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Walter Navarro
16/06/2011 - Bonjour pardon desolé merci rsvp e um pouco de avec certeze
Walter Navarro
Promessa é dívida e dúvida. Como anunciado no último capítulo, estou em Paris, desta feita, esperando o bonde, a sopa da amada Andrea e ouvindo Nat King Cole. Ah! O que comprei de CDs e DVDs não está no gibi...
Bom, mas, vamos lá, falar sobre a cidade mais bonita do mundo que está mais bonita do mundo a cada dia. Confesso que a famosa primavera em Paris, tão cantada por Cole Porter e Ella Fitzgerald, me decepcionou e encantou. Chove, faz calor, frio, enfim; c`est Paris. Fomos ver o filme novo do Woody Allen, “Minuit à Paris” que é do caralho, do útero e vice-versa. No filme, chove o tempo inteiro e ele Woody confirma: Paris com chuva é tão bom quanto Paris no outono, inverno, primavera e verão, com suas peculiaridades, charme e chatice.
O primeiro dia, depois do hotel? Flanar por Paris, a pé. Fomos ao jardim de Luxembourg, um pouco de Quartier Latin e Notre Dame.
Cada rua, quarteirão; inolvidável surprise.
Lembranças e novas histórias. Ser turista hoje, em Paris, é tão bom quanto ser habitante dela, ontem.
É uma cidade mágica. Principalmente movida a vinho nacional.
Não quero ser babaca e ficar escrevendo e descrevendo pontos turísticos, emoções tantas, uma atrás da outra. Mesmo porque, graças a Deus, Paris é a mesma de sempre, a mulher mais fiel que já tive; como a Torre Eiffel que, pela segunda vez, escalei. Mas, mais uma vez, por causa da massa ignara, fui proibido de ir ao topo, contentando-me com o vulgar segundo andar. Já o Arco do Triunfo justificou seu nome e foi um regalo, com uma vista mais gostosa do que chupar... Deixa pra lá...
Por falar em chupar, tirando a Place des Vosges, um bar cubano na Bastilha, compras nos Champs-Elysèes, a rue de la Roquette (não confundir com Boquette...), a Ópera Garnier, a Ópera da mesma Bastilha, a place Vendôme de madrugada, com seu Ritz e lojas chiques; o francês e as francesas continuam os tarados de sempre.
Eu e ma chérie Andrea alugamos um apartamento no 14e. Muito legal e romântico. Porém, contudo, cotovia e todavia; nossos vizinhos, como reza a tradição são uns libertinos, devassos, tarados e, além disso, licenciosos, depravados e lúbricos.
Anteontem, invejando os correligionários de Baco, chegamos ao ninho do pecado e, abrindo a porta, ouvimos suspeitos sons no apartamento ao lado. O cara falava: “Suce Ofélie” que, em bom português quer dizer: “Chupa Ofélia”... Imediatamente lembrei-me da Maravilhosa Cozinha de Ofélia...
Por falar na “cuzinha” da Ofélia, o assunto na Europa são os assassinos pepinos contaminados. Tá todo mundo fugindo dos famigerados e intumescidos tubérculos. Um pesquisador alemão declarou, seriamente, que a maior parte das vítimas é do sexo feminino, talvez porque “as mulheres são as mais ardorosas consumidoras de pepino...”. Com duplo sentido, por favor...
Voltando aos vizinhos fogosos, adentrei a cozinha e, pela estreita janela, deparei-me com insólita e sólida cena no apartamento da frente. Uma mulher, gostosa pra carvalho, preparava o café da manhã, descascando uma inocente laranja quando, seu namorado chega por trás e enfia a mão dentro do pijama da amada, logo percebendo que ela estava sem tapa-sexo (calcinha).
Não deu outra! Excitada, ainda com a faca na mão, ela vira-se e começa a beijá-lo com ardor canibalesco. Num lapso, ela se agacha e começa a pagar-lhe um nobre boquete. Aquilo foi me dando tanto tesão que abri a geladeira e saquei de uma cerveja... Logo depois, ensandecida de prazer e luxúria, a devassa desce as calças e começa a transar com o felizardo, encostada no fogão, ainda bem que apagado... O negócio foi crescendo tanto, literalmente, que os dois foram pra dentro e, mui provavelmente, terminaram na cama, em paixão platônica e trepada homérica. Na noite seguinte, sobre tapete marroquino, ela tava fazendo xixi na cara do felizardo...
É Paris, uma trepação cósmica e patafísica: turistas trepam na Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre Dame ou Torre de Montparnasse, depois, com síndrome de alpinistas, acabam trepando na cozinha.
Este mundo está mesmo perdido e mal pago. Bem fazemos eu e minha doce Ducinéia, perdão Andrea, que só temos tempo para andar e curtir monumentos, cemitérios, igrejas e praças de Paris. Mentira! Confesso que, depois de Montmartre, passando por Pigalle, ao lado do Moulin Rouge, visitamos o Museu do Erotismo, o que nos deu várias idéias! Nada que uma boa missa na igreja de Saint-Germain-des Près não perdoasse...
PS: Ficamos aqui mais uma semana ou até o fim do ano?