargreaves, pediu minha cabeça. Lembro-me que o querido Régis Gonçalves, que editava minha crônica, e deixou a brincadeira passar, levou três dias de suspensão.
Quanto a mim, ameaçado por Hargreaves e assustado por meu advogado - que desfilou todos os “crimes” da crônica - nem esperei a outra quinta-feira. Usei o espaço do saudoso Odin Andrade que escrevia às segundas-feiras. Pedi desculpa a todo mundo: à família do Rolim, ao Itamar, à Doralice e até à então prefeita Marta Suplicy que, no mesmo texto levou essa: “A verdade é que todo mundo deve fazer o que quer e ninguém tem nada a ver com isso, como a Marta Suplicy. Aquilo é que é mulher de verdade, só pensa em rosetar e São Paulo que se f...”.
Itamar foi um cara admirável, conseguiu até consertar a economia do Brasil.
PS: Contudo, sentirei mais falta do Jorge Abalem Jorge que, se nunca foi presidente, sempre foi meu eleito. Amigo fiel de meu pai e de minha família. Um doce de pessoa, em cujos olhos sempre li um sincero “gosto e me preocupo com você”.