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30/06/2011 - A visão certeira da gambá vesga da Alemanha

Walter Navarro

 
Vi na GloboNews a gambá vesga, "Heidi", do zoológico de Leipzig, estrela da TV e da Internet. Idolatro gambás e múmias. Múmias e gambás vesgas então me levam ao delírio!

Antes ser vesgo que ler certas coisas.

Semana passada, direto de Paris para Barbacena; como aquela mãe que, bisbilhotando as gavetas da filha descobre que ela mexe com drogas; descobri que alguém lá em casa também anda se drogando. Achei uma revista “Caras” e na capa li: “Exemplar de Assinante – Venda Proibida”.  Desconfio de minha irmã Glaucia que, muito estranha, trabalha com moda...

Pior era a capa da revista: “Exclusivo. Lula e D. Marisa festejam 37 anos de união. ‘Combinamos em tudo’, conta a ex-primeira dama, em visita à suíte inspirada no casal, na Casa Cor SP.”.

Bem feito pra mim, quem me mandou sair de Paris! Mas, tinha que ser Lula e a Galega? Joguei pedra e grudei chicletes na cruz? “Qué he hecho yo para merecer esto?”. Nasci?

Impressionante como tudo pode mudar em questão de horas num avião. Avião não, porque este da TAP é uma afronta; ônibus aéreo para transporte de gado. E bota pena e dó do gado nisso! Viagens boas eu fazia era no AeroLula... Mó mordomia, mó conforto, sem escalas...

Num dia você está lá, em Paris, em frente à TV, vendo programas sobre literatura, história e arte. Dia seguinte você tá em Barbacena ouvindo o convite do Galvão Bueno para a “Dança dos Famosos”, no Faustão! Ninguém merece!

Numa manhã você pode escolher mil revistas bacanas ou ler o jornal da direita festiva, “Le Figaro”, o de centro festivo, “Le Monde”, o da esquerda festiva, “Libération” e; numa outra manhã, dá de cara com a revista “Caras”, para assinantes, na tua própria casa... Eu mereço!

Porém e todavia, não resisti e folhei a “Caras” para ver as novas besteiras de Lula & Galega. Sabem o que mais gostaram na suíte inspirada no casal? Uma parede de ônix que mais parece uma parede toda cagada; amarela, com manchas marrons e uma bananeira na varanda... Tudo a ver com Lula & Galega: diarreia e folha de bananeira! E vejam que atestado de culpa e cumplicidade de Marisa com os crimes do marido: “O segredo do nosso casamento é que combinamos em tudo”. É de dar pena! Pena de 69 anos de reclusão, sem visita íntima e banho de sol.

Por que voltei, Madalena?

Mas, não perdi de todo o meu tempo, folheando a “Caras”. Vi um monte de gostosas em publicidade de lingerie e de perfume; descobri que o Antonio Banderas gosta de fotografia e pesquei duas frases na única página legível, reserva moral e inteligente; a de citações: “Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas” (Paulo Francis). “Eu jamais leio um jornal que tem a minha opinião” (Erik Satie).

Tivesse eu a grana honesta do Palocci ou do aloprado Mercadante, ficaria mais uns seis anos lá. Mas, vida de pobre é lixo, só dá pra três semanas na Europa.

E ainda deixei a deliciosa primavera/verão pra trás, caindo de boca no inverno de Barbacena. Em Paris ficava refestelado na banheira, de onde saía nu pelo apartamento mostrando meus dotes artísticos à vizinhança, feliz da vida. Chego e caio de boca no inverno de Barbacena. Dou até dicas pra quem for pra lá. Tá tão frio que, tomar banho é ato dos mais corajosos e viris. A água sai fervendo do chuveiro e bate gelada na tua cabeça. E o sabonete? Melhor esquentá-lo antes porque a sensação térmica é a de uma pedra de gelo. E a toalha? É mister puxá-la bem devagar porque senão ela provoca ventos glaciais dentro do box...

Pra piorar, devido à elegante vizinhança que temos, um cavalo invadiu nossas glebas, infestando-as, pasmem; de carrapatos!

Vê se pode uma coisa dessas; numa tarde você tá flanando e fazendo compras na Champs-Elysées e, numa outra, vê-se encurralado, dentro de casa, fugindo de carnívoros carrapatos e micuins... Que falta de absurdo, senhor juiz! Eu lá sou homem de pegar tuberculose no chuveiro e de ser devorado por carrapatos; nova versão de gafanhotos, sarna, piolhos, moscas e rãs das pragas do Egito? Se pelo menos fossem pererecas egípcias...

Eu tava tão feliz entre vinhos portugueses, espanhóis, franceses. Tão satisfeito com cervejas russas, belgas, alemãs, holandesas... Não entendo porque, pouco depois eu tava num botequim de estrada, bebendo Itaipava, com meu cunhado esquisitão!

Mas, tudo bem. A família e os amigos sinceros merecem minha saudade, volta, sacrifícios e suplícios. Quero; não nego, volto quando puder.

PS: Só uma coisa não mudou do vinho para a água: a lua de fel lá e aqui... Merece até um Oscar de melhor atriz.